Uma brincadeira que existia nas escolas em que estudei, durante
praticamente todo ensino fundamental. Não tinha regras, líder, tampouco
cronômetro. Nunca soube quem inventou.
Começava sem aviso. Um pequeno grupo se posicionava ao redor de uma
passagem qualquer: um corredor, a entrada de uma sala, um canto do
pátio. Ficavam ali com cara de paisagem, sem dizer ou fazer nada. Então
outros, sem convite (olhares cúmplices valem como convite?) posicionavam-se ao lado, até uns 12 a 16 formarem um corredor. A partir
dali, cessava todo o tráfego no local. Porque o Corredor Polonês estava
formado. Quem passasse tomaria uma série de bordoadas dos que formavam o corredor, com o que tivessem a mão, a pasta, uma blusa
enrolada, pés, tapas, enfim...
Então um corajoso pegava embalo e atravessava a toda
velocidade se defendendo como podia. E chegava vitorioso do outro
lado, passando a fazer parte do corredor. Na sequência outros tomavam coragem e atravessavam.
A coisa ia assim, brincadeira civilizada, até o momento em que tudo
virava baderna (estapeamento geral) ou um inspetor
aparecia. Aí o corredor se dissipava e a molecada voltava a seus
afazeres.
Tem gente que acha que as crianças de hoje, com seus videogames, imersas num mundo politicamente correto, é que se divertem.
Em tempo: meninas bonitas e/ou de desenvolvimento precoce eram imunes ao corredor.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Se eu tivesse uma dessas...
Tem um comentário recorrente dirigido a quem, como eu, tem moto grande. Em particular, se for esportiva.
Situação motoboy:
- Se eu tivesse uma dessas, eu não durava uma semana.
- Ah, tá. Quer dizer que você é um cara super corajoso e arrojado e eu sou bundão.
Situação indigente:
- Se eu tivesse uma dessas, eu morria em uma semana.
- Tá bom, flanelinha. Se apresse nessas três pedrinhas de crack que estão no seu bolso, que não passa nem de hoje à noite.
:: 09.10.2013 ::
Situação motoboy:
- Se eu tivesse uma dessas, eu não durava uma semana.
- Ah, tá. Quer dizer que você é um cara super corajoso e arrojado e eu sou bundão.
Situação indigente:
- Se eu tivesse uma dessas, eu morria em uma semana.
- Tá bom, flanelinha. Se apresse nessas três pedrinhas de crack que estão no seu bolso, que não passa nem de hoje à noite.
:: 09.10.2013 ::
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Como ser amigo de um homem lindo
Uma paródia aberta do aclamado texto de T. Bernardi, enviado por um leitor anônimo, como contribuição. Ele é gaúcho, formado em propaganda e fez pós graduação em estética. Usa tamancos e tem vários cursos especializados em depilação íntima, tintura, cabeleireiro, dança de salão e decoração de interiores.
Acho que de todos os exemplos, o dos pentelhos é o mais cruel. Ele tem os pentelhos escuros, lisos, brilhantes. Quando sangro, ficam meio avermelhados e as pessoas a param na rua pra perguntar "que cor maravilhosa é essa?" e ele responde "meu cachecol de rola...". O pentelho é tão bom, mas tão bom, que pra dar um "tchans" ele faz permanente. E o resto dos mortais misturando dezenas de fórmulas importadas pra conseguir sair de casa sem parecer que está há séculos sem tomar banho, acumulando ceroto.
Às vezes ele diz "espera eu me arrumar, não posso ir assim" e eu fico olhando e pensando que nem em oito horas num salão de beleza eu alcançaria a perfeição que ele atinge apenas de regata, shortinho, havaianas e hipoglós no cu. Ter como melhor amigo um homem lindo é receber todos os dias uma socada na boca. Você com fome, a bile te queimando por dentro... e ele vem, com vaselina, e termina de te rasgar. E você sorri "tá, eu espero...".
Em seu currículo existencial tem sempre um amigo que sumiu. Tenho dó. É preciso muita coragem, força e uma dose de masoquismo pra estar ao lado de tamanha beleza. Ele diz "poxa, o Rômulo vivia aqui, de repente... sumiu". E eu penso "antes de desistir o pobre Rômulo deve ter tentado vaselina, xilocaína, anestesia, sutura, pompoarismo, exercícios... quando viu que não tinha jeito, o jeito foi fazer de conta que você não existe.".
Alguma mágica interestelar combinada com alguma natureza esplêndida fazem, diariamente, com que todos os salgadinhos escrotos, sanduíches macabros e refrigerantes grotescos que ele consome não grudem na parede de seu toba. Quando ele ajeita a sunguinha na praia, pra deitar, eu me divirto com os bofes em volta, todos com a educada exclamação "bichona louca" tatuada na íris.
Numa fase meio deprimida (sim, homens lindos também ficam #chatiados), ele resolveu que só sairia na rua com a boca muito pintada de vermelho. Os pentelhos levemente cacheados pelo permanente eram rococós que emolduravam a sua verga enorme, bem torneada e, agora, na versão cor do pecado. E sempre alguém, numa roda de amigos, pergunta "essa benga volumosa é sua?" e ele sem graça responde "é, nasci assim...". Ele sempre se desculpando por ser lindo e os outros sempre fantasiando que sua beleza não é real, numa tentativa de desculpá-lo. "E esses pentelhos longos e enormes e muitos...". "São meus...desculpa".
Mas muito mais sofrido do que estar com ele é não estar com ele. Tem sempre um desgraçado que me vê de longe e atravessa a rua correndo. "Lindo, quanto tempo!!! Queria MESMO MUITO falar com você". E eu já sei que é pra perguntar se meu enormemente dotado amigo está finalmente solteiro. E ficamos então alguns minutos num papo super profundo. Lindo, né?
Nossa, muito. Bem lindo mesmo. Porra, lindo pacas. É, lindo demais. Lindopacarai. E então eles começam a gemer. E eu já nem ligo mais, no fundo bato uma enquanto escuto.
Certa feita fui convidado para um show do Caetano Veloso. Me arrumei todo, tadinho. Me depilei todo, tadinho. Comprei até sapatinhos novos. Tadinho. O cara até gostava de mim, até me achava bonito, mas eu vi o momento exato em que ele, ao notar meu amigo numa calça preta e apertada, dividiu o universo entre antes e depois. E eu ficaria pra sempre no antes.
Estar ao lado do meu estonteante melhor amigo é assinar pra sempre um pacto com o prêmio de consolação. É escolher pra sempre ser o boy delícia ao lado, o amigo do, o outro. É estar tão longe do centro das atenções que preciso de uma lupa para vislumbrar minha piroquinha. É ensebar a franja de tanto que dói ser invisível.
Em nome de uma vida mais digna, eu poderia, assim como fez Rômulo e uma boa gama de amigos mais frágeis, ter partido o cu. Mas o fato é que na madrugada de um voo para Londres, no qual eu (com o velho e já sabido e muito analisado pavor de aeronaves) me dopei com algumas tarjas pretas, o adônis universal em forma de amigo teve por mim uma paciência jamais vista nem nos melhores dias de mamãe. Ele acordou de duas em duas horas para ver como eu estava. E eu estava muito drogado mas pude acompanhar seu passinhos lindos pelo corredor, sua mão quente acariciando meu pinto, tudo pra checar se eu me comportava como um homem de trinta e quatro anos ou tinha virado uma bicha louca desvairada.
Em nome de uma vida menos humilhante, eu poderia ter dito "gato, fui, parti grandão, desejo que você e a sua fantástica benga sejam muito felizes lá na putaqueopariu" mas o fato é que o espetáculo em forma humana é o porra do meu melhor amigo. É quem me liga todos os dias pra saber como estou. É quem segura minha pica quando eu tenho ataque de viadagem. É quem esteve em minha casa em todos os meus términos de namoros, gripes, hemorróidas e confusões mentais.
O homem muito bonito sabe que, em sua maldita sina de perfeição solitária, só lhe resta ser tão legal, mas tão legal, que o legal seja ainda mais incrível que sua rola e seu tórax e sua batata da perna. Já ao homem "inteligentinho e engraçado", classificação que nos salva no colégio e segue nos salvando pelo resto da vida, cabe tirar o melhor proveito disso e transformar o resto em piada.
Acho que de todos os exemplos, o dos pentelhos é o mais cruel. Ele tem os pentelhos escuros, lisos, brilhantes. Quando sangro, ficam meio avermelhados e as pessoas a param na rua pra perguntar "que cor maravilhosa é essa?" e ele responde "meu cachecol de rola...". O pentelho é tão bom, mas tão bom, que pra dar um "tchans" ele faz permanente. E o resto dos mortais misturando dezenas de fórmulas importadas pra conseguir sair de casa sem parecer que está há séculos sem tomar banho, acumulando ceroto.
Às vezes ele diz "espera eu me arrumar, não posso ir assim" e eu fico olhando e pensando que nem em oito horas num salão de beleza eu alcançaria a perfeição que ele atinge apenas de regata, shortinho, havaianas e hipoglós no cu. Ter como melhor amigo um homem lindo é receber todos os dias uma socada na boca. Você com fome, a bile te queimando por dentro... e ele vem, com vaselina, e termina de te rasgar. E você sorri "tá, eu espero...".
Em seu currículo existencial tem sempre um amigo que sumiu. Tenho dó. É preciso muita coragem, força e uma dose de masoquismo pra estar ao lado de tamanha beleza. Ele diz "poxa, o Rômulo vivia aqui, de repente... sumiu". E eu penso "antes de desistir o pobre Rômulo deve ter tentado vaselina, xilocaína, anestesia, sutura, pompoarismo, exercícios... quando viu que não tinha jeito, o jeito foi fazer de conta que você não existe.".
Alguma mágica interestelar combinada com alguma natureza esplêndida fazem, diariamente, com que todos os salgadinhos escrotos, sanduíches macabros e refrigerantes grotescos que ele consome não grudem na parede de seu toba. Quando ele ajeita a sunguinha na praia, pra deitar, eu me divirto com os bofes em volta, todos com a educada exclamação "bichona louca" tatuada na íris.
Numa fase meio deprimida (sim, homens lindos também ficam #chatiados), ele resolveu que só sairia na rua com a boca muito pintada de vermelho. Os pentelhos levemente cacheados pelo permanente eram rococós que emolduravam a sua verga enorme, bem torneada e, agora, na versão cor do pecado. E sempre alguém, numa roda de amigos, pergunta "essa benga volumosa é sua?" e ele sem graça responde "é, nasci assim...". Ele sempre se desculpando por ser lindo e os outros sempre fantasiando que sua beleza não é real, numa tentativa de desculpá-lo. "E esses pentelhos longos e enormes e muitos...". "São meus...desculpa".
Mas muito mais sofrido do que estar com ele é não estar com ele. Tem sempre um desgraçado que me vê de longe e atravessa a rua correndo. "Lindo, quanto tempo!!! Queria MESMO MUITO falar com você". E eu já sei que é pra perguntar se meu enormemente dotado amigo está finalmente solteiro. E ficamos então alguns minutos num papo super profundo. Lindo, né?
Nossa, muito. Bem lindo mesmo. Porra, lindo pacas. É, lindo demais. Lindopacarai. E então eles começam a gemer. E eu já nem ligo mais, no fundo bato uma enquanto escuto.
Certa feita fui convidado para um show do Caetano Veloso. Me arrumei todo, tadinho. Me depilei todo, tadinho. Comprei até sapatinhos novos. Tadinho. O cara até gostava de mim, até me achava bonito, mas eu vi o momento exato em que ele, ao notar meu amigo numa calça preta e apertada, dividiu o universo entre antes e depois. E eu ficaria pra sempre no antes.
Estar ao lado do meu estonteante melhor amigo é assinar pra sempre um pacto com o prêmio de consolação. É escolher pra sempre ser o boy delícia ao lado, o amigo do, o outro. É estar tão longe do centro das atenções que preciso de uma lupa para vislumbrar minha piroquinha. É ensebar a franja de tanto que dói ser invisível.
Em nome de uma vida mais digna, eu poderia, assim como fez Rômulo e uma boa gama de amigos mais frágeis, ter partido o cu. Mas o fato é que na madrugada de um voo para Londres, no qual eu (com o velho e já sabido e muito analisado pavor de aeronaves) me dopei com algumas tarjas pretas, o adônis universal em forma de amigo teve por mim uma paciência jamais vista nem nos melhores dias de mamãe. Ele acordou de duas em duas horas para ver como eu estava. E eu estava muito drogado mas pude acompanhar seu passinhos lindos pelo corredor, sua mão quente acariciando meu pinto, tudo pra checar se eu me comportava como um homem de trinta e quatro anos ou tinha virado uma bicha louca desvairada.
Em nome de uma vida menos humilhante, eu poderia ter dito "gato, fui, parti grandão, desejo que você e a sua fantástica benga sejam muito felizes lá na putaqueopariu" mas o fato é que o espetáculo em forma humana é o porra do meu melhor amigo. É quem me liga todos os dias pra saber como estou. É quem segura minha pica quando eu tenho ataque de viadagem. É quem esteve em minha casa em todos os meus términos de namoros, gripes, hemorróidas e confusões mentais.
O homem muito bonito sabe que, em sua maldita sina de perfeição solitária, só lhe resta ser tão legal, mas tão legal, que o legal seja ainda mais incrível que sua rola e seu tórax e sua batata da perna. Já ao homem "inteligentinho e engraçado", classificação que nos salva no colégio e segue nos salvando pelo resto da vida, cabe tirar o melhor proveito disso e transformar o resto em piada.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
O politicamente correto e a brutalização das relações
Entre um copo e outro, o assunto era o perigo que os conquistadores correm, hoje em dia, de serem capturados naquilo que a justiça acha por bem configurar como "relação estável". Falou-se até num contrato que existe hoje, que certos casais desapegados celebram, garantindo que tudo ali é só namoro e desobrigando-se dos bens e ganhos do outro. Um tipo de separação universal de bens sem o "pode beijar a noiva".
"Onde está o romantismo?", retrucou o Zé. "Parem de racionalizar tanto, vocês são uns covardes!". Mas os cuidadosos continuaram a falar dos perigos de levar uma peguete repetidamente para casa.
O Zé defendeu seu ponto de vista romântico com aquele ideal de "one night stand" seguro:
1) O sujeito lá na balada, antes de "dar uns pega" na garota, pede a identidade, verifica se é maior e chama duas testemunhas, pois se o documento for falso, ele é que foi enganado.
2) Chegou em casa com a piriguete, nada de dar bebida para ela, para não correr o risco de ser acusado de estupro de vulnerável.
3) Falando em estupro, antes do vuco-vuco, fazer a moça assinar uma declaração de que praticará o coito de livre e espontânea vontade, leva num cartório, reconhece firma e, aí sim, podem festear.
"Vocês vão todos à merda!", descascou o Zé.
"Quebrar a regra da segunda saída é muito risco", argumentou o cuidadoso-mor. "Vejam o que aconteceu com as diaristas. Você só pode chamar em casa no máximo dois dias por semana. Passou disso tem que registrar em carteira."
"O negócio é pegar prostituta. No fim das contas sai mais barato e não tem encheção de saco", disse o terceiro.
Aí o Zé não se aguentou: "Você que pensa. Seguindo essa lógica, se você começar a sair demais com uma 'preferida', pode levar um processo de relação estável. E no caso da vara de família te liberar, ainda corre o risco de levar um trabalhista na testa por falta de registro em carteira."
"Onde está o romantismo?", retrucou o Zé. "Parem de racionalizar tanto, vocês são uns covardes!". Mas os cuidadosos continuaram a falar dos perigos de levar uma peguete repetidamente para casa.
O Zé defendeu seu ponto de vista romântico com aquele ideal de "one night stand" seguro:
1) O sujeito lá na balada, antes de "dar uns pega" na garota, pede a identidade, verifica se é maior e chama duas testemunhas, pois se o documento for falso, ele é que foi enganado.
2) Chegou em casa com a piriguete, nada de dar bebida para ela, para não correr o risco de ser acusado de estupro de vulnerável.
3) Falando em estupro, antes do vuco-vuco, fazer a moça assinar uma declaração de que praticará o coito de livre e espontânea vontade, leva num cartório, reconhece firma e, aí sim, podem festear.
"Vocês vão todos à merda!", descascou o Zé.
"Quebrar a regra da segunda saída é muito risco", argumentou o cuidadoso-mor. "Vejam o que aconteceu com as diaristas. Você só pode chamar em casa no máximo dois dias por semana. Passou disso tem que registrar em carteira."
"O negócio é pegar prostituta. No fim das contas sai mais barato e não tem encheção de saco", disse o terceiro.
Aí o Zé não se aguentou: "Você que pensa. Seguindo essa lógica, se você começar a sair demais com uma 'preferida', pode levar um processo de relação estável. E no caso da vara de família te liberar, ainda corre o risco de levar um trabalhista na testa por falta de registro em carteira."
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Os destemidos
História impagável contada por um colega aqui da firma, Renê Gilberto Tonet, que chegou até mim por meios obscuros. Qual dos personagens da história teria sido ele?
Início da madrugada de sábado, estava o Zé com dois amigos no clube, um deles um belo deficiente físico (só andava de muleta), já bem encaminhados nas cervejas. Resolveram, como tem que ser em cidade do interior, ir ao bailão da cidade. Tudo normal se não fossem os três numa única moto e já em avançado estado de embriaguez. Não vamos entrar no mérito dos foguetes que soltaram no caminho e de estarem sem capacete, como só acontece em cidade do interior.
No caminho iam o piloto, o belo deficiente e o Zé atrás, quando caiu um sapato do que estava no meio. Ele alertou o ocorrido, mas o piloto disse "deixa que pegamos no volta, está muito tarde", e seguiram viagem. Foi aí que caiu a muleta, no que o belo deficiente, aos gritos, implorou que parassem. Em em vão. Os outros dois diziam que era iam perder o fim do baile se parassem e que no retorno pegariam a muleta e o sapato.
Entraram no baile, já quase terminando, o belo deficiente pendurado nos ombros dos outros dois. Encostaram no balcão e o Zé já pediu uma cerveja. Algumas cervejas e muitas risadas depois, tudo parou ao som de tiros pipocando no telhado do estabelecimento (interior...), e foi aquela correria, gente para todo lado, salão vazio, menos... dois dos três destemidos (daí a alcunha). O piloto conseguiu correr, mas os outros permaneceram encostados no balcão. Passados alguns minutos, chega o dono do bailão pra eles: "Nossa! Vocês são foda mesmo!"
Os destemidos que ficaram no balcão em meio aos pipocos eram o belo deficiente (motivos óbvios) e o Zé, bêbado, mijado e paralisado: "Estou todo molhado, vamos embora deste lugar que preciso trocar de roupa". E foi aquela encheção de saco pra cima dele na hora de subir na moto: "Não encosta esse mijo em mim!". Teve que voltar de novo atrás, e de costas.
No caminho lá estava a muleta brilhando no acostamento. Logo adiante, no meio da estrada, o sapato, na espessura de uma panqueca retorcida em meia lua. Quando desceram para pegar, o Zé lembrou do que disse o dono do bar e desabafou: "Foda mesmo é não conseguir correr".
Início da madrugada de sábado, estava o Zé com dois amigos no clube, um deles um belo deficiente físico (só andava de muleta), já bem encaminhados nas cervejas. Resolveram, como tem que ser em cidade do interior, ir ao bailão da cidade. Tudo normal se não fossem os três numa única moto e já em avançado estado de embriaguez. Não vamos entrar no mérito dos foguetes que soltaram no caminho e de estarem sem capacete, como só acontece em cidade do interior.
No caminho iam o piloto, o belo deficiente e o Zé atrás, quando caiu um sapato do que estava no meio. Ele alertou o ocorrido, mas o piloto disse "deixa que pegamos no volta, está muito tarde", e seguiram viagem. Foi aí que caiu a muleta, no que o belo deficiente, aos gritos, implorou que parassem. Em em vão. Os outros dois diziam que era iam perder o fim do baile se parassem e que no retorno pegariam a muleta e o sapato.
Entraram no baile, já quase terminando, o belo deficiente pendurado nos ombros dos outros dois. Encostaram no balcão e o Zé já pediu uma cerveja. Algumas cervejas e muitas risadas depois, tudo parou ao som de tiros pipocando no telhado do estabelecimento (interior...), e foi aquela correria, gente para todo lado, salão vazio, menos... dois dos três destemidos (daí a alcunha). O piloto conseguiu correr, mas os outros permaneceram encostados no balcão. Passados alguns minutos, chega o dono do bailão pra eles: "Nossa! Vocês são foda mesmo!"
Os destemidos que ficaram no balcão em meio aos pipocos eram o belo deficiente (motivos óbvios) e o Zé, bêbado, mijado e paralisado: "Estou todo molhado, vamos embora deste lugar que preciso trocar de roupa". E foi aquela encheção de saco pra cima dele na hora de subir na moto: "Não encosta esse mijo em mim!". Teve que voltar de novo atrás, e de costas.
No caminho lá estava a muleta brilhando no acostamento. Logo adiante, no meio da estrada, o sapato, na espessura de uma panqueca retorcida em meia lua. Quando desceram para pegar, o Zé lembrou do que disse o dono do bar e desabafou: "Foda mesmo é não conseguir correr".
terça-feira, 16 de julho de 2013
A chantagem do pastel
Para convencer a menina a ir à biblioteca sem ficar contrariada, afinal eram férias e ela queria brincar o tempo todo, o homem prometeu levá-la à Pastelaria Brasileira, que ficava ali em frente. Um dos melhores pastéis do sul do mundo, segundo ele. E nada como um pastel acompanhado de Wimi ou Chocomilk para apaziguar uma pequena alma ainda não caída de paixão pelo balé das letras nas páginas de um bom livro.
Pense num percurso longo. Vinte e cinco minutos de alimentador até o terminal, depois quase quarenta no expresso para chegar ao Centro, fora as esperas. Da Rui Barbosa até a Biblioteca Pública pelo menos a caminhada era curta.
Era entrar pelo saguão e o cheiro de papel velho lhe trazia um sentimento de satisfação e conforto raramente percebido em outras ocasiões da sua vida. A menina apertou sua mão diante da imensidão do pé direito daquele prédio antigo. Circularam por alguns corredores, ele pegou o que procurava, um clássico para reler, ao passo que ela ficou indecisa. Escolheu de vez uns cinco (deve ter um que sirva) e sentaram-se à mesa que ele conhecia tanto. Ela folheava um pouco os exemplares que tinha à mão e parava para observar o homem compenetrado em seu mundo de sonhos — ele disfarçava desinteresse no que acontecia ao redor, projetava seu olhar no livro tentando intrigar a menina sobre a magia que emanava daquelas páginas.
Passados quarenta minutos a fome deve ter apertado e ela cobrou a recompensa prometida. Ele fez um sinal de espera com a mão ociosa. Um sinal de respeito ao que acontecia no livro. Então dirigiu aos olhinhos dela o semblante mais apaixonante que guardava em seu acervo, e foram para o balcão de registro de empréstimos. Dali para os pastéis, para o sol da Rua das Flores e de volta para casa, de barriga apaziguada.
Assim como desenvolver uma fórmula, domar um cavalo, entender o mercado, seduzir uma mulher difícil, trata-se de um processo prazeroso, porém árduo. Neste caso, todos, absolutamente todos colheriam os benefícios.
:: 16.07.2013 ::
segunda-feira, 8 de julho de 2013
NaNovela Curitibana 13 - Dor aonde
9h53 - você tem uma nova mensagem no celular
"Nossa, tive que tomar Dorflex
Por causa da nossa noite kkkk
Mas foi uma delícia. Bjs."
:: 02.07.2013 :: De autoria do Victor Hugo, grande amigo e grande "contribuinte" do MCP, e que pelo jeito tá pegando bem
"Nossa, tive que tomar Dorflex
Por causa da nossa noite kkkk
Mas foi uma delícia. Bjs."
:: 02.07.2013 :: De autoria do Victor Hugo, grande amigo e grande "contribuinte" do MCP, e que pelo jeito tá pegando bem
sexta-feira, 28 de junho de 2013
NaNovela Curitibana 12 - Intrigas de shopping center
Reacionárias da alta sociedade
Que começaram a vida
Num puteiro barato
Abre as pernas, flor de pinhão
:: 28.06.2013 ::
Que começaram a vida
Num puteiro barato
Abre as pernas, flor de pinhão
:: 28.06.2013 ::
sexta-feira, 14 de junho de 2013
NaNovela Curitibana 11 - Rinha
Ele, macho penoso,
canta de galo na madrugada.
De dia, a esposa
galinha.
:: 13.06.2013 :: De autoria do Ademir Gros Jr. (@JuniorGros e http:\\verbolandia.blogspot.com.br), que além de todo esse talento já estagiou com a gente
canta de galo na madrugada.
De dia, a esposa
galinha.
:: 13.06.2013 :: De autoria do Ademir Gros Jr. (@JuniorGros e http:\\verbolandia.blogspot.com.br), que além de todo esse talento já estagiou com a gente
terça-feira, 11 de junho de 2013
NaNovela Curitibana 10 - Cracolândia não tem aqui
Na esquina da Saldanha
Com a Ermelino de Leão
Se queima o pão
Nas cinzas da Fênix
:: 25.04.2013 ::
Com a Ermelino de Leão
Se queima o pão
Nas cinzas da Fênix
:: 25.04.2013 ::
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