A cidade era pequena que Sandra quase não cabia nela. Espírita dissimulada, dona de casa de formas esculturais domadas por Leonel, evangélico convertedor, cabo da PM, ciumento. Só deixava a mulher sair aos domingos comportada na grupa da Barra Forte, Novo Testamento embaixo do braço. Comportada exceto pelo vestido vermelho que era a única coisa de que não abria mão. O vermelho e o salto alto eram como um ruído na igrejinha pentecostal que frequentavam. Depois do culto passeavam apaixonados pela praça.
Num passeio típico desses entraram no açougue e algo estremeceu dentro dela, caiu numa espécie de transe. “Pode ser a Pomba Gira”, disseram. “Também ela vive de vermelho, junta isso com cheiro de carne, é encosto certo.” A cidade ficou comovida com o acontecido.
Um mês passou e estranhamente tudo se arrumou. Sandra voltou ao seu jeito vivaz de ser. Dias depois a tragédia. Numa manhã calorenta foram encontrados os corpos do açougueiro e de Sandra no motelzito da beira estrada. Nus, unidos e amparados por uma faixa vermelha, salpicados de cachaça e penas pretas. Uma vela introduzida na disjuntora, um charuto introduzido no varão. Como Leonel estava na capital, o pastor foi o primeiro a chegar.
:: 23.01.2013 ::
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Ilibada
Trabalho como acompanhante. Acompanhante mesmo, nunca me prostituí. Para você entender melhor, na casa onde trabalho somos como recepcionistas, os clientes pagam só pela companhia, para conversar, e também recebo comissão pelas bebidas que eles consomem. Você não imagina o mundo de solitários que tem por aí. Também ganho presentes caros por causa da minha simpatia, já ganhei até um carro usado. Mas como eu disse, sempre me comportei.
O fato de eu trabalhar com isso nunca incomodou meu marido, pra você ver. A ideia é que a relação com os clientes fique só na fantasia, mas desde que conheci você tenho me saído uma safada. Vivo imaginando uma traição no estilo dois deles me possuindo ao mesmo tempo. Antes, quando um cliente tocava em mim eu fazia cara feia e me afastava. Hoje abro as pernas. Até no ginecologista vou depilada, imagino que ele vai gostar de olhar. Foi você que fez esse buraco na minha moral.
:: 13.06.2003 ::
O fato de eu trabalhar com isso nunca incomodou meu marido, pra você ver. A ideia é que a relação com os clientes fique só na fantasia, mas desde que conheci você tenho me saído uma safada. Vivo imaginando uma traição no estilo dois deles me possuindo ao mesmo tempo. Antes, quando um cliente tocava em mim eu fazia cara feia e me afastava. Hoje abro as pernas. Até no ginecologista vou depilada, imagino que ele vai gostar de olhar. Foi você que fez esse buraco na minha moral.
:: 13.06.2003 ::
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Mulheres lindas também cagam
Fui ao cinema mas quase dormi, entediada, queria outra coisa. Falo do meu desejo, ando com a libido à flor da pele. Em público tento capturar algum olhar que procure o mesmo que o meu, mas o mundo parece que está em coma.
Talvez eu ainda não saiba como fazer. Como se meus olhos estivessem embaçados por um filtro do instagram. Queria fazer como as putas de antigamente, que cravavam os cotovelos na janela aplicando “o olhar” aos passantes. Escolhiam, atraíam, em segundos.
Sinto calor, sinto fome, mas nada se compara ao tesão. Recebo propostas dos apaixonados que dispenso, dos amigos que evito, dos homens das amigas (estes, desejo; autossabotagem?). Minúcias diferenciam, no fio da navalha, quem é para eu ser: amiga ou amante ou namorada.
Tão perfeita, linda e completa, uma mulher do mundo. Fui condenada a não ser de ninguém. Enquanto na essência toda mulher quer um homem, um dono, um objeto da paixão... o verbo amar não conjugo nem para mim.
:: 30.11.2012 ::
Talvez eu ainda não saiba como fazer. Como se meus olhos estivessem embaçados por um filtro do instagram. Queria fazer como as putas de antigamente, que cravavam os cotovelos na janela aplicando “o olhar” aos passantes. Escolhiam, atraíam, em segundos.
Sinto calor, sinto fome, mas nada se compara ao tesão. Recebo propostas dos apaixonados que dispenso, dos amigos que evito, dos homens das amigas (estes, desejo; autossabotagem?). Minúcias diferenciam, no fio da navalha, quem é para eu ser: amiga ou amante ou namorada.
Tão perfeita, linda e completa, uma mulher do mundo. Fui condenada a não ser de ninguém. Enquanto na essência toda mulher quer um homem, um dono, um objeto da paixão... o verbo amar não conjugo nem para mim.
:: 30.11.2012 ::
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Os fins justificam
Ouvi hoje o caso de uma moça que saiu com um médico respeitado na cidade. Jantaram chique e depois foram na casa dele tomar um vinhozinho. Mal chegaram e o doido saiu correndo atrás dela com a calça arriada. Ela fugiu circulando em torno da mesa, se assustou e correu do lugar esbaforida antes que ele a pegasse. O tipo que exagera na bebida e perde o controle. Dias depois, saiu com ele de novo, afinal ele é médico.
:: 19.11.2012 :: Historinha contada pela diva Helô Gellhorn
:: 19.11.2012 :: Historinha contada pela diva Helô Gellhorn
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Confissão avessa
Vocês podem achar estranho ou até duvidar, mas teve uma época que resolvi sair por aí pelas ruas salvando pessoas. E o que me afastou dessa lida de super-herói é que inúmeras vezes os que estavam sendo salvos é que me afastavam. Sem querer eu causava ojeriza neles. Descobri que na essência o ser humano quer se salvar sozinho. Aqueles autônomos, que pensam, claro.
Larguei a capa e a máscara e fui cuidar da minha libido, que dói bem mais em mim que a dor do mundo.
:: 05.11.2012 ::
Larguei a capa e a máscara e fui cuidar da minha libido, que dói bem mais em mim que a dor do mundo.
:: 05.11.2012 ::
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Então ela se apropriou de mim
Orgia, hoje és minha inimiga
Os sofrimentos me obrigam
A me afastar de você
Adeus, violão, amigo leal
Estes versos que eu fiz
Devem ser a rima final
(Angenor de Oliveira, o Cartola)
Era uma vez uma velha. A velha mania que eu tinha de esquecer de disfarçar nos momentos em que esconder a embriaguez é questão de sobrevivência. O dia estava claro quando saí do bar aos fundos da Praça do Homem Nu, para ser mais exato, quando me expulsaram de lá. Ficou evidente que tinha acabado meu dinheiro, e o Laércio, que fechava o turno da noite, aprendeu a me cobrar adiantado nessas horas. Torcia para que ele morresse atropelado e colocassem outro, inexperiente, no lugar.
Convenci o motorista do ônibus parado no ponto inicial que eu tinha sido assaltado. Entrei pela porta de trás. Não ia aguentar andar até em casa, o sol começava a atravessar a espessa neblina do amanhecer ensolarado do inverno curitibano. Deus, como faz falta óculos escuros nessas horas.
Desci no Terminal de Santa Felicidade, mas já na passagem vi a filial da “Igreja Global da Monarquia de Deus” que tem ao lado. Os malditos escolhem bem onde colocar os templos. Desci e fui direto à igreja. Estranhei o ambiente espartano e frio. Havia algumas pessoas por ali. Dirigi-me a um homem de terno que conversava com algumas mulheres perto do púlpito, imaginei serem fiéis. Interrompi a conversa: "Com quem eu faço um orçamento para tirar o diabo do meu corpo?"
As mulheres me olharam aterrorizadas, mas senti benevolência no engravatado. Seria o pastor? Seria mesmo ele um homem santo?
Digamos que eu não estava com o melhor dos semblantes, completava quase vinte e quatro horas bebendo, sem banho e quase sem comer. As mulheres se afastaram e ele se apresentou como pastor Jamir e explicou que era um cristão evangélico neopentecostal, que as pessoas não eram obrigadas a fazer contribuições, que faziam de boa vontade porque sempre recebiam de volta em graças. Explicou também que o dia do desencosto era nas quartas.
Perguntei se eles não precisavam de um músico para animar as missas. “Porque todo meu dinheiro foi roubado. Pelo diabo.” Não era exatamente uma mentira.
O pastor Jamir esclareceu que já havia obreiros suficientes naquele templo, mas que novos fiéis como eu seriam sempre bem-vindos. Segundo ele, bastava eu frequentar os cultos que as coisas iriam melhorar.
Fui para casa e pensei muito, até a ressaca passar. E chorei. Em casa só havia pão. O pão que o diabo amassou. Comi com azeite e chá. Dormi cerca de quinze horas. Acordei no dia seguinte, peguei meu violão Takamine e caminhei até a região do Cefet. Lá empenhei meu nobre companheiro de boemia pela metade do preço que valia. Peguei um táxi até o templo do pastor Jamir.
Entrei na igreja, estava com metade das cadeiras ocupadas — ou vazias, depende do ponto de vista. As pessoas cantavam em euforia, devia ser o ponto alto do culto. Os músicos eram da pior categoria. Música precisa de sentimento autêntico. Sentei isolado perto da porta e observei. Nada daquilo me compelia a participar.
Da mesma maneira, na mesma postura incrédula, assisti a diversos cultos, dias a fio. Para ser mais preciso, assisti a exatos 32 cultos. Sempre conduzidos pelo pastor Jamir.
No 33º, terminado o culto, permaneci em meu lugar até todos levantarem, falarem entre si e com o pastor, até todos irem embora, inclusive os músicos. O pastor percebeu minha presença. Aliás, percebia desde que comecei a frequentar a igreja. Ficamos no templo só ele e eu. Ele no altar, eu na cadeira afastada. Começamos a nos encarar. Alguém teria que ceder.
Acho que o homem se identificava tanto comigo que não aguentou e veio em minha direção: "Ainda quer tirar o diabo do corpo?"
"Quero, mas quero pagar pelo feito. Não preciso de ligação espiritual com esta fábrica de extorquir dinheiro de gente humilde. Quanto custa?"
"Me vejo muito em você, já fui assim, rebelde. Às vezes tenho dúvida se os demônios me abandonaram, se sou mesmo abençoado. Só que para fazer o que faço aqui, todo dia, eu tenho que fazer força para acreditar, senão enlouqueço. Ou me matam", falou com muita seriedade ao se dirigir à porta e trancar por dentro.
Será que ele percebeu por baixo da minha barba nossa impressionante semelhança física? Foi isso que quis dizer com "Me vejo muito em você"? O fato é que o pastor Jamir sentou ao meu lado e despejou confissões, do passado, do presente, do homossexualismo contido. Colocou a mão em minha perna e me olhou pela primeira vez sem complacência. Era um olhar pederasta.
Não foi o olhar que me impeliu ao gesto violento. Eu só pensei que não poderia haver sangue nem barulho que chamasse a atenção, e pensei no zoológico humano que tudo aquilo representava. Foi o golpe certeiro de uma besta canina direto no pescoço. Ele não esboçou reação, e antes que tentasse recobrar os sentidos estrangulei, com muita força, uma força que eu não sabia que tinha. Apertei até sentir a cartilagem estilhaçando entre meus dedos.
Passados meses, lembro daquilo que ouvi repetidamente na escola, na minha família, das minhas mulheres. Sempre disseram que destruo aquilo que não posso ter. Ora, essa impressão que tinham de mim tem a ver simplesmente com meu jeito de viver com autenticidade. Desta vez fiz o contrário. Acrescentei um elemento novo à minha existência: a vida dupla.
Continuo passando diariamente pelo Terminal de Santa Felicidade, mas agora num carro confortável. Vivo de cara limpa (estou falando da barba, do cabelo, das roupas) numa casa confortável. Só mantenho alugado o moquifo em que eu vivia antes por precaução. Tenho acima de tudo minha horda de seguidores, e com eles levo a um nível epifânico a hipocrisia. Minha igreja particular. Não preciso dos bares, tenho um muito bem abastecido na minha sala, onde me sacio diariamente, diletantemente. Não quero saber de conversa pseudofilosófica de fim de noite. Abri mão do desejo vicioso em prostitutas, já que posso selecionar a dedo as fiéis que levo para minha casa, e levo muitas, solteiras, viúvas, casadas, e com elas devo ter procriado de um jeito que nem imagino, pois bacantes crentes não se atrevem a intimidar um homem santo.
Quem diria que eu jamais abriria mão do meu romantismo destrutivo? Hoje sou um homem santo. Eu só fiz abandonar minha identidade.
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Não, não se trata de um MCP, mas de um conto dos grandes que inscrevemos de última hora, neste 2012, no V Concurso Servir com Arte. Recebemos nesta data a seguinte mensagem: "A Secretaria de Administração e da Previdência através da Escola de Governo e da Comissão Organizadora do V Concurso Servir com Arte 2012 tem a satisfação de lhe comunicar sua premiação na categoria Conto com Menção Honrosa ENTÃO ELA SE APROPRIOU DE MIM. O evento de premiação será realizado dia 29 de Novembro às 19:00h na Biblioteca Pública. Parabéns!" Será que polemizamos demais pra levar o ouro?
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Lugarejo (ou história de terror que Hollywood nunca filmou)
Num lugarejo de trinta e poucas famílias perdidas no meio do mato, ou do nada, como você preferir, a velha coloca uma ponta de galho no fogão a lenha e conta como aconteceu. Era uma moça linda, que nasceu pros lados de cima. A velha reforçou que morava pros lados de baixo, como quem diz eu só sei, não sou eu não moço.
Mas era muito linda mesmo, todo mundo olhava e dizia é um anjo. Até o pessoal da cidade que às vezes aparecia elogiava que ela poderia ser miss. Um dia a moça linda conheceu um rapaz da cidade, e era um tal de andarem juntos pra tudo que é canto que a mãe soltou a verdade sem rodeios: o moço é teu irmão. Desgrudaram como tinha que ser, ele foi embora, mas deixou barriga nela.
Mal nasceu o bebê e a moça linda enfiou-lhe um garfo na goela. Morreu engasgando sangue. O pai enlouqueceu e começou a procurar a filha linda que era dele. A mãe morreu de desgosto. A filha foi dormir com o pai, teve um filho que o pai mesmo fez o parto e enterrou no quintal. No dia seguinte o cachorro andava pra lá e pra cá com o bebê morto na boca. O pai então fez outro filho na filha, e depois de muitos anos fez filho na neta.
:: 25.10.2012 :: história contata por uma... velha
Mas era muito linda mesmo, todo mundo olhava e dizia é um anjo. Até o pessoal da cidade que às vezes aparecia elogiava que ela poderia ser miss. Um dia a moça linda conheceu um rapaz da cidade, e era um tal de andarem juntos pra tudo que é canto que a mãe soltou a verdade sem rodeios: o moço é teu irmão. Desgrudaram como tinha que ser, ele foi embora, mas deixou barriga nela.
Mal nasceu o bebê e a moça linda enfiou-lhe um garfo na goela. Morreu engasgando sangue. O pai enlouqueceu e começou a procurar a filha linda que era dele. A mãe morreu de desgosto. A filha foi dormir com o pai, teve um filho que o pai mesmo fez o parto e enterrou no quintal. No dia seguinte o cachorro andava pra lá e pra cá com o bebê morto na boca. O pai então fez outro filho na filha, e depois de muitos anos fez filho na neta.
:: 25.10.2012 :: história contata por uma... velha
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Escambo
Botequim de beira de estrada. Eu na mesinha de fora esperando o tempo e o calor passarem. Pensava em dormir relaxado logo depois, e tocar viagem dia seguinte bem cedo. A conversa lá dentro chamou a atenção.
O Sebastião, de meia idade pra mais, engravidou a esposa fogosa, mas pegou nojo de ter com ela grávida. Mal encostava na mulher. Pediu para o amigo Uilso "cuidar" dela durante esse tempo, porque faltar à obrigação acabaria por transformá-la num cramulhão ensandecido. “Eu arrupio só ni pensar”, desabafou.
Passadas umas pingas, o Sebastião começou a negociar com o Uilso pra pegar a mulher dele na troca. Uilso, mais jovem e varonil, retrucou que daria conta das duas, que o amigo fosse procurar uma puta.
O problema é que a mulher do Sebastião era brava e não gostava de puta, não deixaria ele ir com uma qualquer. E claramente ela é que comandava o show, liderança herdada do medo que os outros tinham de enfrentar a febre dos "ormoni". A mulher do Uilso, tadinha, não sabia ainda do acordado.
:: 21.09.2012 :: Doce historinha contada pela incrível Lu
O Sebastião, de meia idade pra mais, engravidou a esposa fogosa, mas pegou nojo de ter com ela grávida. Mal encostava na mulher. Pediu para o amigo Uilso "cuidar" dela durante esse tempo, porque faltar à obrigação acabaria por transformá-la num cramulhão ensandecido. “Eu arrupio só ni pensar”, desabafou.
Passadas umas pingas, o Sebastião começou a negociar com o Uilso pra pegar a mulher dele na troca. Uilso, mais jovem e varonil, retrucou que daria conta das duas, que o amigo fosse procurar uma puta.
O problema é que a mulher do Sebastião era brava e não gostava de puta, não deixaria ele ir com uma qualquer. E claramente ela é que comandava o show, liderança herdada do medo que os outros tinham de enfrentar a febre dos "ormoni". A mulher do Uilso, tadinha, não sabia ainda do acordado.
:: 21.09.2012 :: Doce historinha contada pela incrível Lu
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Das diversas formas de tornar o filho um macho
O cortiço no fim da rua rendia histórias divertidas para animar as conversas da vizinhança. Eram algumas casinhas germinadas, improvisadas, e, nelas, gerações de famílias amontoavam-se em poucos cômodos. Difícil dizer se a criança era filho, irmão ou neto de alguém. Entre elas tinha o Leozinho, moleque grudento que era o terror quando entrava em casa para brincar. Falava demais, contava vantagem, fuçava em tudo... e a situação se agravou.
A mãe do Leozinho era uma gorda impetuosa, que visivelmente se impingia sensualidade. A ascensão da classe D (bolsa família, bolsa gás, defeso etc.) premiou-os com um aparelho de DVD. Ela então teve a grande ideia de passar filmes pornôs para o filho assistir, desde os dois anos. O pior é que alardeava entre os pares que “assim ele aprende e vira macho”.
Até o dia em que a turminha da rua (os do cortiço e os demais) se enfurnou numa garagem e resolveu brincar de médico ou coisa parecida, e o Leozinho tascou uma dentada no bingolim de outro moleque. De tirar sangue. Necessário explicar o que causou a dentada?
Do posto de saúde (foram só uns pontinhos e um trauma indelével) a mãe do "mordido" foi direto à delegacia dar queixa. A Justa acareou os envolvidos e achou por bem contemporizar.
Dias depois, tudo voltou ao normal na rua, menos as sessões de pornô, pois a mãe desnaturada tomou uma descompostura do delegado e o fato de a presença do Leozinho gerar certo alvoroço e passar a ser monitorada de perto pelas famílias.
:: 13.09.2012 ::
A mãe do Leozinho era uma gorda impetuosa, que visivelmente se impingia sensualidade. A ascensão da classe D (bolsa família, bolsa gás, defeso etc.) premiou-os com um aparelho de DVD. Ela então teve a grande ideia de passar filmes pornôs para o filho assistir, desde os dois anos. O pior é que alardeava entre os pares que “assim ele aprende e vira macho”.
Até o dia em que a turminha da rua (os do cortiço e os demais) se enfurnou numa garagem e resolveu brincar de médico ou coisa parecida, e o Leozinho tascou uma dentada no bingolim de outro moleque. De tirar sangue. Necessário explicar o que causou a dentada?
Do posto de saúde (foram só uns pontinhos e um trauma indelével) a mãe do "mordido" foi direto à delegacia dar queixa. A Justa acareou os envolvidos e achou por bem contemporizar.
Dias depois, tudo voltou ao normal na rua, menos as sessões de pornô, pois a mãe desnaturada tomou uma descompostura do delegado e o fato de a presença do Leozinho gerar certo alvoroço e passar a ser monitorada de perto pelas famílias.
:: 13.09.2012 ::
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Alopatia no tratamento do alcoolismo - Caso 2
O OUTRO LADO DA MOEDA - Um camarada encontrou o Armando na Praça Santos Andrade e, como médico nenhum consegue evitar, partiu para uma consulta informal:
“Você sabe que eu só bebo em casa, né? Diminuí quase totalmente as botequeadas.”
“É, em casa a gente acaba até bebendo menos.”
“Não é bem o meu caso. Mas sabe que acho que peguei uma alergia à cerveja daqui? Deve ser coisa da água.”
“Como assim?”
“É eu tomar umas cervejas e me dá um vermelhão, me sinto mal, formiga tudo. Como se desse ressaca na hora. Fico ruim de despencar na cama.”
“Ah, isso é sensibilidade a álcool. Pode aparecer com a idade. Não tem nada a ver com bebida da região.”
“Que nada. Dia desses fui num futebol com os amigos num sítio perto de Joinville. Depois rolou churrasco, e aí você sabe. Tomei caipira, pinga, uma cervejinha... primeiro com certo receio, e como não deu nenhum ruim, entornei o caldo. A bebida daqui é que me faz mal.”
O Armando achou melhor o amigo descobrir sozinho o estratagema.
Registre-se que o namoro do Zé com o projeto de rádio patroa não vingou.
:: 15.08.2012 ::
“Você sabe que eu só bebo em casa, né? Diminuí quase totalmente as botequeadas.”
“É, em casa a gente acaba até bebendo menos.”
“Não é bem o meu caso. Mas sabe que acho que peguei uma alergia à cerveja daqui? Deve ser coisa da água.”
“Como assim?”
“É eu tomar umas cervejas e me dá um vermelhão, me sinto mal, formiga tudo. Como se desse ressaca na hora. Fico ruim de despencar na cama.”
“Ah, isso é sensibilidade a álcool. Pode aparecer com a idade. Não tem nada a ver com bebida da região.”
“Que nada. Dia desses fui num futebol com os amigos num sítio perto de Joinville. Depois rolou churrasco, e aí você sabe. Tomei caipira, pinga, uma cervejinha... primeiro com certo receio, e como não deu nenhum ruim, entornei o caldo. A bebida daqui é que me faz mal.”
O Armando achou melhor o amigo descobrir sozinho o estratagema.
Registre-se que o namoro do Zé com o projeto de rádio patroa não vingou.
:: 15.08.2012 ::
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