quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A menina da praia - Reveillon 2008/2009

A menina da praia me encantava. A casa dela ficava na rua perto da minha. Naquele dia cheguei perto dela quando jovava vôlei na praia com uma turminha, mas não consegui me aproximar para participar nem abordar a menina. Cruzei com ela naqueles dias no calçadão, acho até que olhou para mim. Mas a cidade estava muito movimentada.

Véspera de ano novo. Interessante como em Santa Catarina o povo adora fogos de artifício. No dia 31 desde a madrugada ouvimos rojões. Isso dura o dia todo. Talvez o momento da passagem fosse perfeito para eu finalmente conhecer a menina linda.

Dei um jeito de escapar do meu pessoal no momento da virada e fiquei esperando para ver aonde ela iria. Em distância segura acompenhei-a até perto dos pescadores onde tem um posto de gasolina na beira do costão. Ali ela ficou com os amigos e a família (pelo que deduzi).

Logo após o espetáculo de fogos de artifício ela estava dançando sozinha. O momento perfeito para eu me aproximar, me apresentar e quem sabe conhecê-la. Ela dançando sozinha e eu cheguei perto, hesitei, mais um passo, ela deslumbrante dançando as várias músicas que tocavam ao mesmo tempo dos diversos carros. Muita gente, muitas garrafas balançando.

Mas dois passos eu estaria ao lado dela, tocaria em seu ombro e a chamaria delicadamente para conversar. Um estrondo de rojão meio próximo e num décimo de segundo ela caiu a meus pés, muito sangue na cabeça. A multidão se afastou, abaixei para ajudar mas alguém tomou minha frente. Mal consegui vê-la desacordada, vermelho e preto manchando seus cabelos. A menina linda sucumbiu num estouro de felicidade antes mesmo de me conhecer. Virou celebridade, o que, com minha timidez, impediu que eu a tivesse.

No próximo verão não haverá a menina da praia. Onde estará o imbecil que soltou o rojão na multidão?

:: 07.01.2009 ::

27 comentários:

Thainá Vivas disse...

asuhahsuahusush
Achei mt engraçado esse final! xDD
ashuahsuasuh
Parabéns pelo blog!
-
http://pipocandoporai.blogspot.com/

A Senhora disse...

Puxa... Preferia que a tivesse.

Beijinhos, querido.

Cacau disse...

Preferia um outro final...torceria por qualquer outro enredo, menos este violento e trágico.

Pena!!!!

Beijos Gu.

Mari - é como quero ser chamada. disse...

Huuum.Quero praia também.
Está perdoado pelo abandono.Rs*
Mas pense guapo, tempo bem investido não é tempo perdido.
;)
Aproveite bem, use filtro solar e faz favor, volte com bronze e com gostinho salgado e leve de mar.
Te desejo ainda mais sol, ainda mais praia e que a próxima menina linda não caia ensanguentada aos seus pés.Rs*


Beijoka estalada da Mari, que acrescentando mais um A fica Maria.

Danielle Lima disse...

Caraca! E eu, imaginando tudo, torcendo pelo encontro...
Se bem que foi merecido. Esses homens que não tomam muita atitude me deixam com um pouco de aflição! HUNF!
Tava com saudades de vcs! Até eu atualizei!rs
Beijão!

o casalqseama* disse...

por que em todo lugar tem sempre um filho da puta???

Anônimo disse...

Não agüentava mais esconder toda a dor que sentia. Qualquer sorriso era enorme esforço. Mais um reveillon, mais uma data em família da qual queria fugir. Acabou bebendo demais e se afastando, sem querer, após a queima de fogos. Continuava dançando, sozinha, quando avistou alguém vindo em sua direção. A vista turva não a deixava identificar o rapaz que passara por ela várias vezes no calçadão. De repente, um estrondo e ela caía a seus pés. De repente, ela era só sangue e incerteza de, em muito tempo, poder sorrir novamente.

pesquisadora disse...

BEM SE PESQUISAREM NO GOOGLE VÃO ENCONTRAR A FONTE. ACONTECEU DE VERDADE.

Renatinha disse...

Desculpe, mas este conto me trouxe recordações para lá de tristes. Fiquei arrasada. Perdi alguém a quem amava muito assim, de forma estúpida, na praia... então, não vai dar para comentar.

Fabrício Romano disse...

O invento da humanidade que eu mais detesto, depois do suco de uva de soja, é fogos de artifício. Quando eu era moleque, na favela de sp em que eu morava, ficava com a molecada do começo da rua estourando fogos na molecada do fim da rua e vice-versa. A gente é muito idiota quando é criança. Feliz ano novo.

BitterSweet disse...

Ola, caramba, humor negro nao? adorei xD a guria morre, tu fica sem ela, e nós rimos... que demais... que demais!

louise disse...

HAHAHAHAHA
Tragicômico. Excelente!!!

Beijo!

Alessandro disse...

Como sempre, um miniconto que surpreende.
Mas, infelizmente, não é engraçado, já que a história é real (http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=16477842)
Obrigado "pesquisadora".
Resta saber se o autor foi testemunha ocular ou elaborou um conto com fundamento na realidade (ou ambas hipóteses, por que não?).

Sophie disse...

Bem trágico...
=**

Daniel Salles disse...

Detalhe: fogos sendo soltado na multidão, em frente a um posto de gasolina...a tragédia poderia ser ainda maior, por detalhes...

maria disse...

Sabe que quando eu li a notícia nos jornais imaginei a mesma coisa... povo sem noção!

maria disse...

A "mesma coisa" que o Daniel.

Louise disse...

Putz, e eu ri da desgraça alheia.
Juro que era ficção, foi mal!!

Antonio Ximenes disse...

Putz.

Um final inesperado e de um negro humor no que se refere a poética cruel do ocorrido.

Serviu para nos alertar para a inexistência da regra dos "finais felizes".

A gente se adapta com o que vier e segue adiante.

Abraço.

Sweet Toxicant disse...

Ia dizer que seu texto é interessante.. mas antes li os comentários e vi que aconteceu de fato... seu texto não deixa de ser interessante, mas a história, trágica. Infelizmente situações semelhantes acontecem por toda a parte... saímos para nos divertir, mas sempre tem um imbecil imprudente para estragar a felicidade alheia...

Anônimo disse...

Hum...
Mini contos perversos... ou melodramáticos??
Acho que a veia depravada combina melhor contigo.... hehehe
Beijos

Mandy disse...

Tadinhaaaa

não esperava por isso, talvez até q ela te desse um fora, mas não isso..

rsrsrs

Brincadeira amore...

^^

BjO.

* disse...

com um final assim rss beijooooooo

Adrielly Soares disse...

joijsoJASOIJaosjOAIJSOAijosijAS
Muito divertido como sempre.
adorei.
=*

Toninho Moura disse...

Será que ela se lembrará do primeiro encontro?

minicontosperversos disse...

thainá / louise / adrielly - vocês são cruéis, belas

mirian / clau - todos prefeririam... quem mandou ele demorar, né? podiam estar em outro lugar, fazendo outra coisa mais divertida, e nada de rojão pra estragar a festa

mari(A) - o conto não foi autobiográfico... bronze em dia, mas dura só uma semaninha

danielle - tá, bela, mas não somos vocês (F.A.Q.); e nada de aflição, viu? tem sempre uma solução

o casal que se... - pior é que tem...

anônimo - tem uma bola de cristal aqui que nos disse quem é esse anônimo... 2h27 da madruga?

pesquisadora - curiosa!!!

fabrício - não temos problema com o suco de soja, mas odiamos igualmente os rojões, ainda mais na mão de gente tosca

bitter - não é autobiográfico, bela (F.A.Q); bem, e não era pra ser bem humor... mas se você deu risada, valeu a tinta! legal isso de novas leituras

alessandro - o autor imaginou um apaixonado platônico para a moça

sophie - sim, e doloroso

fidel / maria - aí dava jornal nacional e não teria graça escrever o conto

loiuise [2] - isso não tira a graça da percepção que você teve da história; o que vale é a emoção na leitura; deixa a culpa de fora, querida

ximenes / lakian * - efetivamente temos lá nossos problemas com os finais felizes

sweet tox - conta, vai, o que de ruim fizeram a você? estragaram sua festa?

anônimo 2 - CLARO que combina; conhece entressafra de verão?

mandy - como nos disseram, se o caso fosse com a gente, não se passariam 24 horas; era ficção (F.A.Q.)

toninho - provavelmente não; houve perda de massa encefálica...

Anônimo disse...

Engraçado é o palhaço que sorri seu choro. A realidade é muito mais cruel. Essa menina morreu pela irresponsabilidade de um bêbado idiota. Irresponsabilidade que ceifará mais vidas como tenho visto. Moro em Balneário Camboriú e este ano 2009/2010 a irresponsabilidade se repete e graças a Deus e por sorte, a história não. Sensibilizo-me com o sentimento do autor e repudio quem acha "engraçado" a desgraça de outrém.