sexta-feira, 2 de março de 2012

Trabalho secreto

Da minha amiga e "mainha" Vampira Dea

Eles trabalhavam juntos há algum tempo, ela via nele o exemplo do homem que não queria de jeito nenhum, comprometido, lindo demais, galinha demais. Não era homem pra ela, recatada e cheia de pudores. Um dia em um passeio comemorativo da empresa estavam na praia, ela resolveu dar um mergulho, quando voltou à tona deu de cara com ele. Sem nenhum escrúpulo ele disse "Deixa eu ver".

Ela como que hipnotizada baixou a calcinha do biquíni, ele só fez esticar a mão e com cara de paisagem pra ninguém notar, deslizou os dedos de leve o que a fez tremer, corar e gemer um miadinho baixo. Aí ele olhou pra ela e disse: "Tem umas pedras ali, venha". Sem parar pra pensar, em uma piscininha natural, se pegaram como loucos num breve espaço de tempo, que a fez ficar viciada dali por diante, qualquer lugar em que estivessem, em qualquer circunstância, era motivo para trasarem. Banheiro, mesa do chefe atrás da porta, bastava ele olhar e ela dava um jeito de ficar pronta, muitas vezes na posição, de pé e de costas, apoiada em alguma porta, estante, parede, pernas afastadas, úmida, ansiosa já que não dispunham de tempo e a graça dos dois era o perigo, sempre esperando ser devorada por ele que só tinha o trabalho de levantar a saia e puxar um pouco a calcinha pro lado. Na verdade ele estava tão viciado quanto ela, um dia na pressa esqueceu de tomar banho, e foi encontrar a noiva. Mulher conhece e logo sentiu o cheiro da outra, enxotou ele pra nunca mais.

Pediu a colega em namoro mas ela não quis saber dele assim tão descompromissado.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Malabarismo germinal

Tudo remete ao dia em que os pais do Zé o levaram a um parque mambembe. Ele tinha quatro anos e se encantou com o carrossel de cavalos, carrinhos conversíveis e motocas. O Zezinho escolheu a motoca, mas depois que o brinquedo rodou uns segundos, pulou para o conversível vermelho. Ao sair do carrinho pra voltar para a moto, o operador parou o brinquedo e deu uma mijada. Questões de segurança.

Pode parecer justificativa, mas sempre aconteceu assim com ele. Por exemplo, se andava desempregado, invariavelmente apareciam duas propostas tentadoras. Com o assunto trabalho é difícil conciliar, mas quando se trata de namoro...

Acontece que no baile em que o Zé conheceu a ex-mulher, acabou tendo com uma deusa, estudante de economia. Era dessas mulheres altas que param um salão quando entram. Obviamente ficou dividido e começou a namorar as duas.

A deusa morava com os pais em Piraquara, uns trinta quilômetros da casa do Zé. A que virou esposa, por sua vez, morava sozinha e perto.

A deusa tinha personalidade forte e era meio despirocada, mania de beijar na boca em restaurante vegetariano e de colocar o pernão em cima de mesa de barzinho. E, pior, começou a fazer surpresa (motivo absolutamente passional) de manhãzinha na casa do Zé antes das aulas. Evidente que a que morava sozinha dormia com ele de vez em quando. Complicou tudo. E tinham as intermináveis viagens a Piraquara, e o perigo de dirigir sonolento noite alta na volta.

Voltando ao carrossel, na cabeça do guri o episódio ficou mal resolvido: "Qual o problema se estavam desocupados?" Mas não teve jeito, o Zé teve que escolher, e o resto da história você conhece. Só não sabe que a tal deusa hoje é doutora em economia em alguma federal do norte do País.

::28.02.2012 ::

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Balada de uma amante iniciante

Nanda caiu pelo Ale desde o comecinho da faculdade. Era o mais charmoso dos caras, e tudo indicava que seria bem-sucedido. O problema é que já no primeiro churrasco da turma levou a namorada, linda e interessante, casalzinho perfeito.

Ao mesmo tempo o Ale dava umas investidas na Nanda, que era das mais atraentes da turma. Ela não pensou duas vezes e virou vértice de triângulo amoroso como a vida toda censurou. Mas era bom estar com um homem tão carinhoso, inteligente, bom de cama, divertido... e como eram excitantes os beijos escondidos e as idas ao motel! Às poucas amigas que sabiam do romance clandestino ela dizia que era melhor ficar com homem comprometido, porque não pegava no pé, podia levar a vida como quisesse. Mas lá no fundo alimentava a esperança de que ele um dia fosse dela. Porque a Nanda era só do Ale.

Um dia aconteceu. Alguns meses antes da formatura o namoro do Ale acabou. No íntimo Nanda ficou radiante, mas não expressou e continuou discretamente ao lado dele. Dois meses depois o Ale comentou que havia conhecido uma garota com história de vida e gostos muito parecidos, que tinha um filhinho com quem ele se identificou de cara. No último churras antes da formatura ele apresentou a nova namorada a todos, à Nanda inclusive. Era de fato uma relação ainda mais bonita que a anterior.

Passada a colação de grau, o Ale anunciou casamento. A Nanda cuidou com dedicação da despedida de solteiro. Fez questão de fazer com que ele se sentisse um deus, entregou-se de corpo e alma. No dia seguinte, na igreja, seu choro soava um pouco diferente das lágrimas emocionadas das demais, mas deu para disfarçar. Ao menos Nanda sabia que na volta da lua de mel teria sua recompensa.


:: 02.06.2008 ::

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sorte azarada de drogado

Por questões profissionais e afetivas resolvi parar com tudo. Aliás, maneirar bastante na bebida e cortar a zero os "acompanhamentos". Pelo menos dar um tempo.

Semana passada de férias na Ilha do Mel, pousadinha ajeitada, lá fora a maior chuva. Eu estava no quarto sossegado, vendo o tempo passar, ar condicionado bombando... bateu saudade dos acompanhamentos.

Observava o quarto minuciosamente e vi um quadro torto. Fui colocar no lugar e adivinha o que despencou quase em cima de mim? Um invólucro com duas notas de 50 e dez figurinhas, acondicionadas uma a uma em papel alumínio. Parece que deus às vezes me testa.

Primeiro vieram duas dúvidas: será que a coisa é de qualidade? tem prazo de validade? Depois pensei no cara que perdeu, até hoje procurando ou tentando lembrar onde escondeu a coisa. Deve ser coisa boa mesmo.

:: 01.02.2012 ::

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Campeonato de

A sala de aula parecia aquelas de pré-vestibular, perto de cem alunos e carteiras de braço, mas estávamos no primeiro do ensino médio. Escola grande tinha dessas coisas. Sentávamos no fundão, como era de se esperar de um bando de semimarginais burgueses.

Num dia de tédio alguém teve a ideia. Aliás, um magrão começou a fazer aquilo em homenagem à gostosa da sala, que sentava perto da gente e estava em um dia em que a histeria lhe transparecia na pele. Ele tirou pra fora sem a menor cerimônia e começou a bater uma. Aí sim alguém inventou de fazer o campeonato. Ganhava quem chegasse primeiro. Não valia revista de sacanagem. Tudo discreto o suficiente para que o professor ou a turminha da frente não notassem, mas escancarado o bastante para as galinhas da sala verem.

Assim, nas aulas chatas o pessoal mandava ver em campeonatos de bronha. Nunca nenhum dos participantes recebeu punição. Tudo só acabou no dia em que nossas coleguinhas do fundão exageraram na torcida e foram convidadas a se retirar da sala.

:: 27.01.2012 ::

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Porque éramos belos bêbados cometas*

Na época o Siri Bar era, como o nome sugere, um bar. Na beira do calçadão da praia e bem rústico, com uns bancos e mesas de cimento na frente. Às vezes a gente ficava ali bebendo e outras ficávamos somente ali. Numa praia em Santa Catarina ver o movimento é quase como respirar, há muito que se ver.

Época em que nos sentíamos indestrutíveis. Quem olhasse atentamente para nosso jeito, nossa pose, percebia isso. E as conversas... acreditávamos ter todas as respostas e que poderíamos salvar o mundo. Era só uma questão de querer.

Estávamos ali sentados, concentrados num tipo de filosofia que hoje me parece inatingível, quando um rojão pipocou no chão a menos de dois metros. O susto foi enorme. Na janela do carro de luxo parado atrás deparamos o paspalho que havia soltado o rojão nos encarando desafiador. Após os inevitáveis xingamentos, levantamos com peito empinado em direção ao carro. O paspalho nos respondeu com a pergunta "Tomar no cu de quem?" enquanto apontava a pistola para nosso grupo. Rimos nervosos e dispersamos entre comentários do tipo "nada, nada" e "foi brincadeira". Às vezes nem passa por sua cabeça o ódio que sentem de você. Fique atento.

Hoje o Siri Bar é um restaurante elegante de frutos do mar, com preços que seriam impraticáveis para qualquer um do nosso bando na época.

:: 03.01.2012 :: *Alusão à música "Nós", do Barão Vermelho, que poderia ser incidental no contexto

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Nova modalidade

Na minha família tem um cirurgião plástico que se tornou, na região dele, em algo como o rei dos implantes de silicone. Enriqueceu por isso, e como o assunto rende, acabou se tornando em alguns momentos, mesmo sendo discreto, no centro das atenções nas reuniões de família.

O patriarca, por sua vez, é um sujeito vivido e grosso, do alto dos seus oitenta e poucos. Viu muita coisa, viu gente morrer de bala e virgindade ser leiloada em casa de tolerância, e vê safadeza em tudo. Felizmente viu os filhos vingarem homens bem sucedidos, graças a sua energia e à indispensável dedicação da santa mulher com quem casou.

No natal o assunto veio de novo à baila durante a ceia, quando o filho do cirurgião, estudante de medicina, comentou da aberração que era o travesti cujos implantes caseiros de bunda despencaram pela perna e do outro que desejava 500 mililitros de silicone em cada peito. Neste caso, o pai se negou a atender o pedido, mas devido à fortuna oferecida, acabou cedendo.

Um primo falou que travestis deviam investir mais em cortar fora as trombinhas. O estudante, inteirado dos negócios, esclareceu que seria como acabar com o verdadeiro ganha-pão deles — e explicou por que. O patriarca suspirou. Então no fervor do álcool uma tia carola confessou seu espanto, pois não sabia que "esses travestis" (imagine um tom asqueroso) ganhavam tanto. O cirurgião corrigiu, explicou que quem pagava os implantes era o cafetão.

Percebi que o patriarca arregalou os olhos. Passou o resto da festa resmungando para quem quisesse ouvir: "Cafetão de travesti. É o que me faltava. Onde esse mundo vai acabar?"

:: 26.12.2011 ::

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Não é conto, desencana

Acabei de chegar da Editora InVerso, onde fizemos um balanço bem bacana das vendas do livro (a 2ª edição - pocket) depois de um ano. É interessante ver o "filhote" do ponto de vista mercadológico, como ele se saiu, qual foi a receptividade. Algumas informações interessantes:
- Foram vendidas efetivamente 510 unidades (a meta era 1.000)
- Quase metade em ações em bares, restaurantes e teatros
- Nas livrarias e bancas, as pessoas relutam em comprar o livro no formato pocket. Preferem que o livro seja GRANDE, associam tamanho a valor
- Por outro lado, nas ações o "pocket" tem um apelo mais atraente
- Foram distribuídos para imprensa, degustação etc. 238 exemplares; acha muito? não é
- Tem ainda muito livro por aí nas livrarias, fiquem ligados
- Ano que vem faremos mais palestras, workshops e ações de venda
- Esta merda deO blog não vende quase nada

Agora, convenhamos, você que lê o blog e ainda não comprou: QUE FEIO! Só quer saber de usufruir gratuitamente do talento do autor... Vai ali do lado na barra lateral e compre seu exemplar. A propósito, O NATAL TÁ AÍ: compre mais de um de cada! Já pensou que presente bacana?

E preparem-se que ano que vem tem novidade. Arrisca antecipar o que é?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Personagem das corridas de rua

Os organizadores das corridas faziam vista grossa para ele. Cabelo e barba longos e desgrenhados, roupas molambentas, tênis velho e impróprio para longas distâncias e o cheiro que incomodava os outros competidores. Os faladores do circuito arriscavam que ele só participava porque no final da prova tinha lanchinho.

Impressionava o fato de concluir todos os trajetos invariavelmente no pelotão intermediário. Pegava o kit reposição, sentava num canto afastado e comia afoito, gritando repetidamente: "Meu lar é um bufê da esperança!"

:: 29.10.2004 ::

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

MCPmate - Fotógrafa

Ela não é só uma modelo. Ela é uma fotógrafa. E tem paixão pelo que faz. Por isso, leitor (e leitora!), a luz e o enquadramento despertam a atenção. Logo, no seu MCP, ela em cores.