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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
O Zé e a rainha do sertanejo universitário - parte 2
Tudo se encaminhou bem com a loirona bonita que abordou o Zé no sinaleiro por causa da moto do primo. Depois de alguns dias de negociação bem quente, já no quarto do motel, ele percebeu certos não-me-toques na moça, mas no calor do momento a coisa engrenou, e no meio do griteiro que ela promoveu (teatral ou não, pouco importa, pois reparar nisso é coisa de boiola) tirou a camisinha e "descarregou" na barriga dela, que imediatamente engatou ânsias de vômito.
Isso mesmo. A superloira com pinta de biscate não tinha estômago para uns jatinhos de esperma na barriga. Num reflexo o Zé catou a toalha e limpou rapidinho, pensando ainda bem que foi na barriga, imagina o estrago se levasse em conta toda baixaria que ela falava e mirasse na cara!
Naquele dia o Zé aprendeu na raça, e depois compartilhou com os amigos no boteco, que quando o assunto é a dança mais antiga da humanidade não é só homem que conta vantagem.
:: 29.03.2010 ::
Isso mesmo. A superloira com pinta de biscate não tinha estômago para uns jatinhos de esperma na barriga. Num reflexo o Zé catou a toalha e limpou rapidinho, pensando ainda bem que foi na barriga, imagina o estrago se levasse em conta toda baixaria que ela falava e mirasse na cara!
Naquele dia o Zé aprendeu na raça, e depois compartilhou com os amigos no boteco, que quando o assunto é a dança mais antiga da humanidade não é só homem que conta vantagem.
:: 29.03.2010 ::
Marcadores:
CONTO - CONQUISTADORES BARATOS,
NOVELETA
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
O Zé e a rainha do sertanejo universitário - parte 1
O Zé emprestou a moto esportiva do primo e foi dar umas bandas no bairro. Até pode ter sido coincidência, mas nunca uma mulher o havia abordado na rua assim, na cara dura. Pois naquele dia uma loira linda emoldurada por um paliozinho preto pisou fundo até alcançar nosso amigo no sinaleiro. E deu um cartão de visitas pra ele.
Como de bobo o Zé não tem nada, quando telefonou (a ousada era gerente de alguma coisa num hotel de luxo) não entrou em detalhes sobre a propriedade da moto ou outras deficiências financeiras. E como a moça era comprometida, ele apertou a conversa pra um encontro direto, desses com final feliz pré-combinado.
Era uma loira bonita e carnuda, que chegou no encontro num vestido pelo menos três números menor que o figurino recomendado para moças de família. Se dizia rainha de um baile do sertanejo universitário, e pela insinuação, prometia uma trepada homérica, dessas que quando começa o treme-treme o peão se sente num terremoto 6.3 na escala richter.
(continua)
Como de bobo o Zé não tem nada, quando telefonou (a ousada era gerente de alguma coisa num hotel de luxo) não entrou em detalhes sobre a propriedade da moto ou outras deficiências financeiras. E como a moça era comprometida, ele apertou a conversa pra um encontro direto, desses com final feliz pré-combinado.
Era uma loira bonita e carnuda, que chegou no encontro num vestido pelo menos três números menor que o figurino recomendado para moças de família. Se dizia rainha de um baile do sertanejo universitário, e pela insinuação, prometia uma trepada homérica, dessas que quando começa o treme-treme o peão se sente num terremoto 6.3 na escala richter.
(continua)
Marcadores:
CONTO - CONQUISTADORES BARATOS,
NOVELETA
terça-feira, 27 de março de 2012
A ré assassina do Polaco - mais ou menos assim
Foto de Miriam C. de Souza.
A brasília só andava abastecida de álcool. Mais precisamente: o motorista abastecido. Nunca atropelou ninguém, embora em certas noites de fuzarca atravessasse o setor exclusivo dos ônibus do terminal Guadalupe em alta velocidade, soltando faíscas pra todo lado quando a lata do assoalho roçava o chão pavimentado de granito (“paralelepípedo”, como diz o curitibano). Enquanto isso, na terra em que bandidos pregam o politicamente correto, a ordem é endurecer a lei seca.
:: 27.03.2012 ::
A brasília só andava abastecida de álcool. Mais precisamente: o motorista abastecido. Nunca atropelou ninguém, embora em certas noites de fuzarca atravessasse o setor exclusivo dos ônibus do terminal Guadalupe em alta velocidade, soltando faíscas pra todo lado quando a lata do assoalho roçava o chão pavimentado de granito (“paralelepípedo”, como diz o curitibano). Enquanto isso, na terra em que bandidos pregam o politicamente correto, a ordem é endurecer a lei seca.
:: 27.03.2012 ::
quinta-feira, 22 de março de 2012
A ré assassina do Polaco - parte 2
Um dia o Polaco estava com a inconfundível brasília amarela no sinaleiro num cruzamento com subida acentuada e deu o problema no câmbio. O pessoal ficou atrás buzinando, ele se afobou, achou que tinha engatado a primeira e acelerou. Estava na ré. O carro desceu com tudo num sedã novinho logo atrás (provavelmente buzinando de monte). Com o susto da batida ele engatou a primeira. Não por malandragem, mas por desespero, devido à total penúria financeira, seguiu em frente o mais rápido que podia e nem olhou no retrovisor para registrar o problema (sim, existe um dilema ético nesta história).
Coincidência foi um amigo nosso, que sabia do caso da "ré assassina", chegar no escritório uns dias depois e encontrar um colega transtornado, contando o motivo para todo mundo ouvir: "Um dia desses o carro da minha mulher estava atrás do meu na garagem. Na pressa saí com o dela mesmo. Ela tinha que ir ao shopping e foi com o meu. Quando cheguei em casa e vi a frente detonada, ela me veio com o papo de que um louco numa brasília deu uma ré no sinaleiro, bateu com tudo e fugiu. É o que me faltava! Estou só esperando o coitado em que a barbeira encheu a traseira aparecer e me cobrar o conserto ".
Por amizade, nosso amigo guardou o segredo. Mas chegou à conclusão, naquele momento, que muitas vezes as mulheres, que invariavelmente dirigem com mais cuidado, são injustiçadas quando o assunto é trânsito.
:: 01.03.2012 ::
Coincidência foi um amigo nosso, que sabia do caso da "ré assassina", chegar no escritório uns dias depois e encontrar um colega transtornado, contando o motivo para todo mundo ouvir: "Um dia desses o carro da minha mulher estava atrás do meu na garagem. Na pressa saí com o dela mesmo. Ela tinha que ir ao shopping e foi com o meu. Quando cheguei em casa e vi a frente detonada, ela me veio com o papo de que um louco numa brasília deu uma ré no sinaleiro, bateu com tudo e fugiu. É o que me faltava! Estou só esperando o coitado em que a barbeira encheu a traseira aparecer e me cobrar o conserto ".
Por amizade, nosso amigo guardou o segredo. Mas chegou à conclusão, naquele momento, que muitas vezes as mulheres, que invariavelmente dirigem com mais cuidado, são injustiçadas quando o assunto é trânsito.
:: 01.03.2012 ::
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
O potinho da discórdia (parte 4)
Potinho abastecido, devidamente acondicionado dentro da jaqueta, dia lindo lá fora, o Zé tinha 15 minutos para entregar no laboratório. Rasgou a cidade de moto, beirando a imprudência, mas chegou em tempo. Foi direto ao balcão de coletas e encontrou a atendente, acompanhada de mais duas. Ela fez que não lembrava e ele teve que explicar a situação para as três.
No fim, para disfarçar, soltou um "Com a namorada em casa fica muito mais fácil". Elas nem esboçaram reação. Repassaram o questionário, em que o espermante (associação livre do Zé com "lactante") garante que a coisa é dele, que tem menos de 30 minutos que foi "colhido" e que não sobrou nada, isentando o laboratório de uma eventual gestação artificial.
Missão cumprida, o Zé subiu na motoca aliviado e pilotou calmamente até o trabalho. Mas espera que a história não terminou. No dia seguinte, no trabalho (note o grifo), baixou o resultado pela internet. Tudo normal. Mandou para a impressora coletiva (opa!) e quando foi buscar, meio atrasado, o exame já não estava mais lá. Encontrou pendurado no edital do café.
Ele ainda hoje acusa o pessoal de bullying quando o chamam de Zé Porrinha no corredor da empresa. E enquanto durou o namoro, jurou de pés juntos pra Aninha que tudo se resolveu na salinha do laboratório, e que a inspiração foi ela.
:: 05.09.2011 ::
No fim, para disfarçar, soltou um "Com a namorada em casa fica muito mais fácil". Elas nem esboçaram reação. Repassaram o questionário, em que o espermante (associação livre do Zé com "lactante") garante que a coisa é dele, que tem menos de 30 minutos que foi "colhido" e que não sobrou nada, isentando o laboratório de uma eventual gestação artificial.
Missão cumprida, o Zé subiu na motoca aliviado e pilotou calmamente até o trabalho. Mas espera que a história não terminou. No dia seguinte, no trabalho (note o grifo), baixou o resultado pela internet. Tudo normal. Mandou para a impressora coletiva (opa!) e quando foi buscar, meio atrasado, o exame já não estava mais lá. Encontrou pendurado no edital do café.
Ele ainda hoje acusa o pessoal de bullying quando o chamam de Zé Porrinha no corredor da empresa. E enquanto durou o namoro, jurou de pés juntos pra Aninha que tudo se resolveu na salinha do laboratório, e que a inspiração foi ela.
:: 05.09.2011 ::
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
O potinho da discórdia (parte 3)
O Zé estava na salinha do laboratório com a árdua missão de "depositar o material" no potinho. Depois de muitas tentativas, e como não conseguiu, vestiu-se, esperou o calorzão corporal passar e foi no balcão comunicar o fracasso.
"Não tem mesmo como fazer em casa?" Eram duas da tarde. A moça olhou para ele de um jeito estranho, perguntou se morava perto, pois ele tinha que trazer o exame junto ao corpo num prazo máximo de 30 minutos. Ele mentiu que sim, mas tinha um trunfo: o Zé era motoqueiro, o trânsito não seria empecilho.
Pegou um potinho novo, sentou na motoca e voou até em casa. Esqueceu que a empregada estava lá, mas não é isso que o impediria de realizar sua incumbência (não sabe por que, mas lembrou dos Doze Trabalhos de Hércules). Comunicou que tinha que fazer um serviço urgente no quarto, ligou o micro (sem som, claro), acessou um desses you porn da vida e, para sua surpresa, antes mesmo que as moças acabassem de tirar a roupa para atacar um canastrão, resolveu o problema. Fácil assim.
Tampou o potinho, colocou dentro da jaqueta e pensou: "Por que será que esses laboratórios não se modernizam? Custava um LCD com uns pornozinhos passando?"
(continua)
"Não tem mesmo como fazer em casa?" Eram duas da tarde. A moça olhou para ele de um jeito estranho, perguntou se morava perto, pois ele tinha que trazer o exame junto ao corpo num prazo máximo de 30 minutos. Ele mentiu que sim, mas tinha um trunfo: o Zé era motoqueiro, o trânsito não seria empecilho.
Pegou um potinho novo, sentou na motoca e voou até em casa. Esqueceu que a empregada estava lá, mas não é isso que o impediria de realizar sua incumbência (não sabe por que, mas lembrou dos Doze Trabalhos de Hércules). Comunicou que tinha que fazer um serviço urgente no quarto, ligou o micro (sem som, claro), acessou um desses you porn da vida e, para sua surpresa, antes mesmo que as moças acabassem de tirar a roupa para atacar um canastrão, resolveu o problema. Fácil assim.
Tampou o potinho, colocou dentro da jaqueta e pensou: "Por que será que esses laboratórios não se modernizam? Custava um LCD com uns pornozinhos passando?"
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
O potinho da discórdia (parte 2)
O Zé estava no laboratório para fazer o espermograma por exigência da provisoriamente ex-namorada Aninha. Na sala de espera teve a sensação de que todo mundo sabia o que ele ia fazer, imaginou como seria a "outra sala", pensou no que teria para se inspirar e em safadeza também. Até que uma atendente bonita o chamou pelo nome. "Tinha que ser gostosa?", pensou.
Ela o conduziu até a salinha, um cubículo com pia, poltrona e um balcãozinho. Sem janela. "Aqui está o potinho, você deposita aqui dentro sem desperdiçar nada. Aqui tem revistas e aqui a pia para você se lavar. Tranque a porta por dentro", falou a moça com a maior frieza. E saiu.
O Zé tinha consciência que ela sabia o que ele ia fazer. Mas não desistiu. Abriu a gaveta das revistas ("imagina quantos caras se inspiraram nelas, e são péssimas!"), pegou algumas, abriu o potinho, se posicionou, escolheu a melhor, começou a folhear, e mandou ver. Enquanto isso, lá fora, tinha pessoas falando, rindo, criança chorando, mas ele continuou. E aquilo começou a demorar ("será que vou falhar?"), e insistiu. Depois de algum tempo algum FDP tentou abrir a porta. Desconcentração total. Ele percebeu que pelo esforço, estava suando muito. Não tinha um espelho onde pudesse se ver, mas sentia que estava vermelho.
Tentou, tentou, trocou de revista, e tentou, trocou de mão, e tentou, trocou de pensamentos, e tentou, fez muita força, mas o máximo que conseguiu sentir foi uma cosquinha. E o suador. Sem falar que as revistas eram uma podreira só. Desistiu.
Ela o conduziu até a salinha, um cubículo com pia, poltrona e um balcãozinho. Sem janela. "Aqui está o potinho, você deposita aqui dentro sem desperdiçar nada. Aqui tem revistas e aqui a pia para você se lavar. Tranque a porta por dentro", falou a moça com a maior frieza. E saiu.
O Zé tinha consciência que ela sabia o que ele ia fazer. Mas não desistiu. Abriu a gaveta das revistas ("imagina quantos caras se inspiraram nelas, e são péssimas!"), pegou algumas, abriu o potinho, se posicionou, escolheu a melhor, começou a folhear, e mandou ver. Enquanto isso, lá fora, tinha pessoas falando, rindo, criança chorando, mas ele continuou. E aquilo começou a demorar ("será que vou falhar?"), e insistiu. Depois de algum tempo algum FDP tentou abrir a porta. Desconcentração total. Ele percebeu que pelo esforço, estava suando muito. Não tinha um espelho onde pudesse se ver, mas sentia que estava vermelho.
Tentou, tentou, trocou de revista, e tentou, trocou de mão, e tentou, trocou de pensamentos, e tentou, fez muita força, mas o máximo que conseguiu sentir foi uma cosquinha. E o suador. Sem falar que as revistas eram uma podreira só. Desistiu.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
O potinho da discórdia (parte 1)
No começo o namoro do Zé com a Aninha era só festa. Se divertiam muito e levavam a vida com leveza. Uns meses depois ela começou a tirar as asinhas para fora e ficou bem claro que o objetivo era "casar e ter filhos". E tinha pressa a danada. Ele percebeu a pequena obsessão, mas como se amavam foi empurrando com a barriga.
Só que um dia o Zé não se aguentou e para dar uma cutucada, resolveu brincar. No meio de uma conversa, como que distraído, soltou um "então, antes de eu fazer a vasectomia..." Coitada da Aninha, ficou lívida, chorou muito e pra desgraça do Zé não teve "era brincadeira" que resolvesse. Meteu-lhe um pé na bunda e só voltava a namorar se ele fizesse um espermograma.
O Zé ficou arrasado e deu o braço a torcer. Perguntou três vezes no telefone, pra moça do laboratório, se não tinha como fazer em casa. A atendente foi taxativa e afirmou que não, que no percurso "a coleta" perderia as características. Então o Zé se guardou os três dias exigidos "por lei" e foi no laboratório para o sacrifício.
Só que um dia o Zé não se aguentou e para dar uma cutucada, resolveu brincar. No meio de uma conversa, como que distraído, soltou um "então, antes de eu fazer a vasectomia..." Coitada da Aninha, ficou lívida, chorou muito e pra desgraça do Zé não teve "era brincadeira" que resolvesse. Meteu-lhe um pé na bunda e só voltava a namorar se ele fizesse um espermograma.
O Zé ficou arrasado e deu o braço a torcer. Perguntou três vezes no telefone, pra moça do laboratório, se não tinha como fazer em casa. A atendente foi taxativa e afirmou que não, que no percurso "a coleta" perderia as características. Então o Zé se guardou os três dias exigidos "por lei" e foi no laboratório para o sacrifício.
(continua)
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Opala vermelho (parte 6 - epílogo)
Eu e minha namorada conversávamos dentro do meu opala vermelho. Eu sabia que ela só confessava porque estava dopada.
"E daí? Que você havia transado com ele eu já desconfiava", eu disse, disfarçando a voz embargada.
"Foi sem proteção. Engravidei. Desculpa. Eu não quero acreditar. Eu vou tirar. Meu deus do céu, desculpa, eu vou tirar!" e desandou a chorar.
Minha namorada estava grávida. Dei-lhe um beijo demorado. Ela ficou sem ação.
"Não vai tirar coisa nenhuma. Vai ser um bebê só nosso. Alguém pra gente cuidar. Amo você". Acho que foi o momento em que me mantive mais forte em toda minha vida. Já estava tarde. Em Curitiba os domingos são extremamente silenciosos à noite. Passamos na Rua 24 Horas e comprei uma garrafa de vinho tinto. Vinho bom. "Vamos comemorar". A vida de quem ama tem que ser assim, uma comemoração atrás da outra.
Cabeceira da serra, céu estrelado. Tomamos o vinho e nos amamos escutando Lou Reed no toca-fitas do opalão vermelho. O toca-fitas que ela me deu. Ela era um Satellite of love no nosso planeta-opala. Depois do sexo nossos corpos suados esfriaram. "Vamos pegar o cobertor no porta-malas", sugeri. Desce comigo.
Ela ficou satisfeita por eu pensar em tudo. Abri o porta-malas. Estava escuro. "Me ajuda a procurar. Não tô enxergando", pedi. Ela se abaixou: "Não tem cobertor aqui..." Antes que levantasse deitei-lhe a garrafa vazia na cabeça. O golpe foi rápido e eficiente. Não desmaiou, ficou atordoada. Tranquei o porta-malas.
Minha namorada começou a chamar meu nome achando que era brincadeira. Dei a partida e levei o carro em marcha lenta até a beira do precipício. Ejetei a fita que já havia parado de tocar e coloquei no bolso. Engatei a primeira, pulei do opala em movimento até vê-lo despencar devagar montanha abaixo. Mereciam um fim digno.
:: 04.07.1995 ::
"E daí? Que você havia transado com ele eu já desconfiava", eu disse, disfarçando a voz embargada.
"Foi sem proteção. Engravidei. Desculpa. Eu não quero acreditar. Eu vou tirar. Meu deus do céu, desculpa, eu vou tirar!" e desandou a chorar.
Minha namorada estava grávida. Dei-lhe um beijo demorado. Ela ficou sem ação.
"Não vai tirar coisa nenhuma. Vai ser um bebê só nosso. Alguém pra gente cuidar. Amo você". Acho que foi o momento em que me mantive mais forte em toda minha vida. Já estava tarde. Em Curitiba os domingos são extremamente silenciosos à noite. Passamos na Rua 24 Horas e comprei uma garrafa de vinho tinto. Vinho bom. "Vamos comemorar". A vida de quem ama tem que ser assim, uma comemoração atrás da outra.
Cabeceira da serra, céu estrelado. Tomamos o vinho e nos amamos escutando Lou Reed no toca-fitas do opalão vermelho. O toca-fitas que ela me deu. Ela era um Satellite of love no nosso planeta-opala. Depois do sexo nossos corpos suados esfriaram. "Vamos pegar o cobertor no porta-malas", sugeri. Desce comigo.
Ela ficou satisfeita por eu pensar em tudo. Abri o porta-malas. Estava escuro. "Me ajuda a procurar. Não tô enxergando", pedi. Ela se abaixou: "Não tem cobertor aqui..." Antes que levantasse deitei-lhe a garrafa vazia na cabeça. O golpe foi rápido e eficiente. Não desmaiou, ficou atordoada. Tranquei o porta-malas.
Minha namorada começou a chamar meu nome achando que era brincadeira. Dei a partida e levei o carro em marcha lenta até a beira do precipício. Ejetei a fita que já havia parado de tocar e coloquei no bolso. Engatei a primeira, pulei do opala em movimento até vê-lo despencar devagar montanha abaixo. Mereciam um fim digno.
:: 04.07.1995 ::
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Opala vermelho (parte 5)
Nem tudo é perfeito. Na noite seguinte minha namorada estava estranha, não consegui perceber por que. No sábado saiu cedo com o opala sem dizer onde ia. Esperei o dia todo. Nada. No domingo andei pela cidade atrás dela até encontrar o opala vermelho parado na frente de um bar. Ela estava lá dentro com o Vaguinho. Ao me ver tentou se esconder. Estava drogada.
Tive que peitar o marginal para poder levá-la comigo. Assim que começamos a rodar ela chorou muito. Confessou que havia encontrado uma buchinha de cocaína na roupa do michê, que não resistiu e guardou para usar depois. "Pra quê? Não tava tudo legal entre a gente?" Antes ela era viciada. A gente se conheceu quando ela estava se tratando para largar.
Dei-lhe um abraço, trazendo-a bem perto de mim. Falei que a gente superava aquilo. Ela se acomodou feito uma menininha no meu peito.
"Por que você foi atrás do Vaguinho? Queria mais droga?" perguntei.
"Também. E tenho que contar uma coisa para você" ela estava com aqueles olhos de quem está fora de controle, injetados e tristes. "Você me aceita como eu sou, certo?"
"Certo."
"Com todos os meus defeitos, né? E você sabe que te amo."
"Gosto de você assim, do jeito que você é, minha loira."
"Sabe aquele toca fitas, eu não comprei com dinheiro. Pedi pro Vaguinho arrumar um pra mim. É uma coisa que eu queria muito dar pra você e eu não tenho condições."
"Eu já sabia disso. Eu conheço você, e gosto de você assim."
"Mas o Vaguinho não faz nada de graça, eu tive que dar pra ele. Não foi bom. Foi ruim, sujo."
Minha garganta apertou, o coração começou a bater forte. É difícil escutar esse tipo de coisa assim, na lata. Parei o carro.
(continua)
Tive que peitar o marginal para poder levá-la comigo. Assim que começamos a rodar ela chorou muito. Confessou que havia encontrado uma buchinha de cocaína na roupa do michê, que não resistiu e guardou para usar depois. "Pra quê? Não tava tudo legal entre a gente?" Antes ela era viciada. A gente se conheceu quando ela estava se tratando para largar.
Dei-lhe um abraço, trazendo-a bem perto de mim. Falei que a gente superava aquilo. Ela se acomodou feito uma menininha no meu peito.
"Por que você foi atrás do Vaguinho? Queria mais droga?" perguntei.
"Também. E tenho que contar uma coisa para você" ela estava com aqueles olhos de quem está fora de controle, injetados e tristes. "Você me aceita como eu sou, certo?"
"Certo."
"Com todos os meus defeitos, né? E você sabe que te amo."
"Gosto de você assim, do jeito que você é, minha loira."
"Sabe aquele toca fitas, eu não comprei com dinheiro. Pedi pro Vaguinho arrumar um pra mim. É uma coisa que eu queria muito dar pra você e eu não tenho condições."
"Eu já sabia disso. Eu conheço você, e gosto de você assim."
"Mas o Vaguinho não faz nada de graça, eu tive que dar pra ele. Não foi bom. Foi ruim, sujo."
Minha garganta apertou, o coração começou a bater forte. É difícil escutar esse tipo de coisa assim, na lata. Parei o carro.
(continua)
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Opala vermelho (parte 4)
Passei quase uma semana sem ver minha namorada, mas não resisti. Nem mesmo o opala vermelho tinha graça sem ela. Comprei flores e passei na casa dela. Tinha esquecido que minha namorada havia se tornado loira. A mãe dela não estava. Melhor. Fizemos as pazes.
Tudo voltou a ser como antes. Fizemos uma viagem no aniversário de namoro. Fomos até o litoral catarinense: Itapema e Bombinhas. Meio de semana, praias inteiras quase exclusivamente nossas. Algumas noites dormimos em pousadas. Em outras, o opala serviu de abrigo. Eu gostava de ficar olhando para ela, que brincava feito criança nas ondas do mar.
Na volta, nos amávamos feito nunca. Sensações cada vez mais intensas. Teve um dia em que resolvemos lembrar as antigas aventuras e fomos incomodar os michês na praça Ozório. Era o máximo pra eles quando apareciam mulheres atrás de programa. Estavam acostumados com velhos fedidos. Pegamos um bem novinho, no máximo 16 anos. Minha namorada sabia para quê.
"A gente vai fazer no carro mesmo" ela disse. O garoto estava nas alturas. Paramos fora da cidade numa estradinha vicinal. A noite estava sem um pingo de luz. Ela desceu do opala, sentou no capô e abriu a camisa. O garoto foi pra cima. Assim que se aproximou para tocá-la ela o empurrou violentamente com o pé: "Primeiro tira a roupa!" O corpo dele chegava a ser feminino de tão frágil.
Desci do carro com o pretexto de observar a nudez do rapaz. Ele se aproximou da minha namorada, tocou nos seios dela. Dei-lhe um safanão que ele quase desmontou sobre o capô. E outro que o atirou ao chão. Ela juntou as roupas dele e correu para dentro do opala. Antes de entrar, observei o garoto encolhido na terra batida, tremendo de frio e medo. Arranquei erguendo poeira. Minha namorada gritava de alegria. Eu via a satisfação nos olhos dela enquanto revistava as roupas e fazia uma trouxa que jogamos num carrinho de catador de papel.
Tudo voltou a ser como antes. Fizemos uma viagem no aniversário de namoro. Fomos até o litoral catarinense: Itapema e Bombinhas. Meio de semana, praias inteiras quase exclusivamente nossas. Algumas noites dormimos em pousadas. Em outras, o opala serviu de abrigo. Eu gostava de ficar olhando para ela, que brincava feito criança nas ondas do mar.
Na volta, nos amávamos feito nunca. Sensações cada vez mais intensas. Teve um dia em que resolvemos lembrar as antigas aventuras e fomos incomodar os michês na praça Ozório. Era o máximo pra eles quando apareciam mulheres atrás de programa. Estavam acostumados com velhos fedidos. Pegamos um bem novinho, no máximo 16 anos. Minha namorada sabia para quê.
"A gente vai fazer no carro mesmo" ela disse. O garoto estava nas alturas. Paramos fora da cidade numa estradinha vicinal. A noite estava sem um pingo de luz. Ela desceu do opala, sentou no capô e abriu a camisa. O garoto foi pra cima. Assim que se aproximou para tocá-la ela o empurrou violentamente com o pé: "Primeiro tira a roupa!" O corpo dele chegava a ser feminino de tão frágil.
Desci do carro com o pretexto de observar a nudez do rapaz. Ele se aproximou da minha namorada, tocou nos seios dela. Dei-lhe um safanão que ele quase desmontou sobre o capô. E outro que o atirou ao chão. Ela juntou as roupas dele e correu para dentro do opala. Antes de entrar, observei o garoto encolhido na terra batida, tremendo de frio e medo. Arranquei erguendo poeira. Minha namorada gritava de alegria. Eu via a satisfação nos olhos dela enquanto revistava as roupas e fazia uma trouxa que jogamos num carrinho de catador de papel.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Opala vermelho (parte 3)
Resolvi apresentar minha namorada para minha mãe, que fez um jantar especial porque eu pedi. Ela apareceu com o cabelo pintado de loiro. Minha mãe estranhou, pois eu já havia descrito, e muito, a "amiga" que ia nos visitar. De certo modo, acho que ela fez aquilo para me atingir. Por outro lado, no jantar se comportou feito uma dama e isso me agradou muito.
Depois saímos de opala, ela dirigindo, e passamos um bom tempo zoando. Numa esquina havia dois rapazes bem vestidos que pediram carona. Ela parou e convidou para entrarem no carro. Não fui nem um pouco simpática e ela notou. Mas não deixou de se insinuar para os dois. Encostou o carro perto de um bar — o lugar para onde eles estavam indo. Um deles tentava ser legal comigo. Isso me desarmou. Nunca fui mal educada.
Minha namorada se aproveitou e sugeriu que trocássemos de lugar — até ali estávamos as duas no banco da frente. Aquilo me revoltou. Falei que não estava passando bem. Os rapazes ficaram no bar e nós fomos até um dos nossos lugares. Ela tentou se justificar, disse que só queria se divertir um pouco, sair da rotina. Eu estava furiosa, cheguei a bater nela. Eu perdia o controle quando sentia que ela tocava em mim como quem puxa um prepúcio. Naquela noite não houve mais carinho.
Depois saímos de opala, ela dirigindo, e passamos um bom tempo zoando. Numa esquina havia dois rapazes bem vestidos que pediram carona. Ela parou e convidou para entrarem no carro. Não fui nem um pouco simpática e ela notou. Mas não deixou de se insinuar para os dois. Encostou o carro perto de um bar — o lugar para onde eles estavam indo. Um deles tentava ser legal comigo. Isso me desarmou. Nunca fui mal educada.
Minha namorada se aproveitou e sugeriu que trocássemos de lugar — até ali estávamos as duas no banco da frente. Aquilo me revoltou. Falei que não estava passando bem. Os rapazes ficaram no bar e nós fomos até um dos nossos lugares. Ela tentou se justificar, disse que só queria se divertir um pouco, sair da rotina. Eu estava furiosa, cheguei a bater nela. Eu perdia o controle quando sentia que ela tocava em mim como quem puxa um prepúcio. Naquela noite não houve mais carinho.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Opala vermelho (parte 2)
Eu e minha namorava curtíamos a vida no meu opalão vermelho. Então um dia resolvi ensiná-la a dirigir. Ela sempre foi meio burrinha para pegar as coisas. Íamos no estacionamento do parque Barigui, que ficava vazio nos dias de semana. Um susto pra cá, uma morrida ali, aos poucos ela foi se adaptando. No dia que aprendeu pra valer a gente estourou uma champanhe e comemorou vendo o por do sol, num lugar secreto que só eu conhecia.
Minha namorada ficava linda dirigindo o opala. Tiramos várias fotos dentro e fora do carro, em cada lugar que a gente ia. No meu aniversário ela me deu um toca-fitas dos mais caros. Fiquei emburrada pra saber onde é que conseguiu dinheiro. Ela me disse que estava há tempos guardando, só para me comprar um presente legal. Era mentira mas eu fiz que acreditei. "Se a gente ama, tem que fechar um olho" minha mãezinha dizia. Na verdade ela deve ter pedido o toca-fitas para um ex-namorado dela, o Vaguinho. Ladrãozinho barato de carros. Com certeza ele não entregou o som de mão beijada. Provavelmente ela teve que dormir com ele. Tudo bem, certas coisas eu não posso dar a uma mulher.
(continua)
Minha namorada ficava linda dirigindo o opala. Tiramos várias fotos dentro e fora do carro, em cada lugar que a gente ia. No meu aniversário ela me deu um toca-fitas dos mais caros. Fiquei emburrada pra saber onde é que conseguiu dinheiro. Ela me disse que estava há tempos guardando, só para me comprar um presente legal. Era mentira mas eu fiz que acreditei. "Se a gente ama, tem que fechar um olho" minha mãezinha dizia. Na verdade ela deve ter pedido o toca-fitas para um ex-namorado dela, o Vaguinho. Ladrãozinho barato de carros. Com certeza ele não entregou o som de mão beijada. Provavelmente ela teve que dormir com ele. Tudo bem, certas coisas eu não posso dar a uma mulher.
(continua)
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Opala vermelho (parte 1)
A gente parecia inatingível quando rodava pela cidade no meu opalão vermelho. Era antigo, eu sei, a pintura estava opaca, mas ele dava uma sensação maravilhosa de poder. Eu e minha namorada. A gente roubava um extintor de algum prédio e saía pela cidade para descarregar numa pessoa qualquer. "Ei, moço! O senhor pode dizer onde é que fica a rua Francisco Torres?" No momento que o velho se abaixava para dar a informação, toooooooff nele! Ficava inteiro branco sem saber o que fazer. E eu arrancava meu opalão vermelho cantando pneu. A gente se matando de dar risada.
Eu e minha namorada, no opalão, éramos loucas de dar nó. Lembro que a gente pegava uma caixa de ovos na casa da mãe dela — a coroa me odiava! — e passava pela praça do Atlético tacando os ovos nas cabeças dos travestis. Eles corriam quadras atrás da gente. Eu, de propósito, andava mais devagar, só para eles acharem que podiam alcançar. Então eu arrancava com tudo. Ficavam com mais ódio ainda. Todo travesti odiava meu opala. Eu e minha namorada, nós o amávamos.
E nos amávamos dentro dele. Assim, na rua mesmo, tarde da noite. Sem medo de sermos pegas de surpresa. Conversávamos até o vidro embaçar inteiro, depois pulávamos para o banco de trás — no banco de trás era mais gostoso — ficávamos semi-nuas e fazíamos de tudo. Ali era o nosso cantinho, onde ninguém nos incomodava. Nada de ir a lugares muito retirados como os parques. Nestes a polícia ficava à espreita dos casais imprudentes. Eu parava perto do centro, em ruas mais calmas. Ah, como era bom ela correndo o indicador pela alça do meu sutiã, descendo, enfiando o dedo entre o tecido e a pele, tocando no bico do meu seio.
(continua)
Eu e minha namorada, no opalão, éramos loucas de dar nó. Lembro que a gente pegava uma caixa de ovos na casa da mãe dela — a coroa me odiava! — e passava pela praça do Atlético tacando os ovos nas cabeças dos travestis. Eles corriam quadras atrás da gente. Eu, de propósito, andava mais devagar, só para eles acharem que podiam alcançar. Então eu arrancava com tudo. Ficavam com mais ódio ainda. Todo travesti odiava meu opala. Eu e minha namorada, nós o amávamos.
E nos amávamos dentro dele. Assim, na rua mesmo, tarde da noite. Sem medo de sermos pegas de surpresa. Conversávamos até o vidro embaçar inteiro, depois pulávamos para o banco de trás — no banco de trás era mais gostoso — ficávamos semi-nuas e fazíamos de tudo. Ali era o nosso cantinho, onde ninguém nos incomodava. Nada de ir a lugares muito retirados como os parques. Nestes a polícia ficava à espreita dos casais imprudentes. Eu parava perto do centro, em ruas mais calmas. Ah, como era bom ela correndo o indicador pela alça do meu sutiã, descendo, enfiando o dedo entre o tecido e a pele, tocando no bico do meu seio.
terça-feira, 1 de março de 2011
Cada surto que só acontece com o Zé - parte 2
A ética e o dilema
O Zé e as duas loiras monumentais conseguiram sair ilesos do bar de bêbados. No carro, a ucraniana ciumenta de cara fechada ao seu lado e a outra, simpática e aparentemente bem "facinha", atrás. Ele sugeriu pararem num lugar mais sossegado para beberem mais algumas e resolverem o drama, e ouviu da coisa emburrada um "me leva pra casa ou vou de táxi". Irritante até para monge budista. Circulou um pouco para espairecer.
Aí aconteceu a encruzilhada. Numa esquina em "T" o Zé se viu no seguinte dilema: se virasse à direita, levaria a linda e simpática primeiro pra casa e voltaria o resto do caminho com o estrupício; se virasse à esquerda levaria primeiro a ucraniana e o resto do caminho seria, no mínimo, agradável. Todo bom-senso e ética cavalheirística do mundo diziam que ele tinha que virar à direita, e ele parado no cruzamento mirando de canto de olho a cara de cu ao lado.
A vida é curta. O Zé virou à esquerda, óbvio. A ucraniana começou a berrar "para que vou descer ", e desceu do carro batendo porta, jogou a bolsa no chão, armou um barraco no meio da rua às onze e meia da noite, chamando a outra de piranha e o Zé de vagabundo.
Rapidinho, antes que começassem a voar pedras, o Zé deu a volta com a simpática no banco de trás mesmo. Quebrada a esquina crítica, parou para a moça passar ao banco da frente, e não a deixou em casa não. Esticou para um boteco no centro, tomaram umas "para acalmar" — ela nervosa, mas ainda simpática — e a situação continuava tensa: no boteco, cada um recebeu mais de cinco mensagens de celular da ucraniana (nada educadas).
Era tácito que não poderiam se agarrar ou ter um caso, e verbalizaram isso, fizeram um trato. Ele a levou para a casa dela e na hora da despedida rolou o maior amasso. Coisas combinadas só dão mais vontade.
:: 25.02.2011 ::
O Zé e as duas loiras monumentais conseguiram sair ilesos do bar de bêbados. No carro, a ucraniana ciumenta de cara fechada ao seu lado e a outra, simpática e aparentemente bem "facinha", atrás. Ele sugeriu pararem num lugar mais sossegado para beberem mais algumas e resolverem o drama, e ouviu da coisa emburrada um "me leva pra casa ou vou de táxi". Irritante até para monge budista. Circulou um pouco para espairecer.
Aí aconteceu a encruzilhada. Numa esquina em "T" o Zé se viu no seguinte dilema: se virasse à direita, levaria a linda e simpática primeiro pra casa e voltaria o resto do caminho com o estrupício; se virasse à esquerda levaria primeiro a ucraniana e o resto do caminho seria, no mínimo, agradável. Todo bom-senso e ética cavalheirística do mundo diziam que ele tinha que virar à direita, e ele parado no cruzamento mirando de canto de olho a cara de cu ao lado.
A vida é curta. O Zé virou à esquerda, óbvio. A ucraniana começou a berrar "para que vou descer ", e desceu do carro batendo porta, jogou a bolsa no chão, armou um barraco no meio da rua às onze e meia da noite, chamando a outra de piranha e o Zé de vagabundo.
Rapidinho, antes que começassem a voar pedras, o Zé deu a volta com a simpática no banco de trás mesmo. Quebrada a esquina crítica, parou para a moça passar ao banco da frente, e não a deixou em casa não. Esticou para um boteco no centro, tomaram umas "para acalmar" — ela nervosa, mas ainda simpática — e a situação continuava tensa: no boteco, cada um recebeu mais de cinco mensagens de celular da ucraniana (nada educadas).
Era tácito que não poderiam se agarrar ou ter um caso, e verbalizaram isso, fizeram um trato. Ele a levou para a casa dela e na hora da despedida rolou o maior amasso. Coisas combinadas só dão mais vontade.
:: 25.02.2011 ::
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Cada surto que só acontece com o Zé - parte 1
Teste de paciência
Uma babá do condomínio do Zé começou a dar umas olhadas diferentes. Loira, alta, bonita mesmo! O porteiro (que como se sabe, "é a mãe") ajudou nos contatos e ele saiu com a gata. Ela tinha sotaque aberto típico do interior "polaco" do Paraná, era de lá, e por isso o Zé passou a chamá-la de ucraniana. E acabou rolando na primeira saída.
Vai saber os demônios da moça, mas ela ficou enfezada com isso, talvez culpa. Fique frizado que o Zé não prometeu nada, nem foi romântico.
Conversaram, então, de fazer alguma coisa outro dia, de o Zé chamar um amigo, dela chamar uma amiga, irem num barzinho socializar. Só que no dia em que tinham combinado o amigo do Zé pegou uma caganeira.
Ela topou de sairem os três, mas, antes, falou 32 vezes que a amiga era linda. Pior que acabaram caindo em um boteco cheio de bêbados, e o Zé com duas loiras monumentais. E a ucraniana foi ficando puta (nos dois sentidos) porque o Zé não estava de romance pra cima dela.
Quando voltou de uma das idas ao banheiro o Zé encontrou um cara babando em cima delas. Pediu educadamente para o bêbado inconveniente sair e sentou do outro lado da mesa. Conversaram bastante, e como o Zé entendeu as "32 vezes" como advertência, em tudo se dirigia a ambas para não gerar ciúme. Não adiantou. Enquanto a amiga continuava falante e simpática, a ucraniana se tornava carrancuda. Resolveram ir embora.
Passaram pelo corredor polonês dos bêbados mas sobreviveram. Quando entraram no carro a ucraniana emburrou de vez e começou a cantar a música da piriguete. Isso que o Zé mal olhou para a amiga — que a propósito, era bem boa de olhar.
(continua)
Uma babá do condomínio do Zé começou a dar umas olhadas diferentes. Loira, alta, bonita mesmo! O porteiro (que como se sabe, "é a mãe") ajudou nos contatos e ele saiu com a gata. Ela tinha sotaque aberto típico do interior "polaco" do Paraná, era de lá, e por isso o Zé passou a chamá-la de ucraniana. E acabou rolando na primeira saída.
Vai saber os demônios da moça, mas ela ficou enfezada com isso, talvez culpa. Fique frizado que o Zé não prometeu nada, nem foi romântico.
Conversaram, então, de fazer alguma coisa outro dia, de o Zé chamar um amigo, dela chamar uma amiga, irem num barzinho socializar. Só que no dia em que tinham combinado o amigo do Zé pegou uma caganeira.
Ela topou de sairem os três, mas, antes, falou 32 vezes que a amiga era linda. Pior que acabaram caindo em um boteco cheio de bêbados, e o Zé com duas loiras monumentais. E a ucraniana foi ficando puta (nos dois sentidos) porque o Zé não estava de romance pra cima dela.
Quando voltou de uma das idas ao banheiro o Zé encontrou um cara babando em cima delas. Pediu educadamente para o bêbado inconveniente sair e sentou do outro lado da mesa. Conversaram bastante, e como o Zé entendeu as "32 vezes" como advertência, em tudo se dirigia a ambas para não gerar ciúme. Não adiantou. Enquanto a amiga continuava falante e simpática, a ucraniana se tornava carrancuda. Resolveram ir embora.
Passaram pelo corredor polonês dos bêbados mas sobreviveram. Quando entraram no carro a ucraniana emburrou de vez e começou a cantar a música da piriguete. Isso que o Zé mal olhou para a amiga — que a propósito, era bem boa de olhar.
(continua)
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Esporte radical de farofeiro - parte 2
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| Aquecimento - tá servida, madade? |
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| Prontos para a grande aventura |
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| Jeito politicamente correto de praticar o "esporte"- Fonte: Paraná Online |
Pareceu bastante racional a decisão, não fosse o fato de estarmos de barriga vazia e com toda aquela inundação etílica. Dos outros eu não sei, e do Renatão, que continuava dirigindo, não quero nem pensar, mas mal a kombi começou a andar deitei no assoalho de ferro e só fui acordar na porta da churrascaria.
:: 26.08.2010 ::
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Esporte radical de farofeiro - parte 1
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| Reparem onde ele está sentado |
Perto do meio-dia os caras chegaram em casa, já emborcando uma garrafa de conhaque na amplidão da kombi. O Renatão na boleia, o Oscar de copiloto e atrás nos amontoamos eu, o Ygor e a bagagem. Explico: por causa da mudança, os bancos de trás da kombi tinham sido retirados.
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| Daqui ninguém me tira |
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| Pose educativa no Portal da Graciosa |
Demos umas paradas no caminho, em cada uma delas carregamos a kombi de cervas e tiramos fotos. Em geral educativas.
(continua)
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Sonho de consumo - parte 3 - Coda
Antes que pudesse perguntar o que significava aquilo, a toalha branca caiu e a vizinha se atracou no Zé. E como Salete não deixava barato, pulou em cima do playboy. E aquilo virou uma suruba como o Zé jamais havia sonhado. Nunca passou pela cabeça dele o quanto a competição entre mulheres poderia ser prazerosa no ponto de vista da sacanagem. Salete dedicou-se com paixão nos diversos boquetes, em ambos. Não que ver homem pelado agradasse o Zé, mas para pegar a potranca da vizinha arriscaria até uma cruzada de espadas acidental.
Quando todos despencaram no chão depois de muita troca de fluidos, a vizinha apareceu vestida, acordou discretamente o Zé e pé-ante-pé saíram dali para casa. Ela se despediu na porta do apartamento dele com um beijo carinhoso no rosto — daqueles que prometem mais — e um "Maria, com muito prazerrr" (erre raspadinho).
No conforto da sua cama, o Zé matutou se teria sido coincidência, ou a convite de quem, a Salete estar na festinha. Deduziu, com meio sorriso no rosto, que saberia bem rápido a resposta. Aliás, a vizinhança toda saberia, pelo inevitável barraco que a Salete armaria no decorrer do dia. Melhor não sofrer por antecedência. Dormiu.
Na manhã seguinte, ao passar pela portaria rumo à feijoada com os amigos, cruzou o playboy. Deixou escapar um "opa!" e vazou o mais rápido que pôde, antes que tivesse que dar explicações.
:: 07.04.2010 ::
Quando todos despencaram no chão depois de muita troca de fluidos, a vizinha apareceu vestida, acordou discretamente o Zé e pé-ante-pé saíram dali para casa. Ela se despediu na porta do apartamento dele com um beijo carinhoso no rosto — daqueles que prometem mais — e um "Maria, com muito prazerrr" (erre raspadinho).
No conforto da sua cama, o Zé matutou se teria sido coincidência, ou a convite de quem, a Salete estar na festinha. Deduziu, com meio sorriso no rosto, que saberia bem rápido a resposta. Aliás, a vizinhança toda saberia, pelo inevitável barraco que a Salete armaria no decorrer do dia. Melhor não sofrer por antecedência. Dormiu.
Na manhã seguinte, ao passar pela portaria rumo à feijoada com os amigos, cruzou o playboy. Deixou escapar um "opa!" e vazou o mais rápido que pôde, antes que tivesse que dar explicações.
:: 07.04.2010 ::
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CONTO - CONQUISTADORES BARATOS,
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