sexta-feira, 22 de maio de 2009

Copo

Era paixão das fortes. Ela combinava com ele em tudo: gostos, humores, pele. Desde as primeiras transas concordaram que aquilo era fazer amor.

Então uma "coisinha" começou a incomodar. Ele já tinha namorado bastante, podia até se considerar experiente, e com as outras sempre foi a mesma pressão sensorial agradável de "acolhimento". Mas com ela, gradativamente, seu membro começou a ficar meio solto lá dentro. Conversar sobre isso, nem pensar, mas como ela não notava?

Numa transa mais quente ele tentou colocar um dedo junto, depois outro. Aos poucos foi acrescentando dedos, preenchendo aquele oco e se aconchegando mais. Em outras ocasiões, até os dedinhos dela entravam na brincadeira.

Era divertida aquela alternância de dedos e buracos, mas ela tinha só vinte e poucos... Como isso ia se resolver? Exercícios de fortalecimento? Pompoarismo? Cirurgia de reparação?

Como toda história tem dois lados, um dia ele chegou à doce conclusão de que ao invés de um defeito isso podia ser o aviso de uma grande qualidade: ele estava diante de uma parideira perfeita. Depois da primeira gestação, aí sim a relação deles tomaria o rumo da verdade.

:: 16.01.2009 ::

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Eu comi padre Marcelo porque eu não sei me controlar

Tudo bem, a gente tinha encerrado, mas essa contribuição de um amigo anônimo (este, especificamente, sabemos quem é, mas preferiu o anonimado) ficou GENIAL. Poética, rápida, cínica. Esse, sim, gostaríamos de ter escrito. Compartilhamos com vicês mais um exercício criativo-literário baseado no Jogo MCP 1

Saia.
Não posso ver.
Comprida, curta, mini.
Canelas, joelhos, coxas.
Saia.
No corpo. No chão.
Descontrolo.
Que era padre, só soube depois.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Comi meu avô porque odeio minha família

Exercício criativo-literário do amigo Fernando Ramos, baseado no Jogo MCP 1

Qual o meu caso? Bom, meu caso foi assim, um tanto esdrúxulo, porque tudo começou quando fui violentado pelo meu avô paterno quando tinha uns onze anos. Ficou estarrecido, né? Pois é verdade. Uma baita de uma veadagem a do desgraçado do meu avô, que o diabo o tenha. Mas porra, além de gay, precisava ter sido pedófilo? Digo, ele tinha que querer comer justo o caçula?

Já faz quinze anos do acontecido, mas é claro que coisas desse tipo são traumáticas. Escondi de todos o fato e guardei uma raiva do velho tão grande, mas tão grande, que era até gostoso sentir aquele sentimento. Sei lá, uma espécie de poder, que me fazia viver melhor, entende? Porque me movia pra que um dia eu o fizesse pagar por isso. Mas o tempo quase – eu disse quase – cicatrizou essa dor, pois me distanciei, nunca gostei de família, depois dessa então, não queria notícia do veado do meu avô nem a pau.

Dia desses, a contragosto, fui com eles, familiares, visitá-lo no asilo. Sabe como é família, né? Não se toca que tem algo de errado, tem que jogar na cara coisas desnecessárias e assim, me convenceram a ir junto. E vou te contar, que estado deplorável o do puto. Ele, com seus oitenta e dois anos e pela idade avançada, já não se locomovia muito bem sem um andador e usava uma fralda geriátrica devido sua incontinência fecal e urinária. Foi olhando-o daquele jeito que tive um estalo: aquele era momento ideal pra dar o troco.

Assim que os demais parentes foram embora e fiquei sozinho com o bastardo, senti nele uma certa aflição. Estávamos ali, frente a frente, vítima e algoz. E ele sentiu que não era mais o algoz. Sem pestanejar, fui desafivelando o cinto e caminhando em sua direção. Ele tentou clamar por socorro, mas como mal tem conseguido falar, foi moleza enfiar no rabo do velho.

Na sétima bombada o filho da puta morreu, teve um infarto. Confesso que foi nojento. Ahn? Se acho nojento porque comi um velho, de oitenta e dois anos, que por acaso era meu avô? Francamente, não. Foi nojento porque, afinal, a enfermeira ainda não havia passado pra trocar sua fralda. Ah, o que tem a ver a história com esse coquetel? É que obviamente fui preso em flagrante. E na hora de fazerem os exames de corpo de delito etc, constataram que sim, eu havia comido meu avô. Mas que ele conseguira me foder mais uma vez: o desgraçado era soropositivo.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Dei uma voadora em um mendigo porque eu não sei me controlar

Exercício criativo-literário da amiga Sweet Toxicant, baseado no Jogo MCP 1

Era tarde da noite, tinha trabalhado demais e resolvi ficar pra um happy hour com uns colegas. Quando saímos do bar, levemente alegres, notei que já eram 23h30. Despedi-me do pessoal e comecei andar apressada para a estação do metrô.

Assim que dobrei a esquina, um mendigo de aparência incômoda me abordou pedindo dinheiro. Eu, apressada e impaciente, o ignorei e continuei andando. Ele veio atrás de mim, insistindo. Disse-lhe que não tinha trocado, e não tinha mesmo. O mendigo então começou a passar-me um sermão daqueles, de como as pessoas não têm compaixão pelos necessitados etc... Aquilo começou a me subir o sangue, porque notei que o safado não tinha fome: ele carregava uma latinha de cola e queria dinheiro pra conseguir mais.

Como ele não parava de dirigir impropérios a mim, não consegui me controlar, como sempre, e lasquei uma voadora que acertou o braço do mendigo e mandou sua latinha longe.

Eu maltratei o Jack Estripador porque o Papai Noel mandou

Exercício criativo-literário da amiga Vampiradea, baseado no Jogo MCP 1

Sabe, andei um tempo estudando sobre a inquisição. Será que em outra vida eu fui um torturador, daqueles de capuz na cabeça? Hum...

Foi no final do séc. XIX (sou uma vampira!!!). Eeu estava em Londres passeando por ruas sombrias quando deparei com ele, Jack, sujeitinho meio asqueroso. Estava com um canivete cego e cheio de dentes, com o qual havia destrinchado uma mulher desavisada. Ele partiu então com a faquinha para fazer o mesmo comigo.

Nesse momento o Papai Noel apareceu com um macacão colant vermelho e uma cueca branca por cima, e me ordenou, maltrate o Jack!!!! Eu estava meio atordoada com o susto, nem era Natal!

Mas de pronto atendi a ordem do herói preguiçoso, já que ele deveria me salvar. Saquei minha peixera da bolsa e comecei a cortar Jack pelas articulações, enquanto ele cantava, "me corte devagarzinho que me dói, dói, dói". Aí eu cortei mais miudinho, temperei com limão, pimenta coco e azeite de dendê enquanto ele dizia, "me tempere devargarinho que me dói, dói, dói!!!". Fiz uma moquequinha ali mesmo na esquina, com um foguinho de papel e as roupinhas dele. E o filhadaputa continuava a cantar "me cozinha devagarinho que me dói, dói, dói!".

Comemos a moqueca, eu e o herói Papai Noel!! Preguiça, e ele com a mesma musiquinha "dói, dói, dói" e só depois eu lembrei, entre um delicado arroto... Era só pra maltratar... O pior de tudo foi que ele, Noel, cantou quando saiu!!!!

Eu matei o Padre Marcelo porque o meu pai é virgem

Exercício criativo-literário do amigo Meyviu, baseado no Jogo MCP 1

Dizem que matar padre da azar. Agora, azar de verdade é ter um pai virgem. Lembro até hoje o dia em que minha mãe me disse que meu suposto pai (aquele das fotos, pois nunca o conhecera) tinha morrido aos 16 anos sem nunca ter transado, e que ela engravidara sabe-se lá como, pois seu único namorado até então era meu suposto pai.

Os anos se passaram e, com eles, levaram também minhas preocupações em relação a minha origem. Até o dia em que vi um homem de mais de 1,90 m cantando alto e em bom som: "Erguei as mãos e dai glória a deus!!" Seu nome, Marcelo. Sua posição, padre!!! Ele mesmo, padre Marcelo, o sujeito que a vida inteira vi nos retratos que minha mãe me mostrava. Com certeza ela nunca prevera esse sucesso televisivo repentino.

O ódio veio a galope, tornei-me ateu. Comprei um 38 de um antigo amigo e fiz o que qualquer um faria se estivesse na minha posição. Matei o padre Marcelo!

Consolei uma gilete porque o Papai Noel mandou

Exercício criativo-literário da querida Tata, baseado no Jogo MCP 1

Sim, foi muito triste. Em meados de dezembro do ano passado, Noel me ligou contando que estava tendo problemas com uma gilete que ganhou de um de seus duendes.

- Guria, a gilete quer ser usada, ela está frustrada porque eu desejo ter barba! Não sei o que fazer!

Percebendo que o Natal chegava, e que Noel não podia se incomodar com isso, fui buscar a gilete sem saber muito o que fazer.

Afff!!!! Depois disso foi um saco. Levei a gilete em vários consultórios de análise pra ver se ela perdia o trauma, mas ela andou tanto que acabou perdendo o corte. Hoje, ela aguarda a solução do problema numa caixa de perfurocortantes pra ser incinerada.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Eu destrocei um Rogério Ceni não lembro o porquê

Exercício criativo-literário da querida A Senhora/Bruxa, baseado no Jogo MCP 1

Tenho o hábito de lembrar das boas coisas da minha vida. Por causa disso, lembro do meu último carro, um Idea lindo de morrer! Também por causa disso, dei a ele o nome do meu ídolo do momento, do meu time do coração – Rogério Ceni. Rogério para lá, Rogério para cá...

Até que um dia um miserável de um motoboy, gordo, com o símbolo do Corinthians, evidentemente, grudado naquela "frasqueira", me deu uma cortada em plena 23 de Maio.

Não era para ser nada, a não ser que nós dois estávamos em alta velocidade, numa noite para lá de incomum em São Paulo. Nem sei porque as coisas aconteceram daquele jeito. Só sei que fui parar no canteiro central, depois de capotar duas vezes. Não sobrou nadinha do meu Rogério Ceni, nem mesmo para correr atrás daquele gordo corinthiano.

Eu transei com uma barbie porque estava drogado

Exercício criativo-literário do amigo Alta, baseado no Jogo MCP 1

Fria madrugada paulistana. Já passam das quatro horas. Como de costume, a balada acabava sem um saldo muito positivo, sem nenhum abate que valesse a pena mencionar. Ainda por cima, aquela ressaca precoce, que já começava a se pronunciar. Eis que o Guga, um colega meio junkie, põe na banca uns graminhas de pó e todos resolvemos experimentar. Foi bater e valer. A partir daí tudo ao redor se modifica. Numa esquina da boca, percebemos um grupo de lindas garotas. Todas sorridentes, disponíveis, muito simpáticas. Para mim, acabou sobrando uma que, dadas as circunstâncias, era igualzinha à Barbie. Linda, loira, esbelta e bem torneada. Passamos a noite juntos e foi a melhor mulher com quem transei. Pena que nunca mais a vi.

Eu maltratei uma unha porque não sei me controlar

Exercício criativo-literário do amigo Ragas, baseado no Jogo MCP 1

Tudo começou quando a unha reclamou que eu não limpava a sujeira acumulada embaixo dela. Só que ela não falou educadamente, então, respondi: "Tá pensando que é grandes coisa, ô queratinazinha de merda!?!?!"

Ela me respondeu: "Na verdade, só tô pensando que sou grande, porque você é um maldito porco que não me corta!"

- Peraí! Porco, não! Sou corinthiano!"

Quando ela respondeu que o Ronaldo era gordo, perdi a compostura. Fui até o banheiro e abri a gaveta da minha esposa. Peguei um alicate de cutícula e mostrei para ela. A unha se apavorou. Sabia o que aquilo significava: tortura! Com um sorriso largo olhei para ela e disse:

- Se prepara, minha filha, porque eu vou arrancar uns bifes grandes o suficiente para alimentar o mendigo que apanhou da Sweet Toxicant!

sábado, 9 de maio de 2009

Jogo MCP 1

Primeiro você pergunta: mas o que é que um jogo pode ter a ver com os tais MiniContos Perversos? O blog é de histórias de aventuras loucas, literatura... nada a ver com jogos.

Mas o fato é que já jogamos faz tempo e você nem percebe. Nos comentários, nas contribuições enviadas pelos leitores e amigos, nos jogos de fantasia e imaginação... Lembram da brincadeira criativa nos comentários do post Frase para reflexão?

Nossa idéia com esses jogos que postaremos é dar MAIS interatividade ao blog e receber sinais de vida dos leitores que não comentam. Veio de uma brincadeira enviada pela amiga Ú&E. Obrigado, bela!

Preparados, queridas e queridos? Então vamos lá! Avisamos de antemão que não é inédito, tá? Pra começar, clique na imagem acima.

É óbvio mas não custa esclarecer: RESPOSTA NO CAMPO DE COMENTÁRIOS, OK?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Tatuagem artística, profanação do corpo sagrado

Minha musa está gravada em minha pele feito tatuagem. Não daquelas que doem para fazer. Ela em mim foi delicadamente traçada com uma lâmina morna, macia, em sensações eróticas deliciosas. O resultado é uma obra de arte elevada, não só pela estética, mas pelo desejo, que acaba transformado em angústia.

A tatuagem toma meu corpo todo, dentro e fora, até em órgãos vitais (alguns em particular). Toda vez que olho no espelho fico feliz, e não vejo a hora de traçar um pouco mais em minha pele... Essa espera é a única parte que dói, mas arte não pressupõe sofrimento?

:: 15.06.2004 ::