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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Relatos de um veraneio praiano III

Minha cidade no interior do Paraná é um tédio. Então me preparei para abafar neste verão. Adoro desfilar minha morenice pela cidade. Pouco importa se biquíni fio dental está fora de moda (meu preferido é o de oncinha). Sou uma delícia e quero mostrar.

Muita gente na praia, muitos homens interessantes. Basta meio olhar e um sorriso que chegam se derretendo falar comigo. Elegi dois bonitões e um bonitinho com quem me divertir. E como são fáceis!

Para não dar confusão dividi meu dia. À tarde eu fico com o bonitinho, que cuida de mim na praia. É só pedir para passar bronzeador quando estou deitada de bunda pra cima que se entrega todo, e se atrapalha para esconder a ereção na sunga apertada. Se eu desamarrar a parte de cima então... Antes de escurecer uns amassos na escada do edifício, mas com cuidado para não coincidir com a chegada do bonitão militar. Este recebo dentro da kitinete mesmo, sexo selvagem e sem requinte. A pretexto de jantar com parentes me despeço dele, perto da hora em que o bonitão playboy chega. Este me banca jantares e baladas e me leva para “dormir” na cobertura à beiramar. De manhã me deixa em casa em tempo de me aprontar e ir à praia esperar o bonitinho — na verdade, de quem eu mais gosto.

E assim segue o rodízio. Pode me chamar do que quiser, mas é o único jeito de compensar o tédio sem fim de um ano inteiro naquela cidadezinha miserável.

:: 03.01.2011 ::

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Da masculinidade exacerbada à inveja da vagina

Tenho uma prima lésbica que sabe muito da vida. Viveu em vários meios, inclusive na rua, atuou em grupos de apoio a homossexuais e prostitutas, foi organizadora da Parada Gay, viajou pra muitos destinos turísticos, enfim, ela sabe. Hoje está mais sossegada, casada com a companheira e não pensam em ter filhos.

Foi essa prima que me falou que sou promíscuo como um gay, mesmo sendo heterossexual. Melhor ouvir isso do que aquilo que uma ex espalhou pra meio mundo quando rompemos: que sou homossexual reprimido e que desvalorizo as mulheres como forma de puni-las — um tipo de "outro lado" do complexo de castração.

O fato é que isso de pular de galho em galho acontece de forma natural, sem culpa, sem danos causados. E se pensa que preciso mentir para levar essa vida, está enganada. Basta omitir. Olha bem para mim: teria coragem de me interrogar? Tá bom, muito raramente é necessário uma mentirinha inocente, mas por questões logísticas.

Antes que você tente racionalizar, entenda que se trata de amor. De um amor incondicional pelas mulheres e sua essência. Da consciência de que toda beleza da raça humana exala delas, seja em sentimento, seja em vida. E que essa essência está na pluralidade, naquilo de mais belo que cada mulher carrega em si. Vivenciar todas essas cores assumiu um papel de sobrevivência. Portanto, não me chame mais de galinha.

:: 14.10.2009 ::

terça-feira, 23 de junho de 2009

Demarcação de terreno

Deitou a cabeça no colo dela, que começou a fazer cafuné com calma e delicadeza.
"Tá vendo? Não precisa de cachorro. Você tem eu."

:: 18.03.2009 ::

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Copo

Era paixão das fortes. Ela combinava com ele em tudo: gostos, humores, pele. Desde as primeiras transas concordaram que aquilo era fazer amor.

Então uma "coisinha" começou a incomodar. Ele já tinha namorado bastante, podia até se considerar experiente, e com as outras sempre foi a mesma pressão sensorial agradável de "acolhimento". Mas com ela, gradativamente, seu membro começou a ficar meio solto lá dentro. Conversar sobre isso, nem pensar, mas como ela não notava?

Numa transa mais quente ele tentou colocar um dedo junto, depois outro. Aos poucos foi acrescentando dedos, preenchendo aquele oco e se aconchegando mais. Em outras ocasiões, até os dedinhos dela entravam na brincadeira.

Era divertida aquela alternância de dedos e buracos, mas ela tinha só vinte e poucos... Como isso ia se resolver? Exercícios de fortalecimento? Pompoarismo? Cirurgia de reparação?

Como toda história tem dois lados, um dia ele chegou à doce conclusão de que ao invés de um defeito isso podia ser o aviso de uma grande qualidade: ele estava diante de uma parideira perfeita. Depois da primeira gestação, aí sim a relação deles tomaria o rumo da verdade.

:: 16.01.2009 ::

sexta-feira, 27 de março de 2009

Jóias são para sempre, o amor talvez

- como foi o aniversário?
- bom demais. estou na base do engov agora.
- ganhou muitos presentes?
- muitos. as coisinhas mais lindas.
- ganhou o que do maridão?
- ex. saiu a separação. jóia. nem sei onde vou usar de tão cheia de pedras. uma pulseira de escrava.
- ele vai passar mais uns anos tentando te comprar. devia ter dado uma recompensa pra ele.
- pára bobo.
- ah, pelo menos uma punhetinha com a pulseira no braço, pelos bons tempos.
- que bons tempos? tá louco?
- você me falou que foram felizes.
- mas ficaram as mágoas da separação, você sabe.
- então faz uma pra mim, com a pulseira. de vingança.
- bobo.
- faz?
- faço.

:: 25.11.2008 ::

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Dialogozinho prepotente à sombra da peneira que tapa o sol

- Não entendo por que você se abalou de lá até aqui, e depois não aconteceu nada.
- Você mesma me disse, eu esperava uma pantera sedutora e encontrei uma gatinha romântica.
- Então se prepare, que na próxima vou mostrar meu lado obscuro.
- (...)
- Mas fica ligado que mecânico tem que saber mexer em qualquer tipo de motor, hein?
- Eu sou piloto, bela.


:: 11.06.2008 ::

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Chupadinha burocrática

A gente tinha se conhecido pelo telefone por acaso. Começamos a conversar bastante, numas ligações dissimuladas e cheias de mistério. Ela se esquivava de um namorado chato que, analisando melhor, devia ser marido. Nos telefonemas ela sempre chegava no limite, mas nunca no sexo. Adorava provocar.

Marcamos um primeiro encontro e minhas expectativas estavam baixas. No final das contas ela era muito bonita, loira italiana, pele e olhos claros, lábios suculentos, seios grandes emoldurados por um decote exagerado à base de botões abertos mais do que o recomendável para moças que querem aparentar boa procedência. O combinado era só uma carona.

Carro em movimento, ela continuou a provocação. Elogiou minha boca e ficou esfregando as unhas longas nos meus lábios. Levei a conversa para o lado da safadeza e perguntei se ela estava curiosa. Ela disse que sim. Então eu disse “abra e veja”. Nada de beijos ou introduções. Ela abriu minha calça, colocou para fora e começou a acariciar.

Circulamos um pouco assim, até que parei o carro perto de onde ela disse ser sua casa. Toquei-lhe de leve nos seios, mas ela não me incentivou a continuar. Talvez sentisse culpa. Falou que tinha que ir. Uma das loiras mais lindas que conheci escapando entre meus dedos. Antes de sair deu uma chupadinha burocrática, o que seria só um começo. Desceu do carro preocupada em não ser descoberta e seguiu sem olhar para trás. Eu fiquei com a maior dor no saco e nunca mais vi aquela mulher. Ela era só provocação.

:: 11.07.2003 ::