Sabe essas coisas de cuidado de mãe que quando a gente lembra dá a maior vergonha? Pois é. Tinha um amigo que virou chacota na escola por secar o bilau com papel higiênico depois de mijar. Sei que é politicamente incorreto dizer, mas foi pura falta de referência masculina. Imagina o marmanjo insistir no hábito e, num bar ou coisa que o valha, ficar catando papelzinho pra secar o ditocujo na frente dos outros... [pausa para reflexão: uma amiga disse certa vez que largou um namorado por causa desse hábito lamentável, e que pior que isso só homem mijar sentado]
O fato é que toda mãe se preocupa com o filho naquela fase, pelos cinco anos, em que adquire autonomia pra limpar a bunda. A falta de prática e precisão ocasiona assaduras e problemas de cunho olfativo. Em minha casa de infância tinha bidê, e assim foi resolvido o problema (constrangimento). Mas uma tia não tinha bidê ou duchinha, e ensinou meu primo, um pouco mais novo que eu, a usar uma tal "toalhinha". Ele tirava o grosso com PH, depois molhava a toalha (de pano) e passava lá. Deixava tudo limpinho, quer dizer, o cu, porque a toalha ficava nojenta. Mas era só lavar e beleza.
Só que o plano da tia não era infalível. Nem precisa dizer que a estratégia gorou justo numa festa de família, com todo mundo reunido na casa de outra tia, mais abastada e meio fresca. O fato é que meu primo, no afã de mostrar autonomia, foi ao banheiro sozinho, e não encontrando a toalhinha, pegou a primeira de banho que achou, toda branquinha, molhou em certos lugares e mandou ver. A casa caiu quando uma prima nojentinha e adolescente gritou no banheiro. Todo mundo foi ver o que tinha acontecido, e o que se viu foi aquela obra de arte estendida na parede, cheia de freadas de fusca e caloi 10. Diante do rebuliço, o moleque sumiu, e só foi encontrado algum tempo depois debaixo da cama.
:: 24.09.2009 ::
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
domingo, 20 de setembro de 2009
In video veritas
Esparramado no colo quente depois de uma garrafa e meia de vinho, foi flagrado cochilando duas vezes em meio ao palavrório dela, que fazia menção de ir embora pela “afronta”. Por isso ele tentava, em vão, dizer alguma coisa coerente, mas as palavras saíam desencontradas:
"Não estou dormindo! Olha, vou acordar"
"Você chegou a roncar enquanto eu falava."
"Eu não ronco, quem ronca é você."
"Nunca ninguém disse que me viu roncando."
No meio do transe — agravado por um dia que tinha sido daqueles — ainda confuso, ele pensou que a única forma de provar era filmando, mas soltou um "é só ver o filme..."
Ela levantou de sobressalto, ruborizada: "Você quer dizer que filma o que acontece no seu quarto?"
"Você entendeu errado..."
"Entendi muito bem! Não acredito que você teve coragem de fazer isso comigo!"
Aí ele até despertou. Nem precisa contar que se seguiu uma longa discussão sobre o absurdo que seria uma câmera escondida no quarto. Mas não teve jeito, ela saiu batendo porta. Teria que dormir sozinho naquela noite fria. Fazer o quê? Só restou assistir ao vídeo da loirona da noite anterior.
:: 20.09.2009 ::
"Não estou dormindo! Olha, vou acordar"
"Você chegou a roncar enquanto eu falava."
"Eu não ronco, quem ronca é você."
"Nunca ninguém disse que me viu roncando."
No meio do transe — agravado por um dia que tinha sido daqueles — ainda confuso, ele pensou que a única forma de provar era filmando, mas soltou um "é só ver o filme..."
Ela levantou de sobressalto, ruborizada: "Você quer dizer que filma o que acontece no seu quarto?"
"Você entendeu errado..."
"Entendi muito bem! Não acredito que você teve coragem de fazer isso comigo!"
Aí ele até despertou. Nem precisa contar que se seguiu uma longa discussão sobre o absurdo que seria uma câmera escondida no quarto. Mas não teve jeito, ela saiu batendo porta. Teria que dormir sozinho naquela noite fria. Fazer o quê? Só restou assistir ao vídeo da loirona da noite anterior.
:: 20.09.2009 ::
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Museu de cera ou trem fantasma
Vagando entre as representações vulgares do museu de cera, sinto um vento frio de mofo, provavelmente encanado de alguma entrada de ar. Impossível conter o arrepio. Algumas das imagens são violentas. Uma pequena placa diz que a roupa rasgada da atriz famosa estupro-assassinada em Bucareste é autêntica. Comprada num leilão antes do tempo do e-Bay, penso. O sangue de tinta barata limita o poder de encantamento.Ela passa rente a mim e insinua um sorriso malicioso. Não tem medo nos olhos. Aliás, parece que o olho esquerdo é de vidro. Porta do banheiro entreaberta, cinta-liga sob a saia arriada, entro sem pedir permissão.
Textura de cera na pele, temperatura elevada entre as pernas, não estou certo se ela é real, mas cedo a minha tentação de macho. Ela, silenciosa, emite pouco mais que uma respiração pesada. Minha cera se funde à dela.
Ela vem comigo até a saída mas não me acompanha. Nas imediações, numa mesa reservada que permite observar a saída do museu, começo a noite aquecido por conhaque e café.
:: 15.09.2009 ::
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Ódio, o irmão bastardo do amor
Esse conto sensacional é da Maria. Ela deu de presente pro MCP porque, como ela, o Blog da Maria é elegante, e falar dessas coisas de violência perversa não combina. A escrita dela é elegante e bem pensada. Porque a Maria pensa muito e pensa bem. De repente a atração dela pelo MCP está justamente no fato de publicarmos aquilo que muitas vezes é impensável. Aproveitem, porque [o que escreve] a Maria dá prazer.
Dizem que matar alguém a facadas é uma empreitada difícil para o assassino. É necessário força física e estômago resistente. Experimente enfiar uma faca num pedaço de carne comprado no supermercado. Não é o mesmo que enfiá-la num bloco de isopor. Some a isto tendões e ossos que estarão no caminho a cada vez que você perfurar o corpo da pessoa. Não é nem o mesmo do que enfiá-la no pedaço de carne. A vítima sangra, e o sangue inunda o local de cheiro e calor, tornando ainda mais difícil a operação. Dão sorte aqueles que logo nas primeiras estocadas conseguem matar a vítima. Não são raros os cadáveres neste tipo de homicídio virem com 17, 20, 26 perfurações. Geralmente a morte se dá na sétima ou oitava, mas aí o sujeito já está tomado pelo desespero e continua perfurando até dissipar todo o ódio. Sim, matar alguém a facadas é um ato de ódio. Foram uns policiais da homicídios que me contaram essas histórias de gente que morreu e matou com facadas. São histórias impressionantes. E eu até comecei a entender aquele pessoal que diz que o contrário do amor não é o ódio.
Dizem que matar alguém a facadas é uma empreitada difícil para o assassino. É necessário força física e estômago resistente. Experimente enfiar uma faca num pedaço de carne comprado no supermercado. Não é o mesmo que enfiá-la num bloco de isopor. Some a isto tendões e ossos que estarão no caminho a cada vez que você perfurar o corpo da pessoa. Não é nem o mesmo do que enfiá-la no pedaço de carne. A vítima sangra, e o sangue inunda o local de cheiro e calor, tornando ainda mais difícil a operação. Dão sorte aqueles que logo nas primeiras estocadas conseguem matar a vítima. Não são raros os cadáveres neste tipo de homicídio virem com 17, 20, 26 perfurações. Geralmente a morte se dá na sétima ou oitava, mas aí o sujeito já está tomado pelo desespero e continua perfurando até dissipar todo o ódio. Sim, matar alguém a facadas é um ato de ódio. Foram uns policiais da homicídios que me contaram essas histórias de gente que morreu e matou com facadas. São histórias impressionantes. E eu até comecei a entender aquele pessoal que diz que o contrário do amor não é o ódio.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Alguém lá dos tops gosta "de nós"
Então estava o contista marginal aqui sapeando no Analytics e descobriu que no domingo 31 de agosto os acessos ao MCP aumentaram uns 300%. E fomos buscar as causas:
aaa) teria sido porque divulgamos num certo grupo de blogueiros que o MCP é um lugar bom pra aprender a "pegar mulher"?
bbb) alguma tuitada nossa com link caiu nas graças desses caras que têm 30 mil seguidores?
ccc) algum blog dos grandes/profissionais citou o MCP?
Investigação feita, descobrimos que 31 de agosto era o BlogDay, e que o Bem Legaus, um blog supimpa de design, indicou o MCP. O autor é o André -- que é de Curitiba e estudou em nossa fatídica turma de Publicidade & Propaganda da UFPR 1988/1991. O blog é sensacional e autoexplicável, nem precisamos rasgar seda.
Obrigado ao André e aos leitores dele que vieram se chocar aqui com a gente (ainda bem que o conto que estava no ar era dos mais levinhos, hehe).
A nossa panela de leitores/amigos e perversettes perguntamos: ninguém se ligou que era BlogDay ou estamos (o contista aqui) efetivamente no cúmulo da alienação?
aaa) teria sido porque divulgamos num certo grupo de blogueiros que o MCP é um lugar bom pra aprender a "pegar mulher"?
bbb) alguma tuitada nossa com link caiu nas graças desses caras que têm 30 mil seguidores?
ccc) algum blog dos grandes/profissionais citou o MCP?
Investigação feita, descobrimos que 31 de agosto era o BlogDay, e que o Bem Legaus, um blog supimpa de design, indicou o MCP. O autor é o André -- que é de Curitiba e estudou em nossa fatídica turma de Publicidade & Propaganda da UFPR 1988/1991. O blog é sensacional e autoexplicável, nem precisamos rasgar seda.
Obrigado ao André e aos leitores dele que vieram se chocar aqui com a gente (ainda bem que o conto que estava no ar era dos mais levinhos, hehe).
A nossa panela de leitores/amigos e perversettes perguntamos: ninguém se ligou que era BlogDay ou estamos (o contista aqui) efetivamente no cúmulo da alienação?
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Sopa com as amigas
Noite fria, fui tomar sopa no Baviera com minhas amigas balzacas. Mesmo que o encontro fosse só entre mulheres não deixei de me arrumar bonita e sexy. O Baviera é um restaurante tradicional e funciona num casarão antigo do Largo da Ordem. Fazia tempo que eu não ia lá.
Parei no estacionamento da casa e entrei por um acesso nos fundos, mais fácil para quem deixava o carro ali. Na porta um rapaz bem vestido perguntou se alguém me aguardava. Respondi "Sim, minhas amigas!"
Enquanto a recepcionista pedia meu telefone, notei que a porta estava almofadada por dentro em couro sintético. Passei os olhos pelo recinto, comentando como havia mudado, "Puxa, agora é estilo barzinho!" Tinha mesas pequenas com casais conversando. Novamente veio a pergunta "Alguém a espera?", eu disse "Sim, minhas amigas já estão jantando!", ao que a recepcionista respondeu "Mas aqui não é restaurante".
Explico: depois da reforma a entrada do Baviera tinha ficado exclusiva pela outra rua que contornava o sobrado de esquina. Na parte de baixo, onde eu estava, funcionava uma sauna vip. Troquei uma risadinha cúmplice com o segurança na saída quando ouvi "É, bem que achei estranho mesmo." Perguntei se não dava para deixar o carro al. Infelizmente não. Estacionei fora e fui ao encontro das balzacas e das sopas, com assunto para o resto da noite.
:: 19.08.2003 :: Historinha contada por uma amiga que, sabe-se lá porque, não quis se identificar
Parei no estacionamento da casa e entrei por um acesso nos fundos, mais fácil para quem deixava o carro ali. Na porta um rapaz bem vestido perguntou se alguém me aguardava. Respondi "Sim, minhas amigas!"
Enquanto a recepcionista pedia meu telefone, notei que a porta estava almofadada por dentro em couro sintético. Passei os olhos pelo recinto, comentando como havia mudado, "Puxa, agora é estilo barzinho!" Tinha mesas pequenas com casais conversando. Novamente veio a pergunta "Alguém a espera?", eu disse "Sim, minhas amigas já estão jantando!", ao que a recepcionista respondeu "Mas aqui não é restaurante".
Explico: depois da reforma a entrada do Baviera tinha ficado exclusiva pela outra rua que contornava o sobrado de esquina. Na parte de baixo, onde eu estava, funcionava uma sauna vip. Troquei uma risadinha cúmplice com o segurança na saída quando ouvi "É, bem que achei estranho mesmo." Perguntei se não dava para deixar o carro al. Infelizmente não. Estacionei fora e fui ao encontro das balzacas e das sopas, com assunto para o resto da noite.
:: 19.08.2003 :: Historinha contada por uma amiga que, sabe-se lá porque, não quis se identificar
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Manteiga verde
Os vizinhos ligaram pra minha mulher dizendo que a diarista estava passando mal. A coitada achava que ia morrer, isso que ela é super gente fina. A patroa foi de carro levá-la no hospital e ainda deu uma passada aqui no trabalho. Imagina a preocupação. E lá foram as duas.
Eu só saquei quando cheguei em casa e vi dois papeizinhos de brigadeiro no lixo. Como eles estavam há um tempão no congelador eu nem lembrava mais. Mas ai já era tarde. E deve ter batido de uma vez só, porque a diarista largou tudo aberto, as coisas esparramadas...
O médico ainda perguntou se a diarista tinha tomado alguma droga, mas como ninguém sabia, o diagnóstico foi stress e ficou por isso mesmo.
O tal brigadeiro com manteiga verde bate bonito. Vale a pena tentar, mas convém comer aos poucos, pois demora uns quarenta minutos pra bater, dependendo se o estômago está vazio.
O foda foi que só descobri o motivo do "surto" bem depois. Se soubesse antes, eu comprava uma coca dois litros, uns pacotes de salgadinhos e bolacha recheada e deixava a diarista vendo desenho animado, que ficava tudo certo.
===============================
A RECEITA
Em geral as receitas da internet cficam só no refogar o "capim" e usar a gordura que sobra do refogado. Funciona, mas não fica tão bom por dois motivos:
- as impurezas dos insumos são invariavelmente comidas
- a quantidade de "reagenTHCe" é reduzida (o reagente começa a desmanchar quando submetido a uma temperatira superior a 120 graus)
Como o capim paraguaio standard que se consegue por aqui não é um primor de higiene e pureza, o melhor método é o da panela de pressão.
Coloque uns cinco copos de água, uns 30 g de chá paraguaio prensado e 150 g de manteiga numa panela de pressão. Põe tudo pra cozinhar e deixe na panela 20 minutos depois que começar a ferver. Cuidado nessa parte: sai um cheiro bem característico!
Depois é só coar tudo num pano (pra tirar os galhos) e deixar o líquido que sobra do processo descansando em um recipiente. Em pouco tempo a manteiga (mais leve) irá se juntar na parte de cima e o resultado final será uma água bem suja (que deve ser jogada fora) por baixo e uma manteiga verde (um tom bem bonito até) por cima, que pode ser usada pra qualquer receita.
Você usa pra fazer brownie, nega-maluca, brigadeiro, o que quiser. A seguir uma receita de caramelo, bem interessante (porque usa bastante manteiga):
Ingredientes
- 400 g de glucose de milho
- 1 lata de leite condensado
- 180 g de manteiga
- 350 g de açúcar
Modo de preparo: leve ao fogo baixo todos os ingredientes e mexa sem parar até dar o ponto de bala. Teste o ponto em água fria. Untar um tabuleiro (30 x 21 cm) com manteiga. Colocar o caramelo. Esperar esfriar e cortar. Cortar com tesoura as tiras e em seguida, na transversal, os pequenos caramelos.
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Eu só saquei quando cheguei em casa e vi dois papeizinhos de brigadeiro no lixo. Como eles estavam há um tempão no congelador eu nem lembrava mais. Mas ai já era tarde. E deve ter batido de uma vez só, porque a diarista largou tudo aberto, as coisas esparramadas...
O médico ainda perguntou se a diarista tinha tomado alguma droga, mas como ninguém sabia, o diagnóstico foi stress e ficou por isso mesmo.
O tal brigadeiro com manteiga verde bate bonito. Vale a pena tentar, mas convém comer aos poucos, pois demora uns quarenta minutos pra bater, dependendo se o estômago está vazio.
O foda foi que só descobri o motivo do "surto" bem depois. Se soubesse antes, eu comprava uma coca dois litros, uns pacotes de salgadinhos e bolacha recheada e deixava a diarista vendo desenho animado, que ficava tudo certo.
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A RECEITA
Em geral as receitas da internet cficam só no refogar o "capim" e usar a gordura que sobra do refogado. Funciona, mas não fica tão bom por dois motivos:
- as impurezas dos insumos são invariavelmente comidas
- a quantidade de "reagenTHCe" é reduzida (o reagente começa a desmanchar quando submetido a uma temperatira superior a 120 graus)
Como o capim paraguaio standard que se consegue por aqui não é um primor de higiene e pureza, o melhor método é o da panela de pressão.
Coloque uns cinco copos de água, uns 30 g de chá paraguaio prensado e 150 g de manteiga numa panela de pressão. Põe tudo pra cozinhar e deixe na panela 20 minutos depois que começar a ferver. Cuidado nessa parte: sai um cheiro bem característico!
Depois é só coar tudo num pano (pra tirar os galhos) e deixar o líquido que sobra do processo descansando em um recipiente. Em pouco tempo a manteiga (mais leve) irá se juntar na parte de cima e o resultado final será uma água bem suja (que deve ser jogada fora) por baixo e uma manteiga verde (um tom bem bonito até) por cima, que pode ser usada pra qualquer receita.
Você usa pra fazer brownie, nega-maluca, brigadeiro, o que quiser. A seguir uma receita de caramelo, bem interessante (porque usa bastante manteiga):
Ingredientes
- 400 g de glucose de milho
- 1 lata de leite condensado
- 180 g de manteiga
- 350 g de açúcar
Modo de preparo: leve ao fogo baixo todos os ingredientes e mexa sem parar até dar o ponto de bala. Teste o ponto em água fria. Untar um tabuleiro (30 x 21 cm) com manteiga. Colocar o caramelo. Esperar esfriar e cortar. Cortar com tesoura as tiras e em seguida, na transversal, os pequenos caramelos.
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Então... foi isso que "me contaram". No mais, não sei de nada, não vi nada, não escutei nada. E mais uma vez: cuidado pra ninguém comer por engano (mesmo engraçada, a situação é complicada). E nada de fazer biscoitinho e deixar no chá da tarde da vovó e das tias, hein?
A mesma coisa já tinha acontecido com uns colegas na facul, que moravam numa república. Mas pra eles foi pior. A diarista ficou bem louca, começou a dançar... e acabou apanhando do marido quando chegou doidona em casa.
Classificar este relato como conto (ou não) fica para os literatos. Estruturamos a partir de uma conversa num "fórum" com um camarada que, por motivos óbvios, preferiu não se identificar. Ficou mais longo que os MCPs tradicionais, mas não dava pra publicar sem a (impagável) receita. O fato é que a narrativa em recordação e a revelação do "objeto" aos poucos ficaram bem interessantes... Se mudar de idéia, caro colaborador, avisa que lincamos seu blog aqui,com todo o crédito, ok?
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Uma noite qualquer
Esta noite, em Bangladesh, um homem acordará com espanto daquele que julgava ser seu último sono. Enquanto Eros segue desatento, em um casebre miserável uma menina conhecerá a dor e o prazer. Jamais saberá distingui-los.
Esta noite, numa cidade qualquer, uma mulher incendiará as vestes com seu próprio fogo... e assim se consumirá. Aqui ao lado, um homem vai se afogar em seu copo. Estranhamente, ninguém ao redor perceberá.
A Indesejada das Gentes arrastará seu longo manto lentamente, senhora do tempo.
:: 21.02.2007 :: Soprado por Lani, a contadora de histórias desaparecida
Esta noite, numa cidade qualquer, uma mulher incendiará as vestes com seu próprio fogo... e assim se consumirá. Aqui ao lado, um homem vai se afogar em seu copo. Estranhamente, ninguém ao redor perceberá.
A Indesejada das Gentes arrastará seu longo manto lentamente, senhora do tempo.
:: 21.02.2007 :: Soprado por Lani, a contadora de histórias desaparecida
terça-feira, 11 de agosto de 2009
A menina mais bonita é bem aquela que gosta de bichos esquisitos
Eu já tinha colocado a viola no saco, a despeito da beleza cristalina e dos 18 anos dela, quando falou que ia trabalhar de bartender numa boate de baixa categoria na Cruz Machado (ops). Tudo bem que ia fazer drinks e não necessariamente programa, mas acredito piamente que o meio faz o homem.
Foi aí que lembrou que ia ganhar do pai um esquilo, mas que queria na verdade uma cobra (ops). Comentou que um amigo tinha uma caranguejeira, e que ele gostava de andar com a bichinha pela rua, amarrada numa cordinha “tipow” coleira, e que um dia, numa distração, um transeunte tacou o pé na peluda. O amigo e ela choraram aos cântaros.
Quando perguntei se não servia eu de estimação, ela disse que era meio ruim com os bichinhos, que um dia tinha jogado a tartaruguinha na parede (ops) e que gostava de alisar os peixinhos por longos períodos fora do aquário, na mão, até quase pararem de se mexer (ops! ops! ops!).
Ela tinha um sorriso lindo, um conjunto perfeito e até que brincava bem “no ninho”, mas de manhã a deixei em casa e disse que estava de partida pra Nova Zelândia.
:: 11.08.2009 ::
Foi aí que lembrou que ia ganhar do pai um esquilo, mas que queria na verdade uma cobra (ops). Comentou que um amigo tinha uma caranguejeira, e que ele gostava de andar com a bichinha pela rua, amarrada numa cordinha “tipow” coleira, e que um dia, numa distração, um transeunte tacou o pé na peluda. O amigo e ela choraram aos cântaros.
Quando perguntei se não servia eu de estimação, ela disse que era meio ruim com os bichinhos, que um dia tinha jogado a tartaruguinha na parede (ops) e que gostava de alisar os peixinhos por longos períodos fora do aquário, na mão, até quase pararem de se mexer (ops! ops! ops!).
Ela tinha um sorriso lindo, um conjunto perfeito e até que brincava bem “no ninho”, mas de manhã a deixei em casa e disse que estava de partida pra Nova Zelândia.
:: 11.08.2009 ::
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Trabalho em equipe [ou o diálogo que entrou pra mitologia da agência de propaganda]
Mais um continho sensacional do Victor Hugo, que aqui dispensa apresentações -- ao leitor novo, é só clicar ali embaixo no marcador CONTRIBUIÇÃO que várias dele aparecem. O conto tem uns jargõezinhos de agência de propaganda (atendimento, dupla de criação, apresentar etc.). Em caso de dificildade, pergunta nos comentários que a gente contextualiza E especialmente pro autor: quase linc(ç)amos a empresa em que esse conto se deu ou foi concebido...
A menina do atendimento conversando com a dupla de criação que fez de última hora o anúncio que ela vai apresentar assim que terminar a impressão.
- Ai, não sei mais o que faço, ele não liga pra mim.
Redator meio puto:
- Que foda! (não se sabe se pelo assunto ou pela situação)
- Sabe o que é? Eu sou doida por ele e bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla faria qualquer coisa para ele me valorizar.
O diretor de arte e o redator se olham, ambos de ressaca e no pior mau humor da vida, e soltam em uníssono:
- Dá o cu pra ele!
Ela pega a peça que terminou de ser impressa e sai batendo a porta.
A menina do atendimento conversando com a dupla de criação que fez de última hora o anúncio que ela vai apresentar assim que terminar a impressão.
- Ai, não sei mais o que faço, ele não liga pra mim.
Redator meio puto:
- Que foda! (não se sabe se pelo assunto ou pela situação)
- Sabe o que é? Eu sou doida por ele e bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla faria qualquer coisa para ele me valorizar.
O diretor de arte e o redator se olham, ambos de ressaca e no pior mau humor da vida, e soltam em uníssono:
- Dá o cu pra ele!
Ela pega a peça que terminou de ser impressa e sai batendo a porta.
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