A namoradinha do Zé pediu de natal um curso de autoescola pra tirar carteira de motorista. Convenhamos que é um presente caro. Pra piorar, o pedido lembrou o Zé da maldita lei que agora obriga os aspirantes a motorista a intermináveis aulas práticas de autoescola, e como ela complicou a vida dele.
Antes era moleza. Bastava convidar uma moça bonita para ensinar a dirigir. O Zé descolava um fusquinha e colocava a gata no banco do lado. A aprendiz começava treinando a trocar de marcha enquanto ele estava no volante, ia subindo a mão pela perna, abriam-se alguns botões e quando percebia já estava esparramada no banco inclinado.
Só de raiva, o Zé deu pra namorada um perfume paraguaio.
:: 16.11.2011 :: baseado (ops) numa ideia do Victor Hugo
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
São João da Cristina
Passe alguns dias em São João da Cristina e mude o sentido da palavra férias. Lá tem mais esterco que fruta, mais pinga que água, a pesca é em rio lamacento e as mulheres são peludas. O tio do Zé reservou pra gente o cômodo da casa onde criava codornas. Tirou de lá as gaiolas acho mais que pra evitar que a gente tumultuasse a criação.
Depois de muito ovinho e pinga, acabamos na zona. Na verdade, o único bar da cidade, frequentado até pelas paisanas. Era difícil diferenciar umas das outras, todas maquiadas em excesso. Pegamos a noite da pizza.
- Tem pizza de que sabor?
- De milho, de ervilha e a tropical.
- Do que é essa tropical?
- De milho e ervilha.
- Vê aí uma tropical e mais cerveja.
O violeiro e o sanfoneiro e começaram a tocar na raça, sem microfone. O povo se amontoou pra dançar no chão de terra batida. O barulho dos pés arrastando quase cobria a cantoria. O Zé foi até a mesa das bonitinhas — éramos de fora, estavam todas simpáticas com a gente — e perguntou se estavam comendo pizza de milho porque eram galinhas. Fizeram que não entenderam e toparam dançar. Rapidinho o Zé foi com a Cristina (não a do São João) lá pro fundo onde tinham uns quartinhos só com cortina na porta. Logo depois saiu correndo, eu acompanhei pra não aguentar bronca sozinho. Depois ele explicou:
- A luz tosca do bar disfarçou o que a poeira e o suor fazem nos pezinhos com sandália. Fica aquela gosminha preta entre os dedos. Na luz do quarto, quando vi aquilo, me deu ânsia de vômito. Daí não deu pra transar, muito menos pagar, né?
:: 02.04.2008 :: da série Contos preferidos das antigas que publicamos de novo porque passaram despercebidos devido à baixa audiência da época
Depois de muito ovinho e pinga, acabamos na zona. Na verdade, o único bar da cidade, frequentado até pelas paisanas. Era difícil diferenciar umas das outras, todas maquiadas em excesso. Pegamos a noite da pizza.
- Tem pizza de que sabor?
- De milho, de ervilha e a tropical.
- Do que é essa tropical?
- De milho e ervilha.
- Vê aí uma tropical e mais cerveja.
O violeiro e o sanfoneiro e começaram a tocar na raça, sem microfone. O povo se amontoou pra dançar no chão de terra batida. O barulho dos pés arrastando quase cobria a cantoria. O Zé foi até a mesa das bonitinhas — éramos de fora, estavam todas simpáticas com a gente — e perguntou se estavam comendo pizza de milho porque eram galinhas. Fizeram que não entenderam e toparam dançar. Rapidinho o Zé foi com a Cristina (não a do São João) lá pro fundo onde tinham uns quartinhos só com cortina na porta. Logo depois saiu correndo, eu acompanhei pra não aguentar bronca sozinho. Depois ele explicou:
- A luz tosca do bar disfarçou o que a poeira e o suor fazem nos pezinhos com sandália. Fica aquela gosminha preta entre os dedos. Na luz do quarto, quando vi aquilo, me deu ânsia de vômito. Daí não deu pra transar, muito menos pagar, né?
:: 02.04.2008 :: da série Contos preferidos das antigas que publicamos de novo porque passaram despercebidos devido à baixa audiência da época
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Problema com sacerdotes e sermões
Quem me conhece sabe que vou à igreja com certa frequência. Respeito o rito católico e o conforto de ser padrão em todo o mundo. Mas não gosto de padres e não me prendo aos limites de uma paróquia. Aliás, não é bem que não gosto, mas não os vejo como pessoas divinas. São como os demais viventes, com defeitos e suscetibilidades.
Por isso acredito que padres deveriam se esforçar mais para não "pecarem", o que me remete às trapalhadas do padre A., do tempo em que eu era morador recente no bairro B., em Curitiba. Uma das primeiras que presenciei foi no dia em que ele, no meio do sermão, disse que algumas famílias presentes ainda não o haviam convidado para almoçar em casa. Claro que vesti a carapuça, eu jamais convidaria.
Ora, nos sermões ele devia se limitar a interpretar os salmos, mas não, o padre A. dava lições de moral, emitia opiniões e preconceitos. Às vezes fazia pior. Numa missa de domingo convidou aqueles que não eram da paróquia (inclusive eu) que fossem ao púlpito rezar o Pai Nosso de mãos dadas. Imaginei que fosse, finalmente, um gesto de solidariedade. Acabada a oração, todos sentados, ele lascou um "Obrigado. É sempre bom lembrar que os fiéis devem frequentar as missas nas próprias paróquias e evitar passear de igreja em igreja".
Então numa segunda-feira durante o jornal da TV local deparei com a imagem noturna da polícia apreendendo um carro que rodava em velocidade na contramão da BR 277, o narrador dizendo que o motorista, um sacerdote, estava embriagado e acompanhado de um menor. Não entregaram o nome, mas me deliciei ao ver que era o padre A. Obviamente a notícia não repercutiu, a Opus-Dei deve ter entrado no circuito. Foi aí que depois de vinte anos o padre A. foi afastado da paróquia do B., mas deixou um rombo de quinze mil reais. Convenhamos que seus hábitos não deviam ser baratos.
:: 16.11.2011 ::
Por isso acredito que padres deveriam se esforçar mais para não "pecarem", o que me remete às trapalhadas do padre A., do tempo em que eu era morador recente no bairro B., em Curitiba. Uma das primeiras que presenciei foi no dia em que ele, no meio do sermão, disse que algumas famílias presentes ainda não o haviam convidado para almoçar em casa. Claro que vesti a carapuça, eu jamais convidaria.
Ora, nos sermões ele devia se limitar a interpretar os salmos, mas não, o padre A. dava lições de moral, emitia opiniões e preconceitos. Às vezes fazia pior. Numa missa de domingo convidou aqueles que não eram da paróquia (inclusive eu) que fossem ao púlpito rezar o Pai Nosso de mãos dadas. Imaginei que fosse, finalmente, um gesto de solidariedade. Acabada a oração, todos sentados, ele lascou um "Obrigado. É sempre bom lembrar que os fiéis devem frequentar as missas nas próprias paróquias e evitar passear de igreja em igreja".
:: 16.11.2011 ::
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Agora só bato em louca honesta
Uma brincadeira, um "rascunhão" dela.
Nunca sei a medida quando elas pedem “me bate”. Tenho mão pesada e medo de machucar. Combinação explosiva. E o mais esquisito: nesse dia ela não pediu. Aliás, ELA nunca pediu. Mas gostava de apanhar que eu sei. A gente sabe essas coisas. O corpo dela foi feito para minha mão pesada ressoar. Me senti à vontade. Ela estava curtindo, eu sei que estava. Tanto, que entrou no jogo. Revidava, tentava me afastar. Tão linda!
Dia seguinte, eu ainda em êxtase pedi fotos: “tira com o celular mesmo e me manda”. Meu punho estava roxo e ainda tinha as marcas da boquinha dela pelo corpo. Mordidas de amor que diziam "mais!, mais!", eu sei que diziam. Por isso, não entendi quando a intimação chegou, dias depois, no meu trabalho.
A vida é tão bandida que meu sorriso de satisfação — quando pude finalmente ver as fotos grandes, aquelas que não vieram pelo celular, mas pelos autos do processo — foi considerado agravante. "Além de covarde, sádico", disseram.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Natimorto
Surgi da incessante gana daquela mulher de sentir piladas fortes no ventre árido e raso. Piladas frouxas que muitas vezes não resvalavam nas paredes, alavanca na carne.
Que dignidade pode brotar dessa selvageria? Enquanto ela andava na planície de chão de areia e imperfeições até rasgar os músculos das pernas e curtir a pele no sol escondendo em trapos o barrigão desidratado, eu sentia minha pele roçar naquela textura glamurosa. Éramos pessoas comuns prontas para fazer maldades extraordinárias, alimentados a vísceras de ratazanas do mato — chamar aquela secura de mato... Uma rotina de regurgitar e comer de novo o vômito.
Pequenos milagres todo dia para sobreviver. Motivados por um ódio redentor. Escapulário de espinhos em que se vê talhada uma história de corrupção que comecei a protagonizar de dentro de uma ignorante. Espere por mim, só mais um pouco, o sétimo rebento, a besta do apocalipse.
:: 03.11.2011 ::
Que dignidade pode brotar dessa selvageria? Enquanto ela andava na planície de chão de areia e imperfeições até rasgar os músculos das pernas e curtir a pele no sol escondendo em trapos o barrigão desidratado, eu sentia minha pele roçar naquela textura glamurosa. Éramos pessoas comuns prontas para fazer maldades extraordinárias, alimentados a vísceras de ratazanas do mato — chamar aquela secura de mato... Uma rotina de regurgitar e comer de novo o vômito.
Pequenos milagres todo dia para sobreviver. Motivados por um ódio redentor. Escapulário de espinhos em que se vê talhada uma história de corrupção que comecei a protagonizar de dentro de uma ignorante. Espere por mim, só mais um pouco, o sétimo rebento, a besta do apocalipse.
:: 03.11.2011 ::
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
MCPmate - Atrasadinha
Ela demorou, mas mandou, muito bem. Ai essa cor, ai essas curvas... Essa mão escondendo as vergonhas. Broinha de fubá mimoso.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Fim do mundo
Minha avó vivia contando causos de assombração na beira do rio. Para amenizar, era taxativa em dizer que o mundo ia acabar em 2000. Eu era criança e fazia as contas nos dedos, em 2000 eu teria 30 anos. Pensava, estarei velha mesmo não faz mal que o mundo acabe. Bebi todas, cherei, fumei e beijei cada boca que desejei.
Chegou 2001 e bateu uma grande tristeza. O mundo não acabou e fiquei completamente perdida e mal falada na cidade.
:: 25.10.2011 :: historinha contada pela Sra. Yfy
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Nem meu cachorro gosta de mim
Ela foi embora e eu fiquei no vazio daquela casa simples com a sensação de que nunca mais sentiria a paz de um colo quente ou de uma conversa cúmplice. A solidão apertou e eu não estava mais na fase de sair por aí galanteando. Apelei para os amigos, mas todos estavam distantes. Caí no erro anunciado de me satisfazer só com ela.
Num dia de desespero assisti o reclame de uma ONG que defende a adoção de cãezinhos abandonados. Chorei e decidi. Na manhã seguinte rodei pela cidade e encontrei um filhote que parecia a minha cara. O pessoal do abrigo me deu a maior força e algumas instruções. Como ele não tinha nome, batizei Odorico, homenagem a Dias Gomes.
Passei numa pet e comprei ração, brinquedos, uma caminha, chegamos em casa e percebi que o Odorico se adaptou com grande facilidade. À casa. O tempo passava e o viralata demonstrava grande afinidade com o ambiente, com as raríssimas visitas, com os vizinhos que passavam na rua, mas comigo era pura apatia. Justo eu, o provedor.
A veterinária — em quem Odorico se esfregava mesmo depois de lhe aplicar vacinas doloridas — disse que era impressão minha: "alguns cães têm espírito independente". Ora, se eu entrava num cômodo da casa, ele saía; mesmo ao tentar algum carinho, o animal se mantinha indiferente; e raramente me deixava levá-lo passear com a coleira. Até feromônios eu tentei, mas o máximo que consegui foi flagrá-lo encoxando a almofada da sala em que eu descansava. Tive que jogar fora o hormônio e a almofada.
Resolvi agir igual e nos tornamos dois estranhos solitários sob o mesmo teto. Eu com meu blues e ele com sua chorosa ladainha canina. Um dia peguei o danado abanando o rabo como helicóptero quando uma vizinha gostosa passou com uma cadela de raça e os dois (a cadelinha e o Odorico) roçaram focinhos através do portão. Quando me aproximei a vizinha puxou forte a coleira e se afastou.
Diante dessa possível luz no fim do túnel, usei de todo meu entusiasmo e investi naquilo que sempre fiz melhor na minha vida. Coloquei uma cerquinha de alambrado isolando o jardim e o portão.
:: 21.10.2011 ::
Num dia de desespero assisti o reclame de uma ONG que defende a adoção de cãezinhos abandonados. Chorei e decidi. Na manhã seguinte rodei pela cidade e encontrei um filhote que parecia a minha cara. O pessoal do abrigo me deu a maior força e algumas instruções. Como ele não tinha nome, batizei Odorico, homenagem a Dias Gomes.
Passei numa pet e comprei ração, brinquedos, uma caminha, chegamos em casa e percebi que o Odorico se adaptou com grande facilidade. À casa. O tempo passava e o viralata demonstrava grande afinidade com o ambiente, com as raríssimas visitas, com os vizinhos que passavam na rua, mas comigo era pura apatia. Justo eu, o provedor.
A veterinária — em quem Odorico se esfregava mesmo depois de lhe aplicar vacinas doloridas — disse que era impressão minha: "alguns cães têm espírito independente". Ora, se eu entrava num cômodo da casa, ele saía; mesmo ao tentar algum carinho, o animal se mantinha indiferente; e raramente me deixava levá-lo passear com a coleira. Até feromônios eu tentei, mas o máximo que consegui foi flagrá-lo encoxando a almofada da sala em que eu descansava. Tive que jogar fora o hormônio e a almofada.
Resolvi agir igual e nos tornamos dois estranhos solitários sob o mesmo teto. Eu com meu blues e ele com sua chorosa ladainha canina. Um dia peguei o danado abanando o rabo como helicóptero quando uma vizinha gostosa passou com uma cadela de raça e os dois (a cadelinha e o Odorico) roçaram focinhos através do portão. Quando me aproximei a vizinha puxou forte a coleira e se afastou.
Diante dessa possível luz no fim do túnel, usei de todo meu entusiasmo e investi naquilo que sempre fiz melhor na minha vida. Coloquei uma cerquinha de alambrado isolando o jardim e o portão.
:: 21.10.2011 ::
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
O potinho da discórdia (parte 4)
Potinho abastecido, devidamente acondicionado dentro da jaqueta, dia lindo lá fora, o Zé tinha 15 minutos para entregar no laboratório. Rasgou a cidade de moto, beirando a imprudência, mas chegou em tempo. Foi direto ao balcão de coletas e encontrou a atendente, acompanhada de mais duas. Ela fez que não lembrava e ele teve que explicar a situação para as três.
No fim, para disfarçar, soltou um "Com a namorada em casa fica muito mais fácil". Elas nem esboçaram reação. Repassaram o questionário, em que o espermante (associação livre do Zé com "lactante") garante que a coisa é dele, que tem menos de 30 minutos que foi "colhido" e que não sobrou nada, isentando o laboratório de uma eventual gestação artificial.
Missão cumprida, o Zé subiu na motoca aliviado e pilotou calmamente até o trabalho. Mas espera que a história não terminou. No dia seguinte, no trabalho (note o grifo), baixou o resultado pela internet. Tudo normal. Mandou para a impressora coletiva (opa!) e quando foi buscar, meio atrasado, o exame já não estava mais lá. Encontrou pendurado no edital do café.
Ele ainda hoje acusa o pessoal de bullying quando o chamam de Zé Porrinha no corredor da empresa. E enquanto durou o namoro, jurou de pés juntos pra Aninha que tudo se resolveu na salinha do laboratório, e que a inspiração foi ela.
:: 05.09.2011 ::
No fim, para disfarçar, soltou um "Com a namorada em casa fica muito mais fácil". Elas nem esboçaram reação. Repassaram o questionário, em que o espermante (associação livre do Zé com "lactante") garante que a coisa é dele, que tem menos de 30 minutos que foi "colhido" e que não sobrou nada, isentando o laboratório de uma eventual gestação artificial.
Missão cumprida, o Zé subiu na motoca aliviado e pilotou calmamente até o trabalho. Mas espera que a história não terminou. No dia seguinte, no trabalho (note o grifo), baixou o resultado pela internet. Tudo normal. Mandou para a impressora coletiva (opa!) e quando foi buscar, meio atrasado, o exame já não estava mais lá. Encontrou pendurado no edital do café.
Ele ainda hoje acusa o pessoal de bullying quando o chamam de Zé Porrinha no corredor da empresa. E enquanto durou o namoro, jurou de pés juntos pra Aninha que tudo se resolveu na salinha do laboratório, e que a inspiração foi ela.
:: 05.09.2011 ::
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
O potinho da discórdia (parte 3)
O Zé estava na salinha do laboratório com a árdua missão de "depositar o material" no potinho. Depois de muitas tentativas, e como não conseguiu, vestiu-se, esperou o calorzão corporal passar e foi no balcão comunicar o fracasso.
"Não tem mesmo como fazer em casa?" Eram duas da tarde. A moça olhou para ele de um jeito estranho, perguntou se morava perto, pois ele tinha que trazer o exame junto ao corpo num prazo máximo de 30 minutos. Ele mentiu que sim, mas tinha um trunfo: o Zé era motoqueiro, o trânsito não seria empecilho.
Pegou um potinho novo, sentou na motoca e voou até em casa. Esqueceu que a empregada estava lá, mas não é isso que o impediria de realizar sua incumbência (não sabe por que, mas lembrou dos Doze Trabalhos de Hércules). Comunicou que tinha que fazer um serviço urgente no quarto, ligou o micro (sem som, claro), acessou um desses you porn da vida e, para sua surpresa, antes mesmo que as moças acabassem de tirar a roupa para atacar um canastrão, resolveu o problema. Fácil assim.
Tampou o potinho, colocou dentro da jaqueta e pensou: "Por que será que esses laboratórios não se modernizam? Custava um LCD com uns pornozinhos passando?"
(continua)
"Não tem mesmo como fazer em casa?" Eram duas da tarde. A moça olhou para ele de um jeito estranho, perguntou se morava perto, pois ele tinha que trazer o exame junto ao corpo num prazo máximo de 30 minutos. Ele mentiu que sim, mas tinha um trunfo: o Zé era motoqueiro, o trânsito não seria empecilho.
Pegou um potinho novo, sentou na motoca e voou até em casa. Esqueceu que a empregada estava lá, mas não é isso que o impediria de realizar sua incumbência (não sabe por que, mas lembrou dos Doze Trabalhos de Hércules). Comunicou que tinha que fazer um serviço urgente no quarto, ligou o micro (sem som, claro), acessou um desses you porn da vida e, para sua surpresa, antes mesmo que as moças acabassem de tirar a roupa para atacar um canastrão, resolveu o problema. Fácil assim.
Tampou o potinho, colocou dentro da jaqueta e pensou: "Por que será que esses laboratórios não se modernizam? Custava um LCD com uns pornozinhos passando?"
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