quinta-feira, 5 de junho de 2014
Lançamento do MiniContos Perversos 2 - nosso novo livro #EditoraInVerso
Neste sábado, em Curitiba.
Serão servidos uns vinhotes, que é pra vocês não terem que aguentar sóbrios minha agradável companha. Cheguem cedo antes que eu empacote.
Para quem é habituê deste amado blog, é bom saber que além de uma safra de contos inéditos (guardados especialmente para o MCP2), os já publicados aqui foram retrabalhados para o novo formato. Tenho certeza que vocês vão adorar.
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Editora InVerso,
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O LIVRO,
UTILIDADE PÚBLICA
quarta-feira, 28 de maio de 2014
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Conta a sua que eu conto a minha
Marcelle era menina bonita, universitária, morava com a família, mas alguma coisa nela incitava que no calor da transas com o Zé soltassem o verbo em obscenidades. Como de bobo ela nunca teve nada, foi puxando as fantasias para o lado do ménage à trois (ménage do tipo bom antes que alguém pense besteira).
E como ela só exigiu que a escolhida não poderia ser ex-namorada nem amiga dela, naquela sexta o Zé resolveu colocar a fantasia em prática. Marcelle chegou depois da aula na casa dele, horário de sempre, e foi pro banho, tempo certo da "surpresinha" entrar e sentar na beira da cama (sem avisar dá mais emoção).
Ele deixou a garrafa de vinho ali perto, pois seria preciso quebrar o gelo. Mas nem foi o caso. Marcelle saiu do banheiro de toalha, e foi assim mesmo que, sem dizer palavra, olhou de relance para a escolhida e foi embora. Sem a namorada, a escolhida não teria serventia, ao que o Zé morreu com os noventão e a despachou (sim, sempre um romântico).
Será que Marcelle percebeu fácil assim que debaixo daquele shortinho apertado havia um detalhe extra, que o Zé fez questão, quando da seleção, de medir e ver se não era maior que o dele?
:: 19.05.2014 ::
E como ela só exigiu que a escolhida não poderia ser ex-namorada nem amiga dela, naquela sexta o Zé resolveu colocar a fantasia em prática. Marcelle chegou depois da aula na casa dele, horário de sempre, e foi pro banho, tempo certo da "surpresinha" entrar e sentar na beira da cama (sem avisar dá mais emoção).
Ele deixou a garrafa de vinho ali perto, pois seria preciso quebrar o gelo. Mas nem foi o caso. Marcelle saiu do banheiro de toalha, e foi assim mesmo que, sem dizer palavra, olhou de relance para a escolhida e foi embora. Sem a namorada, a escolhida não teria serventia, ao que o Zé morreu com os noventão e a despachou (sim, sempre um romântico).
Será que Marcelle percebeu fácil assim que debaixo daquele shortinho apertado havia um detalhe extra, que o Zé fez questão, quando da seleção, de medir e ver se não era maior que o dele?
:: 19.05.2014 ::
quarta-feira, 16 de abril de 2014
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
A história do pai que levou o filho brincar de Superomem
O povo diz levou o moleque junto pra destruir de vez a mãe, a porrada
final. Um ato de egoísmo extremo. Penso diferente. Foi um tremendo ato de caridade. Ele poupou o
moleque de passar o resto da vida à sombra do monstro que era o pai. Ou
pior: de se tornar um monstro igual.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Tudo pode terminar bem
A luz matinal me acordou e tive a sensação de uma lâmina atravessada na cabeça. Como percebi o sol que entrava muito forte e alto, estremeci por achar que estivesse atrasado. Então lembrei da grande festa de ontem, que era sábado.
Virei para espreguiçar tranquilo e percebi que não estava sozinho. Sensação sempre desconfortável. Quem será? Por que será?
Abri os olhos com dificuldade e me virei tenso como quem não lembra como terminou a noite. A luz incidia sobre ela valorizando cada traço delicado do rosto. Ela abriu os olhos meio borrados e sorriu. Como alguém pode acordar linda desse jeito?
Segundo momento de desconforto nem um pouco amenizado pela dor e pressão na cabeça. Qual o nome dela? O que fizemos juntos noite a dentro? Mexi o corpo no lençol, percebi que estava nu. E ela? Me abraçou como quem estava ali não porque me queria, nem como quem queria alguma coisa de mim, abraçou simplesmente por estar feliz: “Bom dia, lindo!”
Cabelos longos e alinhados, pele macia, olhos brilhantes, calcinha pequena de algodão, os seios apontados roçando meu peito. Sensações agradáveis que me fizeram esquecer um pouco a ressaca. Admirei aquele momento como quem, perdido em dívidas, sorve um objeto do desejo inalcançável. Eu tinha dúvidas, e algumas dívidas, mas que deixaram de importar.
:: 08.01.2014 ::
Virei para espreguiçar tranquilo e percebi que não estava sozinho. Sensação sempre desconfortável. Quem será? Por que será?
Abri os olhos com dificuldade e me virei tenso como quem não lembra como terminou a noite. A luz incidia sobre ela valorizando cada traço delicado do rosto. Ela abriu os olhos meio borrados e sorriu. Como alguém pode acordar linda desse jeito?
Segundo momento de desconforto nem um pouco amenizado pela dor e pressão na cabeça. Qual o nome dela? O que fizemos juntos noite a dentro? Mexi o corpo no lençol, percebi que estava nu. E ela? Me abraçou como quem estava ali não porque me queria, nem como quem queria alguma coisa de mim, abraçou simplesmente por estar feliz: “Bom dia, lindo!”
Cabelos longos e alinhados, pele macia, olhos brilhantes, calcinha pequena de algodão, os seios apontados roçando meu peito. Sensações agradáveis que me fizeram esquecer um pouco a ressaca. Admirei aquele momento como quem, perdido em dívidas, sorve um objeto do desejo inalcançável. Eu tinha dúvidas, e algumas dívidas, mas que deixaram de importar.
:: 08.01.2014 ::
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Nunca aconteceu comigo (versão para o leitor comum)
O Zé conheceu a eleita na noite de sexta, barzão escuro, todo mundo excessivamente biritado. Acordou no apartamento dela, se despediu todo romântico na cama. Não lembrava bem como rolou, mas sabia que tinha rolado.
Trocaram mensagens no decorrer da manhã, combinaram de almoçar. Antes de sair tomou banho, se perfumou e me ligou para pagar um sapo: Não quis sair ontem, né, bunda mole. Fui no Birinights e conheci uma gata meio gótica. Fodemos a noite toda. Agora vou almoçar com ela. Vai ser uma feijuca romântica.
Eu estava enrolado mesmo. E nunca fui fã da fauna daquele boteco.
Quando o telefone tocou de novo antes de eu terminar minha sobremesa de sábado (sagrada), pensei que seria o Zé reforçando a esculhambada. Era ele sim: Cara do céu, passei na casa da menina. Quando abriu a porta achei que era alguém que morava com ela. Cheguei a perguntar por ela. Aliás, não tinha nada de menina, nem de gata. Eu devia estar ainda bem bêbado quando acordei. Imagina meu estado no boteco... E como desconversar depois de umas cinquenta mensagens românticas e de combinar o almoço? Fiz o que você ensinou. Corri para o banheiro, forcei uma vomitada e disse que ia para o posto de saúde.
:: 08.01.2014 :: Isso de "versão" está melhor explicado aqui.
Trocaram mensagens no decorrer da manhã, combinaram de almoçar. Antes de sair tomou banho, se perfumou e me ligou para pagar um sapo: Não quis sair ontem, né, bunda mole. Fui no Birinights e conheci uma gata meio gótica. Fodemos a noite toda. Agora vou almoçar com ela. Vai ser uma feijuca romântica.
Eu estava enrolado mesmo. E nunca fui fã da fauna daquele boteco.
Quando o telefone tocou de novo antes de eu terminar minha sobremesa de sábado (sagrada), pensei que seria o Zé reforçando a esculhambada. Era ele sim: Cara do céu, passei na casa da menina. Quando abriu a porta achei que era alguém que morava com ela. Cheguei a perguntar por ela. Aliás, não tinha nada de menina, nem de gata. Eu devia estar ainda bem bêbado quando acordei. Imagina meu estado no boteco... E como desconversar depois de umas cinquenta mensagens românticas e de combinar o almoço? Fiz o que você ensinou. Corri para o banheiro, forcei uma vomitada e disse que ia para o posto de saúde.
:: 08.01.2014 :: Isso de "versão" está melhor explicado aqui.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Nunca aconteceu comigo (versão para leitores experts em minicontos)
Este é o conto cafa prometido no Facebook. Vamos publicá-lo em duas versões para vocês darem seus pareceres. Esta primeira, mais radical, enxuta, voltada a leitores acostumados a minicontos. A segunda, convencional. Queremos a opinião de vocês sobre as diferenças e a viabilidade desta versão.
:: 08.01.2014 ::
Ligação 1- Não quis sair ontem, né,
bunda mole. Fui no Birinights e conheci uma gata meio gótica. Fodemos a noite
toda. Fui embora de manhã. Agora vou almoçar com ela. Vai ser uma feijuca
romântica.
Ligação 2 - Cara do céu, passei na
casa da menina. Quando abriu a porta achei que era alguém que morava com ela. Cheguei
a perguntar por ela. Aliás, não tinha nada de menina, nem de gata. Eu devia
estar ainda bem bêbado quando acordei e me despedi. Imagina meu estado no
boteco... E como desconversar depois de umas cinquenta mensagens românticas e
de combinar o almoço? Fiz o que você ensinou. Corri para o banheiro, forcei uma
vomitada e disse que ia para o posto de saúde.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
O natal “emochocrível” de Salete
Salete era consumista, e para azar do namorido dela, ganhava pouco. Mas isso não era problema para ele, homem rico. E casado. Não com Salete.
Era perto do fim do ano quando a salafrária topou fazer uma festinha com o namorido e uma amiga. Ganhou um presentão de Natal. Ele a levou numa concessionária e deixou que escolhesse: “Gosto de carro pequeno, que cabe em qualquer buraquinho. Quem tem que ter traseira grande sou eu”. E uns baitas airbags tinha a safada. Como boa perdulária, escolheu um compacto sim, mas completo, e ainda recheou de acessórios.
Ficou feliz da vida com o “Arnaldinho”, como batizou o carro. E como a mobilidade ajudou na vida de Salete. Atravessava a cidade em minutos, não se atrasada mais para os compromissos. E não dependia mais de táxi para levar a sacolaiada de compras do shopping para casa.
E como tinha ganhado o carro, resolveu recompensar o mundo ao redor (e não agradecer a deus, de quem se dizia crente o tempo todo). Foi no shopping e comprou presente para a família toda, para as amigas, para o namorido e arriscou até um presentinho para o filho adolescente dele.
Salete foi juntando sacolas e sacolas e apinhando no carro. Na terceira remessa percebeu que não cabia mais nada. Então, fazer o que? Primeiro, mandou mensagem para o namorido, que não pôde acudi-la por estar num compromisso com a esposa. Salete estava desolada, não sabia o que fazer. Foi então que teve uma ideia genial: chamou um táxi. E antes de partir em caravana para casa, ainda comprou mais uma remessinha de presentes, agora os dela. Cartão do namorido, óbvio!
Chegou em casa, vestiu uma lingerie maravilhosa e romântica que comprou, subiu nas sandálias de saltos altíssimos, colocou touquinha de papai noel e fez fotos no espelho. Mandou para o namorido (provocar) e para o ex-namorado-e-ainda-amigo-colorido (convidar).
Natal é época de dar. Talvez por isso Salete sempre foi uma entusiasta da efeméride. Ela amava o natal, a família, o namorido e tinha uma bunda maravilhosa.
:: 09.10.2013 ::
Era perto do fim do ano quando a salafrária topou fazer uma festinha com o namorido e uma amiga. Ganhou um presentão de Natal. Ele a levou numa concessionária e deixou que escolhesse: “Gosto de carro pequeno, que cabe em qualquer buraquinho. Quem tem que ter traseira grande sou eu”. E uns baitas airbags tinha a safada. Como boa perdulária, escolheu um compacto sim, mas completo, e ainda recheou de acessórios.
Ficou feliz da vida com o “Arnaldinho”, como batizou o carro. E como a mobilidade ajudou na vida de Salete. Atravessava a cidade em minutos, não se atrasada mais para os compromissos. E não dependia mais de táxi para levar a sacolaiada de compras do shopping para casa.
E como tinha ganhado o carro, resolveu recompensar o mundo ao redor (e não agradecer a deus, de quem se dizia crente o tempo todo). Foi no shopping e comprou presente para a família toda, para as amigas, para o namorido e arriscou até um presentinho para o filho adolescente dele.
Salete foi juntando sacolas e sacolas e apinhando no carro. Na terceira remessa percebeu que não cabia mais nada. Então, fazer o que? Primeiro, mandou mensagem para o namorido, que não pôde acudi-la por estar num compromisso com a esposa. Salete estava desolada, não sabia o que fazer. Foi então que teve uma ideia genial: chamou um táxi. E antes de partir em caravana para casa, ainda comprou mais uma remessinha de presentes, agora os dela. Cartão do namorido, óbvio!
Chegou em casa, vestiu uma lingerie maravilhosa e romântica que comprou, subiu nas sandálias de saltos altíssimos, colocou touquinha de papai noel e fez fotos no espelho. Mandou para o namorido (provocar) e para o ex-namorado-e-ainda-amigo-colorido (convidar).
Natal é época de dar. Talvez por isso Salete sempre foi uma entusiasta da efeméride. Ela amava o natal, a família, o namorido e tinha uma bunda maravilhosa.
:: 09.10.2013 ::
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Corredor Polonês
Uma brincadeira que existia nas escolas em que estudei, durante
praticamente todo ensino fundamental. Não tinha regras, líder, tampouco
cronômetro. Nunca soube quem inventou.
Começava sem aviso. Um pequeno grupo se posicionava ao redor de uma passagem qualquer: um corredor, a entrada de uma sala, um canto do pátio. Ficavam ali com cara de paisagem, sem dizer ou fazer nada. Então outros, sem convite (olhares cúmplices valem como convite?) posicionavam-se ao lado, até uns 12 a 16 formarem um corredor. A partir dali, cessava todo o tráfego no local. Porque o Corredor Polonês estava formado. Quem passasse tomaria uma série de bordoadas dos que formavam o corredor, com o que tivessem a mão, a pasta, uma blusa enrolada, pés, tapas, enfim...
Então um corajoso pegava embalo e atravessava a toda velocidade se defendendo como podia. E chegava vitorioso do outro lado, passando a fazer parte do corredor. Na sequência outros tomavam coragem e atravessavam.
A coisa ia assim, brincadeira civilizada, até o momento em que tudo virava baderna (estapeamento geral) ou um inspetor aparecia. Aí o corredor se dissipava e a molecada voltava a seus afazeres.
Tem gente que acha que as crianças de hoje, com seus videogames, imersas num mundo politicamente correto, é que se divertem.
Em tempo: meninas bonitas e/ou de desenvolvimento precoce eram imunes ao corredor.
Começava sem aviso. Um pequeno grupo se posicionava ao redor de uma passagem qualquer: um corredor, a entrada de uma sala, um canto do pátio. Ficavam ali com cara de paisagem, sem dizer ou fazer nada. Então outros, sem convite (olhares cúmplices valem como convite?) posicionavam-se ao lado, até uns 12 a 16 formarem um corredor. A partir dali, cessava todo o tráfego no local. Porque o Corredor Polonês estava formado. Quem passasse tomaria uma série de bordoadas dos que formavam o corredor, com o que tivessem a mão, a pasta, uma blusa enrolada, pés, tapas, enfim...
Então um corajoso pegava embalo e atravessava a toda velocidade se defendendo como podia. E chegava vitorioso do outro lado, passando a fazer parte do corredor. Na sequência outros tomavam coragem e atravessavam.
A coisa ia assim, brincadeira civilizada, até o momento em que tudo virava baderna (estapeamento geral) ou um inspetor aparecia. Aí o corredor se dissipava e a molecada voltava a seus afazeres.
Tem gente que acha que as crianças de hoje, com seus videogames, imersas num mundo politicamente correto, é que se divertem.
Em tempo: meninas bonitas e/ou de desenvolvimento precoce eram imunes ao corredor.
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