quinta-feira, 29 de abril de 2010

MCPmate Romântica

Ela já esteve aqui antes...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Diabo no quarto

Desde pequena tinha medo.

Quando cresceu vendeu a alma, tatuou as costas e fugiu com um motoqueiro virgem.

Microconto totalmente oriental da Sra. Yfy. Para saber quem é, dá uma passada geral nos contos do marcador CONTRIBUIÇÃO do blog.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Anúncio de jornal

"Procura-se enfermeira jovem para atender rapaz deficiente. Paga-se por dia. As interessadas devem ligar para 3433-XXXX depois das 20h." As moças telefonavam e falavam com o Sr. José, que educadamente explicava morar com o irmão Eduardo, deficiente mental, e que nos dias em que viajava precisaria dos serviços da enfermeira. Como viajava cedo, a moça pegava a chave embaixo do tapete, encontrava o "Dudu" ainda na cama, daí era passar o dia cuidando dele, que dormia logo ao anoitecer. Depois disso, a enfermeira podia ir embora sossegada, pois o José garantia que logo mais estaria em casa.

Um detalhe que o Sr. José adiantava é que o Dudu andava com os hormônios em ebulição, mas uma enfermeira experiente não precisava se preocupar, porque era questão de controlar o rapaz, que ele era inofensivo.

A rotina era acordar o Dudu, trocar a roupa dele, ajudar a comer, entreter, dar banho... mas o tempo todo "atacado". Ele pedia colo para a enfermeira, no banho insistia para ela lavar o "pim-pim", brincava de bombeiro quando a enfermeira se distraía e batia a "mangueira" nela, além das bolinadas constantes. Poucas voltavam, por isso o anúncio estava sempre no jornal.

O fato é que o Zé morava na república, e quando, nas férias, a casa esvaziava, aproveitava para adicionar ousadia em suas conquistas, ou seja, José e Dudu eram a mesma pessoa. E até que o Zé aproveitou bastante a farra, só que um dia foi denunciado. Na delegacia, tentou fazer de conta que era o Dudu, não falava coisa com coisa, babava, se contorcia, e o tal "mano José" nunca apareceu. Teve que abrir o jogo, passou uns dias no xilindró e só foi liberado depois de garantir que consultaria um psiquiatra.

:: 05.05.2003 :: da série MCPs que passaram em branco nas antigas (08.02.2008) pela baixa audiência de então no blog, republicado a pedido da Mariamélia, que tem moral aqui; baseado em noticiário policial

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sonho de consumo - parte 3 - Coda

Antes que pudesse perguntar o que significava aquilo, a toalha branca caiu e a vizinha se atracou no Zé. E como Salete não deixava barato, pulou em cima do playboy. E aquilo virou uma suruba como o Zé jamais havia sonhado. Nunca passou pela cabeça dele o quanto a competição entre mulheres poderia ser prazerosa no ponto de vista da sacanagem. Salete dedicou-se com paixão nos diversos boquetes, em ambos. Não que ver homem pelado agradasse o Zé, mas para pegar a potranca da vizinha arriscaria até uma cruzada de espadas acidental.

Quando todos despencaram no chão depois de muita troca de fluidos, a vizinha apareceu vestida, acordou discretamente o Zé e pé-ante-pé saíram dali para casa. Ela se despediu na porta do apartamento dele com um beijo carinhoso no rosto — daqueles que prometem mais — e um "Maria, com muito prazerrr" (erre raspadinho).

No conforto da sua cama, o Zé matutou se teria sido coincidência, ou a convite de quem, a Salete estar na festinha. Deduziu, com meio sorriso no rosto, que saberia bem rápido a resposta. Aliás, a vizinhança toda saberia, pelo inevitável barraco que a Salete armaria no decorrer do dia. Melhor não sofrer por antecedência. Dormiu.

Na manhã seguinte, ao passar pela portaria rumo à feijoada com os amigos, cruzou o playboy. Deixou escapar um "opa!" e vazou o mais rápido que pôde, antes que tivesse que dar explicações.

:: 07.04.2010 ::

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sonho de consumo - parte 2 - A potranca fogosa

A vizinha era uma potranca, palavra forte que ouvia nos programas de humor da tv na infância. Mulher grande, elegante, que pelos quadris e olhos devia ser também fogosa. Ela tinha dono, mas mesmo assim o Zé dava investidas discretas. A vizinha se limitava a sorrir e deixar escapar monossílabos pouco estimulantes.

Voltava do boteco até que meio cedo para uma sexta, e a duas quadras de casa o carro dela passou por ele. E parou. O Zé se fez de desapercebido até que viu a janela abrir, seguindo-se um convite em voz suave e bem modulada, sotaque carioca discreto, música para os ouvidos dele.

Ao abrir a porta ele quase caiu de costas ao perceber aquele corpão sofrivelmente coberto por uma toalha branca, seios despontando acima, metros de coxa vazando embaixo. Ao invés de seguir para o predinho onde moravam, ela descambou para o bairro elegante da cidade. O Zé não conseguia tirar os olhos daqueles pernões quando pisavam nos pedais. Pisavam forte. Entraram numa casa bonita, onde foi puxado impetuosamente pela mão para um cômodo onde o tal namorado conversava com a Salete, ex-namoradinha safada do Zé.

Agora sim um capítulo de nossa autoria, resposta ao desafio da Maria. Segunda parte da noveleta.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sonho de consumo - parte 1 - Pesadelo

Já tinha rolado dele falar que tinha vontade e ela, pra provocar, pôr mais fogo na ideia de convidar uma mulher para vir à cama com eles. Mas na prática a coisa não era bem assim... e um dia, algo muito estranho aconteceu. Do nada surgiu uma figura que, de repente, estava dentro do quarto com eles. Ela travou.

Short jeans e top? Boné e piercing no umbigo? Com esse shape suburbano, sem chance!

Não se deu nem ao trabalho de se vestir, entrou no carro enrolada na toalha e foi embora.

Triste foi vê-lo bater na sua porta no dia seguinte querendo entender o que tinha acontecido. Não tinha o que explicar. Os homens não entendem nada mesmo...

Este MCP é da Mariamélia. É inevitável: basta uma leve sugestão de menage, principalmente "do bom" (h+m+m), que a coisa se transforma em polêmica. Daí nasceu o desafio, de contar a história em outra ótica. Desafio aceito, o resultado ficou tão bom, que decidimos publicar também aqui (mesmo que já esteja lá no blog dela), em forma de NOVELETA.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

MCP na capa da Revista Veredas abril/2010

Veredas é uma revista mensal dedicada a publicação de minicontos em língua portuguesa. Foi com grande satisfação que recebemos da editora Ana Mello o convite para a capa da edição nº 158, de abril de 2010. 

Dêem uma conferida e depois comentem se gostaram do toquezinho de perversão que imprimimos à revista. Aliás, confiram fundo, pois tem muito autor bom publicado lá.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ela não lê MCP


Mas também não respira, não sente, não trepa e não ama. E note que tem um preço. Não estranhe, esta é a semana do bizarro.

Foto gentilmente cedida pela amiga Cláudia Previdi, de uma viagem a Olinda, terra da amiga e quase mãe Potyra. A propósito, nem imaginamos de quem seja a escultura em bronze. Se soubéssemos, certamente creditaríamos. Mas gostamos muito das curvas.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Quando a coincidência é demais

Tem um amigo que tem um blog que anda abandonado. O pior é que ele escreve bem, mas arrumou namoradinha, gamou, e sabe como é, tem gente que vive como se o mundo fosse acabar em foda. O cara sumiu do mapa.

As más línguas chegaram a dizer que o blog era pra pegar leitorinhas incautas. Mas isso dava um outro conto.

Para você entender melhor a continuação, vou me reportar a uma história interessante de boteco. É que toda vez que eu ia no Bar do Dante, tinha um conhecido que estava lá. TODA VEZ. O olha que eu não ia sempre lá. Mas não tinha erro, eu chegava lá e dava um alô pro cara. Das duas uma: ou era MUITA coincidência, ou o tal conhecido frequentava lá TODO SANTO DIA.

Voltando pro meu amigo quase exblogueiro (dizem que felicidade castra a inspiração), aconteceu que um dia liguei pra ele de tarde pra marcar uma botequeada (se fosse no Dante, já sabe quem estaria lá, né?). Na primeira ele atendeu, mas não pôde falar porque estava "guardando". Mais tarde liguei de novo, e ele estava guardando mais uma vez. Na terceira é que veio a associação com a história do boteco: ou era muita coincidência, ou eles ficavam lá o dia todo, vamos dizer, namorando. Casal feliz é isso, chega a emagrecer.

Mas não terminou. Dias depois, quando encontrei os pombinhos, a namorada veio justificar: PORRA, MAS VOCÊ NÃO ERRA UMA, HEIN?

:: 19.03.2010 :: Thanks, Vitão!

terça-feira, 16 de março de 2010

Chutador de macumba

Nenhum dos projetos que começo me deixam terminar. E nada de vivenciar o sucesso prometido. Toda vez que passo embaixo de um viaduto parece que vai desabar sobre mim acompanhado do caminhão pesado que sobrecarregou e fez tudo ruir. Como nas sacadas de prédios altos quando olho para baixo, em que arrepio ao pressentir minhas pernas despedaçadas no contato com o chão. Toda sacada um dia cai. E se vejo a polícia, sei que vão me parar, com ou sem motivo bloqueiam minha liberdade e se refestelam na minha presunção marginal.

O contraponto disso era quando eu andava pelas ruas e me deliciava com o próprio reflexo nas vitrines para ver como os outros me viam, meu andar, quem eu era. Esses raros momentos em que eu me reconhecia foram extirpados quando alguém que eu respeitava expressou o quanto achava aquilo ridículo. Porca hipocrisia. Agora passo pelas vitrines de olhar baixo e reprimido.

O mundo não vê o que eu vejo, você não vai entender porque naquela noite alta voltando do bar, bêbado (claro), entre urros de alegria, vi na encruzilhada uma luz fraca num amontoado de coisas. Corri feito um louco — não para o lado oposto, como era de se esperar — e chutei aquilo tudo. Ao invés de garrafa de pinga, charutos, velas, frango e farofa, meus pés revolveram brasas de piche recém aplicado no asfalto. Miopia etílica ou maldição, nunca ninguém vai saber.

Desde então toda vez que passo ao lado de uma macumba, chuto de pânico. E nada de projetos, pontes, sacadas (você sabe, tudo feito para cair), poderes públicos ou vitrines. Apenas a certeza de que umbanda, quimbanda, macumba, missa, culto, seja qual for, sei que o ritual não veio para me ajudar.

:: 14.05.2008 :: Publicado originalmente no MCP em 26.05.2008