segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Vatted

Eu a queria. Desejava aquele corpo, aquela boca. Mas a presença constante e intimidadora do namorado dificultava a aproximação.

Passei parte da noite analisando. Nunca subestimem um bom observador. Percebi que ele tomava coquetéis de frutas, daqueles com enfeites coloridos. Ela, uísque. Eis a oportunidade: ele era muito adocicado para o gosto dela. Ela merecia experimentar algo mais forte, amargo, intenso.

Com o intuito de animar a noite me ofereci para preparar drinques diferentes. Saí para comprar as iguarias. Para ele, uma batidinha exclusiva. Para ela, um vatted, mais forte, encorpado e especialmente escolhido. Ambos com um toque a mais, claro.

No dela, guaraná em pó. Um pouco mais que o necessário para alimentar seu entusiasmo. Minha menina ficou incandescente, endiabrada. Às três da manhã mergulhou na piscina, em pleno inverno, pequena demonstração da excitação e calor no seu corpinho. Eu a esperava na borda, de toalha nas mãos.

Sim, eu mesmo. Porque o namorado não conseguia sair do banheiro. Creio que exagerei na dose de laxante. Mas caprichei no detalhe da borda.

:: 21.12.2009 :: vatted ou pure malt é uma mescla de single malts de diferentes destilarias

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Tem coisa que escoteiro não deve fazer num ônibus (parte 3)

A morenaça levantou do banco e se esfregou toda em mim quando foi para o corredor. Faltavam mais três pontos para eu descer. Quando passou a tremedeira automaticamente levantei e parei atrás dela. Na freada dei aquela encoxada. Impassível, a morena desceu. Desci junto, mas para minha surpresa ela começou a andar sem olhar para trás. Fiz um "ssssss", depois um "ei", mas nada dela parar. Se eu estivesse com o apito de escoteiro dava aqueles três silvos seguidos (pri-pri-pri! quem foi escoteiro sabe o que significa). De alguma forma minha intuição já sabia que eu não devia ir atrás. Mesmo que eu não conhecesse o conceito, desde aquela época eu tinha pavor de ser taxado de stalker (a palavra "perseguidor" em português não é tão exata como em inglês).

Talvez eu tenha perdido ali a oportunidade de deixar de ser cabaço mais cedo, mas revendo a situação, foi melhor como aconteceu. Pior seria ela parar e eu não saber o que fazer. O fato é que andei dois quilômetros a mais para chegar em casa, tirei o uniforme de escoteiro e toquei uma bem caprichada no banho.

:: 05.09.2008 :: Publicado originalmente e numa pegada só n'O Coletivo, que expirou (pô, Jean!!!). Aqui foi atualizado e devidamente editado para o formato noveleta

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Tem coisa que escoteiro não deve fazer num ônibus (parte 2 - Um busão chamado desejo)

Eu escoteirinho no ônibus quase vazio sentado do lado daquela morena deliciosa e pré-balzaca. Mal começou o balança-balança delimitei meu espaço abrindo as pernas: encostei nela, evidentemente, e ela não recuou. Não vou entrar nos detalhes do ônibus parar nos pontos, entrar gente, sair gente, porque isso é chato. O que importa é que toquei meu braço no dela, que nem se mexeu. Coloquei a mão na minha perna, discretamente minha mão começou a deslizar pela minha coxa e a tocar a dela.

Como a morena não reagiu, abusei. Ora, escoteiro tem vocação para aventura (aquelas de escalar montanha, acampar, viajar etc.; tudo envolve adrenalina, certo?). Pra resumir, passei bom tempo com a mão lá no quentinho do meio das pernas dela. Não trocamos palavra e eu não me preocupei muito com os passageiros que pudessem perceber o climão. Então ela me olhou nos olhos, levantou e puxou a cordinha da campainha (aquela que avisa que alguém vai descer no próximo ponto). E passou por mim se esfregando toda. Eu só pensei que para o meu ponto faltavam mais três.

(continua)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Tem coisa que escoteiro não deve fazer num ônibus (parte 1)

A roupa de escoteiro hoje é mais discreta, calça jeans e camisa azul de aviador. Mas no meu tempo era aquele conjunto de brim cáqui com bermuda. Cada grupo escoteiro tinha o lenço (aquilo que os leigos chamam de gravata) de cores diferentes, camisa cheia de distintivos (graduações e especialidades), era uma beleza. E nada tira da cabeça deste perverso que a mulherada sente atração pelo uniforme de escoteiro na mesma proporção que os caras pelo das colegiais.

Eu cresci muito rápido e minhas pernas são naturalmente grossas. E o uniforme de escoteiro não acompanhou o crescimento. Então era um varapau de 13 anos e bermudinha apertada sábado no fim da tarde voltando de ônibus da reunião do grupo escoteiro. Eu morria de vergonha daquele uniforme.

Tá bom que eu era escoteiro, fazia boas ações, mas já tinha muito dessa atração doentia por rabo-de-saia. O ônibus estava bem vazio, eu passei na catraca (coisa que mais odeio na vida, mas isso é outra história) e aquela morena bonita, uma mulher pelos trinta anos, me olhou de cima até embaixo. Não teve jeito, sentei do lado dela. Foda-se o cobrador curioso.

(continua)