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quinta-feira, 13 de agosto de 2015
50 tons de gasolina
Gostava da companhia, dos presentes e das coisas que ela pagava, motéis caros, substâncias recreativas, "amigas" que ela levava junto... Gostava também de dirigir a SUV japonesa enorme da japonesa. Do ano. Quando passava todo mundo olhava.
Não era bonita, mas a conversa era sublime. Só que a bebida e as substâncias permitiam que a coisa rolasse, por mais que evitasse. [“Se me ver grudado com mulher feia, aparta que é briga”]
Conversas boas e submissão de gueixa (massagens, banhos, entretenimento culto) valiam muito a companhia. Um dia pensou numa solução pra não comer: antes de sair, batia uma.
Mas teve um dia que ela chamou de surpresa, não deu tempo, e quando reparou, no motel, que ia rolar, começou a bater uma na frente dela assistindo ao pornozão que passava no telão. Mas com ela olhando não vinha, então batia bem rápido. "Parece um macaquinho punheteiro", ela disse.
Fácil se acostumar com essa rotina destrutiva e pra lá de divertida. Um dia o marido descobriu passou a acorrentá-la em casa quando viajava (literalmente). A festa acabou e deixou um vazio. Descia uma lágrima discreta toda vez que via uma SUV japonesa daquelas que quando passam a gente olha pra cima.
:: 23.07.2015 :: Originalmente lançado na edição 50 da revista Sobre Rodas (em homenagem).
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Traído pela memória
Como era o nome daquela empregada que tinha na sua casa, uma preta retinta robusta que veio de Pato Branco com a sua família e fazia suco de laranja e batata frita toda vez que você pedia? Aquela que emprestou dinheiro para você comprar remédio quando pegou clamídia lá no puteiro da Sapataria São Sebastião receitado pelo pai daquele nosso colega do Colégio Positivo... Cara, daquela vez você se safou, hein? Mas como era mesmo o nome dela? Começava com a letra D, e na hora que eu lembrar isso aqui perde todo sentido. Será que está viva ainda?
:: 09.02.2013 ::
:: 09.02.2013 ::
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Urbana a brejeira em 150 metros e umas caipirinhas
Corre. Mas corre bem rápido que vou alcançar.
Mas eu tô lesada... Você me deu caipirinha, e feijoada eu não resisto!
Se você chegar no mato antes de mim eu perdoo. Mas corre!
Tem sol forte, vou ficar suada. Não quero ficar suada.
Suada e molhada é melhor, desliza mais fácil. Te dou vantagem. Chega no mato antes de mim que você tá salva. Mas corre muito que se eu alcançar te faço na grama.
* * *
Ela correu o que podia mas ele alcançou. Fez tudo que era proibido, ainda parou algumas vezes para fotografar. Acabou, levantou e deixou-a refestelada na grama alta. Quando fechava a porta do carro ela chegou esbaforida. Correu muito mais pra não perder a carona do que antes.
:: 22.05.2012 :: Homenagem ao premiado D. Trevis
Mas eu tô lesada... Você me deu caipirinha, e feijoada eu não resisto!
Se você chegar no mato antes de mim eu perdoo. Mas corre!
Tem sol forte, vou ficar suada. Não quero ficar suada.
Suada e molhada é melhor, desliza mais fácil. Te dou vantagem. Chega no mato antes de mim que você tá salva. Mas corre muito que se eu alcançar te faço na grama.
* * *
Ela correu o que podia mas ele alcançou. Fez tudo que era proibido, ainda parou algumas vezes para fotografar. Acabou, levantou e deixou-a refestelada na grama alta. Quando fechava a porta do carro ela chegou esbaforida. Correu muito mais pra não perder a carona do que antes.
:: 22.05.2012 :: Homenagem ao premiado D. Trevis
terça-feira, 27 de março de 2012
A ré assassina do Polaco - mais ou menos assim
Foto de Miriam C. de Souza.
A brasília só andava abastecida de álcool. Mais precisamente: o motorista abastecido. Nunca atropelou ninguém, embora em certas noites de fuzarca atravessasse o setor exclusivo dos ônibus do terminal Guadalupe em alta velocidade, soltando faíscas pra todo lado quando a lata do assoalho roçava o chão pavimentado de granito (“paralelepípedo”, como diz o curitibano). Enquanto isso, na terra em que bandidos pregam o politicamente correto, a ordem é endurecer a lei seca.
:: 27.03.2012 ::
A brasília só andava abastecida de álcool. Mais precisamente: o motorista abastecido. Nunca atropelou ninguém, embora em certas noites de fuzarca atravessasse o setor exclusivo dos ônibus do terminal Guadalupe em alta velocidade, soltando faíscas pra todo lado quando a lata do assoalho roçava o chão pavimentado de granito (“paralelepípedo”, como diz o curitibano). Enquanto isso, na terra em que bandidos pregam o politicamente correto, a ordem é endurecer a lei seca.
:: 27.03.2012 ::
quinta-feira, 22 de março de 2012
A ré assassina do Polaco - parte 2
Um dia o Polaco estava com a inconfundível brasília amarela no sinaleiro num cruzamento com subida acentuada e deu o problema no câmbio. O pessoal ficou atrás buzinando, ele se afobou, achou que tinha engatado a primeira e acelerou. Estava na ré. O carro desceu com tudo num sedã novinho logo atrás (provavelmente buzinando de monte). Com o susto da batida ele engatou a primeira. Não por malandragem, mas por desespero, devido à total penúria financeira, seguiu em frente o mais rápido que podia e nem olhou no retrovisor para registrar o problema (sim, existe um dilema ético nesta história).
Coincidência foi um amigo nosso, que sabia do caso da "ré assassina", chegar no escritório uns dias depois e encontrar um colega transtornado, contando o motivo para todo mundo ouvir: "Um dia desses o carro da minha mulher estava atrás do meu na garagem. Na pressa saí com o dela mesmo. Ela tinha que ir ao shopping e foi com o meu. Quando cheguei em casa e vi a frente detonada, ela me veio com o papo de que um louco numa brasília deu uma ré no sinaleiro, bateu com tudo e fugiu. É o que me faltava! Estou só esperando o coitado em que a barbeira encheu a traseira aparecer e me cobrar o conserto ".
Por amizade, nosso amigo guardou o segredo. Mas chegou à conclusão, naquele momento, que muitas vezes as mulheres, que invariavelmente dirigem com mais cuidado, são injustiçadas quando o assunto é trânsito.
:: 01.03.2012 ::
Coincidência foi um amigo nosso, que sabia do caso da "ré assassina", chegar no escritório uns dias depois e encontrar um colega transtornado, contando o motivo para todo mundo ouvir: "Um dia desses o carro da minha mulher estava atrás do meu na garagem. Na pressa saí com o dela mesmo. Ela tinha que ir ao shopping e foi com o meu. Quando cheguei em casa e vi a frente detonada, ela me veio com o papo de que um louco numa brasília deu uma ré no sinaleiro, bateu com tudo e fugiu. É o que me faltava! Estou só esperando o coitado em que a barbeira encheu a traseira aparecer e me cobrar o conserto ".
Por amizade, nosso amigo guardou o segredo. Mas chegou à conclusão, naquele momento, que muitas vezes as mulheres, que invariavelmente dirigem com mais cuidado, são injustiçadas quando o assunto é trânsito.
:: 01.03.2012 ::
segunda-feira, 19 de março de 2012
A ré assassina do Polaco - parte 1
O Polaco foi o último da turma a tirar carteira de motorista. Esperou até os 25 anos. Eu cheguei a pensar que ele tinha um trauma ou coisa parecida, pois costumávamos agendar a autoescola e o exame antes mesmo de fazer 18, pra chegar à nova idade já com "o poder".
Então ele comprou uma brasília amarela (muito antes da moda lançada pelos Mamonas). Pense num carro feio e estourado. Mas o importante é a mobilidade e tudo que ela proporciona, certo?
A brasília trouxe benefícios para a vida sentimental do Polaco. Lembro do dia em que eu voltava de uma festa num sábado pelas duas da madruga e testemunhei uma cena em frente ao restaurante universitário, onde rolavam uns bailões alternativos. A estrela desses bailes era uma mulata de um metro e oitenta ornamentada com longos dreads, linda e imponente. Às vezes as portas da brasília não abriam, e o Polaco (e quem o acompanhasse) acessava o carro pela porta do que seria (mas não é, numa brasília) o porta-malas. Pois o que testemunhei foi o Polaco segurando a tampa traseira e a mulata de pernas longilíneas engatinhando carro adentro. Me limitei a buzinar e a gritar “Aí, Polaco!”
Para complicar a situação, a brasília tinha problemas no engate da primeira e da ré, que ficavam bem próximas no câmbio. Às vezes ele perdia um tempo no sinaleiro se batendo entre uma e outra, com o pessoal buzinando atrás. Isso deixa qualquer um estressado.
Então ele comprou uma brasília amarela (muito antes da moda lançada pelos Mamonas). Pense num carro feio e estourado. Mas o importante é a mobilidade e tudo que ela proporciona, certo?
A brasília trouxe benefícios para a vida sentimental do Polaco. Lembro do dia em que eu voltava de uma festa num sábado pelas duas da madruga e testemunhei uma cena em frente ao restaurante universitário, onde rolavam uns bailões alternativos. A estrela desses bailes era uma mulata de um metro e oitenta ornamentada com longos dreads, linda e imponente. Às vezes as portas da brasília não abriam, e o Polaco (e quem o acompanhasse) acessava o carro pela porta do que seria (mas não é, numa brasília) o porta-malas. Pois o que testemunhei foi o Polaco segurando a tampa traseira e a mulata de pernas longilíneas engatinhando carro adentro. Me limitei a buzinar e a gritar “Aí, Polaco!”
Para complicar a situação, a brasília tinha problemas no engate da primeira e da ré, que ficavam bem próximas no câmbio. Às vezes ele perdia um tempo no sinaleiro se batendo entre uma e outra, com o pessoal buzinando atrás. Isso deixa qualquer um estressado.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
O potinho da discórdia (parte 4)
Potinho abastecido, devidamente acondicionado dentro da jaqueta, dia lindo lá fora, o Zé tinha 15 minutos para entregar no laboratório. Rasgou a cidade de moto, beirando a imprudência, mas chegou em tempo. Foi direto ao balcão de coletas e encontrou a atendente, acompanhada de mais duas. Ela fez que não lembrava e ele teve que explicar a situação para as três.
No fim, para disfarçar, soltou um "Com a namorada em casa fica muito mais fácil". Elas nem esboçaram reação. Repassaram o questionário, em que o espermante (associação livre do Zé com "lactante") garante que a coisa é dele, que tem menos de 30 minutos que foi "colhido" e que não sobrou nada, isentando o laboratório de uma eventual gestação artificial.
Missão cumprida, o Zé subiu na motoca aliviado e pilotou calmamente até o trabalho. Mas espera que a história não terminou. No dia seguinte, no trabalho (note o grifo), baixou o resultado pela internet. Tudo normal. Mandou para a impressora coletiva (opa!) e quando foi buscar, meio atrasado, o exame já não estava mais lá. Encontrou pendurado no edital do café.
Ele ainda hoje acusa o pessoal de bullying quando o chamam de Zé Porrinha no corredor da empresa. E enquanto durou o namoro, jurou de pés juntos pra Aninha que tudo se resolveu na salinha do laboratório, e que a inspiração foi ela.
:: 05.09.2011 ::
No fim, para disfarçar, soltou um "Com a namorada em casa fica muito mais fácil". Elas nem esboçaram reação. Repassaram o questionário, em que o espermante (associação livre do Zé com "lactante") garante que a coisa é dele, que tem menos de 30 minutos que foi "colhido" e que não sobrou nada, isentando o laboratório de uma eventual gestação artificial.
Missão cumprida, o Zé subiu na motoca aliviado e pilotou calmamente até o trabalho. Mas espera que a história não terminou. No dia seguinte, no trabalho (note o grifo), baixou o resultado pela internet. Tudo normal. Mandou para a impressora coletiva (opa!) e quando foi buscar, meio atrasado, o exame já não estava mais lá. Encontrou pendurado no edital do café.
Ele ainda hoje acusa o pessoal de bullying quando o chamam de Zé Porrinha no corredor da empresa. E enquanto durou o namoro, jurou de pés juntos pra Aninha que tudo se resolveu na salinha do laboratório, e que a inspiração foi ela.
:: 05.09.2011 ::
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
O potinho da discórdia (parte 3)
O Zé estava na salinha do laboratório com a árdua missão de "depositar o material" no potinho. Depois de muitas tentativas, e como não conseguiu, vestiu-se, esperou o calorzão corporal passar e foi no balcão comunicar o fracasso.
"Não tem mesmo como fazer em casa?" Eram duas da tarde. A moça olhou para ele de um jeito estranho, perguntou se morava perto, pois ele tinha que trazer o exame junto ao corpo num prazo máximo de 30 minutos. Ele mentiu que sim, mas tinha um trunfo: o Zé era motoqueiro, o trânsito não seria empecilho.
Pegou um potinho novo, sentou na motoca e voou até em casa. Esqueceu que a empregada estava lá, mas não é isso que o impediria de realizar sua incumbência (não sabe por que, mas lembrou dos Doze Trabalhos de Hércules). Comunicou que tinha que fazer um serviço urgente no quarto, ligou o micro (sem som, claro), acessou um desses you porn da vida e, para sua surpresa, antes mesmo que as moças acabassem de tirar a roupa para atacar um canastrão, resolveu o problema. Fácil assim.
Tampou o potinho, colocou dentro da jaqueta e pensou: "Por que será que esses laboratórios não se modernizam? Custava um LCD com uns pornozinhos passando?"
(continua)
"Não tem mesmo como fazer em casa?" Eram duas da tarde. A moça olhou para ele de um jeito estranho, perguntou se morava perto, pois ele tinha que trazer o exame junto ao corpo num prazo máximo de 30 minutos. Ele mentiu que sim, mas tinha um trunfo: o Zé era motoqueiro, o trânsito não seria empecilho.
Pegou um potinho novo, sentou na motoca e voou até em casa. Esqueceu que a empregada estava lá, mas não é isso que o impediria de realizar sua incumbência (não sabe por que, mas lembrou dos Doze Trabalhos de Hércules). Comunicou que tinha que fazer um serviço urgente no quarto, ligou o micro (sem som, claro), acessou um desses you porn da vida e, para sua surpresa, antes mesmo que as moças acabassem de tirar a roupa para atacar um canastrão, resolveu o problema. Fácil assim.
Tampou o potinho, colocou dentro da jaqueta e pensou: "Por que será que esses laboratórios não se modernizam? Custava um LCD com uns pornozinhos passando?"
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
O potinho da discórdia (parte 2)
O Zé estava no laboratório para fazer o espermograma por exigência da provisoriamente ex-namorada Aninha. Na sala de espera teve a sensação de que todo mundo sabia o que ele ia fazer, imaginou como seria a "outra sala", pensou no que teria para se inspirar e em safadeza também. Até que uma atendente bonita o chamou pelo nome. "Tinha que ser gostosa?", pensou.
Ela o conduziu até a salinha, um cubículo com pia, poltrona e um balcãozinho. Sem janela. "Aqui está o potinho, você deposita aqui dentro sem desperdiçar nada. Aqui tem revistas e aqui a pia para você se lavar. Tranque a porta por dentro", falou a moça com a maior frieza. E saiu.
O Zé tinha consciência que ela sabia o que ele ia fazer. Mas não desistiu. Abriu a gaveta das revistas ("imagina quantos caras se inspiraram nelas, e são péssimas!"), pegou algumas, abriu o potinho, se posicionou, escolheu a melhor, começou a folhear, e mandou ver. Enquanto isso, lá fora, tinha pessoas falando, rindo, criança chorando, mas ele continuou. E aquilo começou a demorar ("será que vou falhar?"), e insistiu. Depois de algum tempo algum FDP tentou abrir a porta. Desconcentração total. Ele percebeu que pelo esforço, estava suando muito. Não tinha um espelho onde pudesse se ver, mas sentia que estava vermelho.
Tentou, tentou, trocou de revista, e tentou, trocou de mão, e tentou, trocou de pensamentos, e tentou, fez muita força, mas o máximo que conseguiu sentir foi uma cosquinha. E o suador. Sem falar que as revistas eram uma podreira só. Desistiu.
Ela o conduziu até a salinha, um cubículo com pia, poltrona e um balcãozinho. Sem janela. "Aqui está o potinho, você deposita aqui dentro sem desperdiçar nada. Aqui tem revistas e aqui a pia para você se lavar. Tranque a porta por dentro", falou a moça com a maior frieza. E saiu.
O Zé tinha consciência que ela sabia o que ele ia fazer. Mas não desistiu. Abriu a gaveta das revistas ("imagina quantos caras se inspiraram nelas, e são péssimas!"), pegou algumas, abriu o potinho, se posicionou, escolheu a melhor, começou a folhear, e mandou ver. Enquanto isso, lá fora, tinha pessoas falando, rindo, criança chorando, mas ele continuou. E aquilo começou a demorar ("será que vou falhar?"), e insistiu. Depois de algum tempo algum FDP tentou abrir a porta. Desconcentração total. Ele percebeu que pelo esforço, estava suando muito. Não tinha um espelho onde pudesse se ver, mas sentia que estava vermelho.
Tentou, tentou, trocou de revista, e tentou, trocou de mão, e tentou, trocou de pensamentos, e tentou, fez muita força, mas o máximo que conseguiu sentir foi uma cosquinha. E o suador. Sem falar que as revistas eram uma podreira só. Desistiu.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
O potinho da discórdia (parte 1)
No começo o namoro do Zé com a Aninha era só festa. Se divertiam muito e levavam a vida com leveza. Uns meses depois ela começou a tirar as asinhas para fora e ficou bem claro que o objetivo era "casar e ter filhos". E tinha pressa a danada. Ele percebeu a pequena obsessão, mas como se amavam foi empurrando com a barriga.
Só que um dia o Zé não se aguentou e para dar uma cutucada, resolveu brincar. No meio de uma conversa, como que distraído, soltou um "então, antes de eu fazer a vasectomia..." Coitada da Aninha, ficou lívida, chorou muito e pra desgraça do Zé não teve "era brincadeira" que resolvesse. Meteu-lhe um pé na bunda e só voltava a namorar se ele fizesse um espermograma.
O Zé ficou arrasado e deu o braço a torcer. Perguntou três vezes no telefone, pra moça do laboratório, se não tinha como fazer em casa. A atendente foi taxativa e afirmou que não, que no percurso "a coleta" perderia as características. Então o Zé se guardou os três dias exigidos "por lei" e foi no laboratório para o sacrifício.
Só que um dia o Zé não se aguentou e para dar uma cutucada, resolveu brincar. No meio de uma conversa, como que distraído, soltou um "então, antes de eu fazer a vasectomia..." Coitada da Aninha, ficou lívida, chorou muito e pra desgraça do Zé não teve "era brincadeira" que resolvesse. Meteu-lhe um pé na bunda e só voltava a namorar se ele fizesse um espermograma.
O Zé ficou arrasado e deu o braço a torcer. Perguntou três vezes no telefone, pra moça do laboratório, se não tinha como fazer em casa. A atendente foi taxativa e afirmou que não, que no percurso "a coleta" perderia as características. Então o Zé se guardou os três dias exigidos "por lei" e foi no laboratório para o sacrifício.
(continua)
terça-feira, 14 de junho de 2011
Amarrado sete vezes
É sentir cheiro de incenso barato que eu lembro dela, a balconista de casa de umbanda. Sabia todas as simpatias, nomes de santos, da vida, morena de olhos místicos, tão linda e articulada que eu tinha certeza que era filha do dono, ou de Exu. Ela nunca desmentiu.
De perto o cheiro impregnado na pele e nos cabelos me incomodava, incenso barato com fumo de corda, presente embrulhado em jornal, eu bebia mais que o de costume para superar.
Eu cada vez mais apaixonado, ela judiando mais e mais de mim, implicava com minha bebida, com minhas saídas. Num dia daqueles em que me botou pra correr eu voltei no boteco e encontrei a Cidinha, fui pra casa dela e broxei. Na hora de pagar (trato é trato) procurei uma nota de 50 que guardava escondida no forro da carteira, e lá no fundo achei um bilhetinho com letras mínúsculas:
Minha Rainha Pomba Gira Maria Padilha das 7 encruzilhadas vá até onde (Z.É.) estiver e faça com que não descanse enquanto não falar comigo, pelos poderes da terra, pela presença do fogo, pela inspiração do ar, pelas virtudes da água, invoco as 13 almas benditas para que se dirijam até onde está neste momento (Z.É.) e traga o seu espírito até mim, amarrando-o definitivamente ao meu. Que (Z.É.) jamais deseje outra pessoa e que tenha olhos só pra mim. Vai mulher girar ao meu favor, fazei que (Z.É.) seja dominado por mim, preso debaixo do meu pé esquerdo, que ande atrás de mim como uma cobra rastejante, que me ame loucamente. Minha boa amiga, mulher de 7 Exus e sua Falange! Que o desejo de (Z.É.) por mim o deixe cego para outras pessoas, que elas não consigam mais vê-lo como homem. Rogo e suplico que amarre (Z.É.) nos 7 nós da sua saia. Daqui mais um pouco (Z.É.) não vai comer, dormir ou fazer coisa alguma a não ser se estiver comigo, confio no poder das 7 encruzilhadas e desta oração poderosa!
:: 14.06.2011 ::
De perto o cheiro impregnado na pele e nos cabelos me incomodava, incenso barato com fumo de corda, presente embrulhado em jornal, eu bebia mais que o de costume para superar.
Eu cada vez mais apaixonado, ela judiando mais e mais de mim, implicava com minha bebida, com minhas saídas. Num dia daqueles em que me botou pra correr eu voltei no boteco e encontrei a Cidinha, fui pra casa dela e broxei. Na hora de pagar (trato é trato) procurei uma nota de 50 que guardava escondida no forro da carteira, e lá no fundo achei um bilhetinho com letras mínúsculas:
Minha Rainha Pomba Gira Maria Padilha das 7 encruzilhadas vá até onde (Z.É.) estiver e faça com que não descanse enquanto não falar comigo, pelos poderes da terra, pela presença do fogo, pela inspiração do ar, pelas virtudes da água, invoco as 13 almas benditas para que se dirijam até onde está neste momento (Z.É.) e traga o seu espírito até mim, amarrando-o definitivamente ao meu. Que (Z.É.) jamais deseje outra pessoa e que tenha olhos só pra mim. Vai mulher girar ao meu favor, fazei que (Z.É.) seja dominado por mim, preso debaixo do meu pé esquerdo, que ande atrás de mim como uma cobra rastejante, que me ame loucamente. Minha boa amiga, mulher de 7 Exus e sua Falange! Que o desejo de (Z.É.) por mim o deixe cego para outras pessoas, que elas não consigam mais vê-lo como homem. Rogo e suplico que amarre (Z.É.) nos 7 nós da sua saia. Daqui mais um pouco (Z.É.) não vai comer, dormir ou fazer coisa alguma a não ser se estiver comigo, confio no poder das 7 encruzilhadas e desta oração poderosa!
:: 14.06.2011 ::
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Luxúria inocente
Ao rever a foto, posso dizer que um homem é capaz de matar por um rostinho daqueles, exatamente aquela foto em que aparece o aparelho. Era uma “menina” de 19 e eu, praticamente, um criminoso.
Porém, se olhar bem para o meu rosto na época, eu também recendia inocência. Passei por muita coisa nestes últimos tempos para chegar até aqui, isso é que me deixou assim, errado como vocês me percebem.
:: 31.05.2011 ::
Porém, se olhar bem para o meu rosto na época, eu também recendia inocência. Passei por muita coisa nestes últimos tempos para chegar até aqui, isso é que me deixou assim, errado como vocês me percebem.
:: 31.05.2011 ::
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Quando o Zé conheceu a Teca IV
Coisa boa é chegar nesses churrascos de amigos com umas gostosas. O pessoal acha que tudo vai se resumir a truco, carne e cerveja, aí aparecem moças soltinhas para animar a festa. O Zé foi de fusca pegar a Teca e a Mel e chegaram no meio do churrascueca que os caras armaram de improviso na chácara do avô do Nando em Colombo.
Só que era domingão e o povo não se animou tanto, começaram a vazar logo que escureceu e terminamos os quatro na casa do Zé jogando strip-mico embalados pela cerveja e vodka sobra do churrasco. Não sei quem teve a ideia, mas foi muito boa, pois strip-poker é complicado e strip-truco demora. Obviamente o perdedor de cada rodada tirava uma peça da roupa.
Tudo muito lindo, as moças praticamente só de lingerie, os rapazes disfarçando ereções, aí a Teca começou a roubar pra não ficar pelada. A gente se distraía e ela punha uma meia de volta ou coisa parecida na maior cara de pau. Era muita falta de seriedade! Acabei me estressando com a pilantra e pra contemporizar o Zé foi com ela para o quarto matar saudade.
A Mel disse para eu não ligar, que a Teca não estava legal. Eu perguntei o motivo e ela me fez jurar que não contaria a ninguém — e o que ouvi foi cabuloso demais, até para um cara que se impressiona com quase nada na vida. Na sexta os pais da Teca voltavam de uma pequena viagem ao interior, estavam com as duas netas (filhas da Teca) no carro. Sofreram um acidente e as crianças morreram na hora. Ou seja: a Teca saiu curtir com a gente para aliviar a tristeza do luto.
Essa história eu guardei comigo, mesmo que algum tempo depois o destino tenha se encarregado de separar o Zé da Teca. Ele nunca comentou, acredito que ficou sem saber. Não importa, às vezes é melhor quando termina assim.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Quando o Zé conheceu a Teca III
A Teca não morava no apartamento que a Mel dividia com as amigas, mas ficava sempre lá, onde curtia uma liberdade que não tinha em casa. E essas moças sabiam curtir a liberdade. Tanto que uma vez meu primo mais safado, bem aquele que me ensinou as artimanhas da pegação, passou por Curitiba a trabalho, e acabei o arrastando para tomar umas no apartamento e conhecer as meninas. Ele ficou chocado com a tal "liberdade".
Naqueles dias que o Zé e a Teca romperam relações eu continuei a visitar a Mel. Passei lá num domingo de inverno para fugir do Fantástico e experienciar umas caipirinhas. A Teca estava por ali e recebeu um "amigo", um sujeito desses que têm cara de nada. Quando acabou a garrafa ficamos os quatro pela sala, a Teca e o pastel sentados no sofá, eu e a Mel num colchãozinho deitados no chão, cobertos por um edredom. Só luz da TV. A Teca, por motivos óbvios, não deixou o cara chegar, então eles ficaram jogando conversa fora, comentando o que passava na TV meio que pra disfarçar. Mas disfarçar o que?
O esforço era pra fazer de conta que não nos viam transando no chão na frente deles. Cobertos pelo edredom mas obviamente transando. E não podíamos usar o quarto porque a outra menina que morava no apartamento estava lá estudando. E não fomos para a cozinha porque estava frio. E transar ali com audiência qualificada era muito mais engraçado e gostoso.
Um tempinho depois que eu e a Mel terminamos, o pastel foi embora e nunca mais voltou. A Teca ligou naquela noite mesmo para o Zé, e no dia seguinte reataram a relação. Amigo é pra essas coisas.
:: 12.05.2011 ::
Naqueles dias que o Zé e a Teca romperam relações eu continuei a visitar a Mel. Passei lá num domingo de inverno para fugir do Fantástico e experienciar umas caipirinhas. A Teca estava por ali e recebeu um "amigo", um sujeito desses que têm cara de nada. Quando acabou a garrafa ficamos os quatro pela sala, a Teca e o pastel sentados no sofá, eu e a Mel num colchãozinho deitados no chão, cobertos por um edredom. Só luz da TV. A Teca, por motivos óbvios, não deixou o cara chegar, então eles ficaram jogando conversa fora, comentando o que passava na TV meio que pra disfarçar. Mas disfarçar o que?
O esforço era pra fazer de conta que não nos viam transando no chão na frente deles. Cobertos pelo edredom mas obviamente transando. E não podíamos usar o quarto porque a outra menina que morava no apartamento estava lá estudando. E não fomos para a cozinha porque estava frio. E transar ali com audiência qualificada era muito mais engraçado e gostoso.
Um tempinho depois que eu e a Mel terminamos, o pastel foi embora e nunca mais voltou. A Teca ligou naquela noite mesmo para o Zé, e no dia seguinte reataram a relação. Amigo é pra essas coisas.
:: 12.05.2011 ::
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Quando o Zé conheceu a Teca II
O Zé contou que a Teca era recém separada e tinha duas filhas pequenas. Ela morava no Xaxim com a mãe, que ajudava a cuidar das crianças. O que deixava ele chateado é não poder ir na casa dela. Aliás, não podia chegar perto. Sempre tinha que deixar a Teca a duas quadras de casa, mesmo de madrugada, porque segundo ela o ex ficava rondando e era perigoso.
A Mel, a amiga, deixou vazar pra mim que a Teca era casada ainda. Casamento em crise, mas era casada e morava com o marido. E até o Zé, em sua distração passional, desconfiou das desculpas e dos horários rígidos. Um dia eles bateram boca no fusquinha, no lugar que ele sempre se despedia dela, eram mais de onze da noite, ela desceu do carro batendo porta, ele foi atrás bravo que nem um bicho, agarrou, arrastou para o canto escuro de um arbusto e praticamente a violentou ali em pé, mas ela entrou no clima, abriu mão do horário e foram para um motelzinho barato.
Pularam na cama, ela com a roupa meio rasgada (não que a Teca usasse muita roupa), e começaram o agarra-agarra no escuro (quarto de motel barato é melhor nem ver), pegada forte, muito suor, excitação lá em cima, um creme escorrendo do meio das pernas dela... até que ela percebeu o lençol molhado demais, pior, percebeu que ambos estavam muito molhados, e acendeu a luz. O problema é que quando o Zé ficava nervoso, o aparelho digestivo saída do ponto, e aquilo de quase-estupro mexeu pesado com o emocional. Bateu uma diarréia forte e na hora do esforço pelo prazer não percebeu que se cagou todo. Aliás, cagou a Teca também.
Ela quase morreu de nojo e jurou nunca mais sair com ele. Mas amor de pica não termina fácil assim.
:: 10.05.2011 ::
A Mel, a amiga, deixou vazar pra mim que a Teca era casada ainda. Casamento em crise, mas era casada e morava com o marido. E até o Zé, em sua distração passional, desconfiou das desculpas e dos horários rígidos. Um dia eles bateram boca no fusquinha, no lugar que ele sempre se despedia dela, eram mais de onze da noite, ela desceu do carro batendo porta, ele foi atrás bravo que nem um bicho, agarrou, arrastou para o canto escuro de um arbusto e praticamente a violentou ali em pé, mas ela entrou no clima, abriu mão do horário e foram para um motelzinho barato.
Pularam na cama, ela com a roupa meio rasgada (não que a Teca usasse muita roupa), e começaram o agarra-agarra no escuro (quarto de motel barato é melhor nem ver), pegada forte, muito suor, excitação lá em cima, um creme escorrendo do meio das pernas dela... até que ela percebeu o lençol molhado demais, pior, percebeu que ambos estavam muito molhados, e acendeu a luz. O problema é que quando o Zé ficava nervoso, o aparelho digestivo saída do ponto, e aquilo de quase-estupro mexeu pesado com o emocional. Bateu uma diarréia forte e na hora do esforço pelo prazer não percebeu que se cagou todo. Aliás, cagou a Teca também.
Ela quase morreu de nojo e jurou nunca mais sair com ele. Mas amor de pica não termina fácil assim.
:: 10.05.2011 ::
terça-feira, 10 de maio de 2011
Quando o Zé conheceu a Teca I
Toda história quando tem elementos contados por pessoas diferentes fica comprometida. Paira um ranço estranho de futrica. Mas até em jornalismo é necessário saber todos os lados. O fato é que quando o Zé conheceu a Teca depois de anos sem namorar e na seca, ficou numa alegria só. Antes de me apresentar a moça fez a maior propaganda, disse que era tipo patricinha, loira, linda! E o melhor no meu ponto de vista: tinha amigas gatas.
Então, de saída, quando o Zé marcou para eu conhecer a Teca (não sei por que sempre buscou minha aprovação) ela já levou uma amiga. E do boteco fomos pra casa da amiga, e lá todo mundo se arranjou. Muito legal, muito fácil, um pouco suspeito.
Mas a Mel era mesmo muito bacana, e como tinha liberdade, pois dividia um apartamento com amigas, a gente engatou uma amizade colorida. Sexo frequente resulta em intimidade, aí as confidências são inevitáveis. Foi assim que eu comecei a, sem querer, saber coisas da Teca que não estavam no repertório que o Zé me contava. Provavelmente ele desconhecia e, como amigo, deduzi que se soubesse estragariam a alegria que o Zé vivia no momento.
:: 10.05.2011 ::
Então, de saída, quando o Zé marcou para eu conhecer a Teca (não sei por que sempre buscou minha aprovação) ela já levou uma amiga. E do boteco fomos pra casa da amiga, e lá todo mundo se arranjou. Muito legal, muito fácil, um pouco suspeito.
Mas a Mel era mesmo muito bacana, e como tinha liberdade, pois dividia um apartamento com amigas, a gente engatou uma amizade colorida. Sexo frequente resulta em intimidade, aí as confidências são inevitáveis. Foi assim que eu comecei a, sem querer, saber coisas da Teca que não estavam no repertório que o Zé me contava. Provavelmente ele desconhecia e, como amigo, deduzi que se soubesse estragariam a alegria que o Zé vivia no momento.
:: 10.05.2011 ::
terça-feira, 1 de março de 2011
Cada surto que só acontece com o Zé - parte 2
A ética e o dilema
O Zé e as duas loiras monumentais conseguiram sair ilesos do bar de bêbados. No carro, a ucraniana ciumenta de cara fechada ao seu lado e a outra, simpática e aparentemente bem "facinha", atrás. Ele sugeriu pararem num lugar mais sossegado para beberem mais algumas e resolverem o drama, e ouviu da coisa emburrada um "me leva pra casa ou vou de táxi". Irritante até para monge budista. Circulou um pouco para espairecer.
Aí aconteceu a encruzilhada. Numa esquina em "T" o Zé se viu no seguinte dilema: se virasse à direita, levaria a linda e simpática primeiro pra casa e voltaria o resto do caminho com o estrupício; se virasse à esquerda levaria primeiro a ucraniana e o resto do caminho seria, no mínimo, agradável. Todo bom-senso e ética cavalheirística do mundo diziam que ele tinha que virar à direita, e ele parado no cruzamento mirando de canto de olho a cara de cu ao lado.
A vida é curta. O Zé virou à esquerda, óbvio. A ucraniana começou a berrar "para que vou descer ", e desceu do carro batendo porta, jogou a bolsa no chão, armou um barraco no meio da rua às onze e meia da noite, chamando a outra de piranha e o Zé de vagabundo.
Rapidinho, antes que começassem a voar pedras, o Zé deu a volta com a simpática no banco de trás mesmo. Quebrada a esquina crítica, parou para a moça passar ao banco da frente, e não a deixou em casa não. Esticou para um boteco no centro, tomaram umas "para acalmar" — ela nervosa, mas ainda simpática — e a situação continuava tensa: no boteco, cada um recebeu mais de cinco mensagens de celular da ucraniana (nada educadas).
Era tácito que não poderiam se agarrar ou ter um caso, e verbalizaram isso, fizeram um trato. Ele a levou para a casa dela e na hora da despedida rolou o maior amasso. Coisas combinadas só dão mais vontade.
:: 25.02.2011 ::
O Zé e as duas loiras monumentais conseguiram sair ilesos do bar de bêbados. No carro, a ucraniana ciumenta de cara fechada ao seu lado e a outra, simpática e aparentemente bem "facinha", atrás. Ele sugeriu pararem num lugar mais sossegado para beberem mais algumas e resolverem o drama, e ouviu da coisa emburrada um "me leva pra casa ou vou de táxi". Irritante até para monge budista. Circulou um pouco para espairecer.
Aí aconteceu a encruzilhada. Numa esquina em "T" o Zé se viu no seguinte dilema: se virasse à direita, levaria a linda e simpática primeiro pra casa e voltaria o resto do caminho com o estrupício; se virasse à esquerda levaria primeiro a ucraniana e o resto do caminho seria, no mínimo, agradável. Todo bom-senso e ética cavalheirística do mundo diziam que ele tinha que virar à direita, e ele parado no cruzamento mirando de canto de olho a cara de cu ao lado.
A vida é curta. O Zé virou à esquerda, óbvio. A ucraniana começou a berrar "para que vou descer ", e desceu do carro batendo porta, jogou a bolsa no chão, armou um barraco no meio da rua às onze e meia da noite, chamando a outra de piranha e o Zé de vagabundo.
Rapidinho, antes que começassem a voar pedras, o Zé deu a volta com a simpática no banco de trás mesmo. Quebrada a esquina crítica, parou para a moça passar ao banco da frente, e não a deixou em casa não. Esticou para um boteco no centro, tomaram umas "para acalmar" — ela nervosa, mas ainda simpática — e a situação continuava tensa: no boteco, cada um recebeu mais de cinco mensagens de celular da ucraniana (nada educadas).
Era tácito que não poderiam se agarrar ou ter um caso, e verbalizaram isso, fizeram um trato. Ele a levou para a casa dela e na hora da despedida rolou o maior amasso. Coisas combinadas só dão mais vontade.
:: 25.02.2011 ::
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Cada surto que só acontece com o Zé - parte 1
Teste de paciência
Uma babá do condomínio do Zé começou a dar umas olhadas diferentes. Loira, alta, bonita mesmo! O porteiro (que como se sabe, "é a mãe") ajudou nos contatos e ele saiu com a gata. Ela tinha sotaque aberto típico do interior "polaco" do Paraná, era de lá, e por isso o Zé passou a chamá-la de ucraniana. E acabou rolando na primeira saída.
Vai saber os demônios da moça, mas ela ficou enfezada com isso, talvez culpa. Fique frizado que o Zé não prometeu nada, nem foi romântico.
Conversaram, então, de fazer alguma coisa outro dia, de o Zé chamar um amigo, dela chamar uma amiga, irem num barzinho socializar. Só que no dia em que tinham combinado o amigo do Zé pegou uma caganeira.
Ela topou de sairem os três, mas, antes, falou 32 vezes que a amiga era linda. Pior que acabaram caindo em um boteco cheio de bêbados, e o Zé com duas loiras monumentais. E a ucraniana foi ficando puta (nos dois sentidos) porque o Zé não estava de romance pra cima dela.
Quando voltou de uma das idas ao banheiro o Zé encontrou um cara babando em cima delas. Pediu educadamente para o bêbado inconveniente sair e sentou do outro lado da mesa. Conversaram bastante, e como o Zé entendeu as "32 vezes" como advertência, em tudo se dirigia a ambas para não gerar ciúme. Não adiantou. Enquanto a amiga continuava falante e simpática, a ucraniana se tornava carrancuda. Resolveram ir embora.
Passaram pelo corredor polonês dos bêbados mas sobreviveram. Quando entraram no carro a ucraniana emburrou de vez e começou a cantar a música da piriguete. Isso que o Zé mal olhou para a amiga — que a propósito, era bem boa de olhar.
(continua)
Uma babá do condomínio do Zé começou a dar umas olhadas diferentes. Loira, alta, bonita mesmo! O porteiro (que como se sabe, "é a mãe") ajudou nos contatos e ele saiu com a gata. Ela tinha sotaque aberto típico do interior "polaco" do Paraná, era de lá, e por isso o Zé passou a chamá-la de ucraniana. E acabou rolando na primeira saída.
Vai saber os demônios da moça, mas ela ficou enfezada com isso, talvez culpa. Fique frizado que o Zé não prometeu nada, nem foi romântico.
Conversaram, então, de fazer alguma coisa outro dia, de o Zé chamar um amigo, dela chamar uma amiga, irem num barzinho socializar. Só que no dia em que tinham combinado o amigo do Zé pegou uma caganeira.
Ela topou de sairem os três, mas, antes, falou 32 vezes que a amiga era linda. Pior que acabaram caindo em um boteco cheio de bêbados, e o Zé com duas loiras monumentais. E a ucraniana foi ficando puta (nos dois sentidos) porque o Zé não estava de romance pra cima dela.
Quando voltou de uma das idas ao banheiro o Zé encontrou um cara babando em cima delas. Pediu educadamente para o bêbado inconveniente sair e sentou do outro lado da mesa. Conversaram bastante, e como o Zé entendeu as "32 vezes" como advertência, em tudo se dirigia a ambas para não gerar ciúme. Não adiantou. Enquanto a amiga continuava falante e simpática, a ucraniana se tornava carrancuda. Resolveram ir embora.
Passaram pelo corredor polonês dos bêbados mas sobreviveram. Quando entraram no carro a ucraniana emburrou de vez e começou a cantar a música da piriguete. Isso que o Zé mal olhou para a amiga — que a propósito, era bem boa de olhar.
(continua)
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Rabuda
Iniciamos a IV SEMANA DA CONTRIBUIÇÃO MCP com esta delícia de continho do amigo e misterioso @Heru_sa. Esse cara filosofa bastante sobre a natureza humana.
Começou o esconjuro e quando enfim a pegou de jeito, sai desse corpo que não te pertence, mão no pescoço e outra pelos cabelos, ela dobrou o corpo de um jeito que, enquanto o Tinhoso corcoveava, a bunda esfregava abaixo da cintura do homem santo.
Microfone na mão, aos berros com o Rabudo, o pregador constatou, que diabos, a coitada nem é tão feia assim, e que rabo!
A gritaria e a bolinagem continuaram quase ao êxtase mas, antes que lá nos quintos ficasse mal falado, ser encoxado assim já é demais, o Bode-Preto se mandou.
- Volta outro dia sem culto, irmã, que é pra gente continuar a limpeza.
sábado, 9 de outubro de 2010
Cidinha e a diversão da molecada
Meu tio Gatão estava com uns quatro moleques da rua, de bobeira. Eu ali, meio que obrigado. Sempre gostei das coisas mais científicas. Era rua de cidade pequena, onde eu passava as férias. Eu tinha uns dez anos, ele uns quatorze.
Percebi que a molecada silenciou. Uma pretinha descia a rua toda faceira, vestidinho de chita, descalça, sorrisão branco na boca. Parou para conversar com eles — eu era um expectador. Sem rodeios o Gatão lascou:
- Então, Cidinha, vamos repetir o que fizemos no matinho outro dia?
Eu nem imaginava do que eles estavam falando. Ela nem titubeou:
- Não. Vocês me prometeram um 'chicrete' e depois não me deram.
- Ah, mas hoje eu te dou, juro para você - respondeu meu tio, com toda gentileza e malandragem que sempre marcaram sua vida.
Então subimos todos numa charrete (isso mesmo!!!) e fomos até um matagalzinho que havia perto do quartel da vila. Entramos um pouco no mato e, começando pelo Gatão, toda a garotada se serviu da Cidinha. Menos eu, que estava 'verde' ainda, mas observei tudo com atenção — lembram? interesse científico!
Acabada a brincadeira, subimos na charrete e voltamos para a frente da casa do meu avô. A Cidinha desceu por último, cuidadosamente ciceroneada por meu tio. Antes de se despedir cobrou o chiclete. Meu tio ficou devendo.
:: 09.10.2010 :: Contada numa delicada conversa familiar numa taberna antes de Óbidos, Portugal
Percebi que a molecada silenciou. Uma pretinha descia a rua toda faceira, vestidinho de chita, descalça, sorrisão branco na boca. Parou para conversar com eles — eu era um expectador. Sem rodeios o Gatão lascou:
- Então, Cidinha, vamos repetir o que fizemos no matinho outro dia?
Eu nem imaginava do que eles estavam falando. Ela nem titubeou:
- Não. Vocês me prometeram um 'chicrete' e depois não me deram.
- Ah, mas hoje eu te dou, juro para você - respondeu meu tio, com toda gentileza e malandragem que sempre marcaram sua vida.
Então subimos todos numa charrete (isso mesmo!!!) e fomos até um matagalzinho que havia perto do quartel da vila. Entramos um pouco no mato e, começando pelo Gatão, toda a garotada se serviu da Cidinha. Menos eu, que estava 'verde' ainda, mas observei tudo com atenção — lembram? interesse científico!
Acabada a brincadeira, subimos na charrete e voltamos para a frente da casa do meu avô. A Cidinha desceu por último, cuidadosamente ciceroneada por meu tio. Antes de se despedir cobrou o chiclete. Meu tio ficou devendo.
:: 09.10.2010 :: Contada numa delicada conversa familiar numa taberna antes de Óbidos, Portugal
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