quarta-feira, 7 de março de 2012

Luto pelas namoradas de papel

Tem coisa que só tem graça fazer quando não se tem idade. Na nossa época era entrar no cinema nos filmes pornôs (ou maiores de 18 anos) e comprar revista de mulher pelada. Tinha todo um ritual para chegar na banca, ficar ali sem saber o que dizer pro jornaleiro, escolher a revista meio que sem olhar direito, colocar debaixo da camisa e ir pra casa. Passar pela sala disfarçando aquele volume esquisito e ir direto para o quarto ou banheiro.

Eram inesquecíveis nossas namoradas de papel. Cada um desenvolvia uma técnica, porque não era fácil segurar a revista com uma mão e virar as páginas enquanto a outra trabalhava. Eram paixões insanas e sem limites. Com elas não tinha esse negócio de tempestades emocionais, discussões ou ciúmes. Quando alguém enjoava da revista, sem problema emprestava para os amigos. E o amigo ficava feliz ao receber, mesmo com as páginas grudadas.

Com a playboy era diferente porque “tem matérias interessantes, não é por causa das fotos”. A gente já estava no colégio e tomava a liberdade de folhear quase que publicamente. A playboy pulava de mão em mão nos intervalos das aulas, entre risinhos das meninas (algumas até se encorajavam a folhear). Constrangedor mesmo era quando chegava ao Juninho, nosso colega mais afeminado quase que saindo do armário. Ele não deixava de folhear a revista, mas dava para perceber o interesse forçado e um certo nojo nas pontas dos dedos.

Hoje as revistas de mulher pelada ou de sacanagem perderam o sentido. É só navegar na internet e estão todas lá, mostrando e fazendo tudo que qualquer mente pervertida imaginar. Nunca mais teremos a inocência e o romance das namoradas de papel.

:: 05.05.2008 ::

22 comentários:

minicontosperversos disse...

Não é bem um conto (fora a parte do juninho), mas uma crônica. Mas vai assim mesmo. Porque a emoção é a mesma.

Bandys disse...

Bela crônica!

Mas posso discordar?
Conheço cidade que nem banca de jornal chegou ainda...os meninos esperam ansiosamente a chegada dos doadores de revistas e livros.

Um abraço

Bandys disse...

Sou nova no cantinho sim, não sei nem como cheguei! Mas adorei.
rsss
Beijos

iara disse...

como diria meu ilustríssimo chefe,

eu disconcordo com vc, não acho que perderam a graça. acho que tem outra graça.as perversões da net tb despertam outras graças e outros patamares de sentidos...

by the way, eu era das menininhas que folheavam a playboy...rs
e não era só pela reportagens.
até hoje!

bjs

A Bruxa disse...

Lembrou-me das aulas de química em que a gente lia livros pornôs, com os livros grudados nas colegas da frente.
Hoje os meninos tem aula de Ética que falam sobre sexualidade, e o prazer da molecada é deixar a professora vermelha com suas perguntas cabeludas.

Flávia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
minicontosperversos disse...

bandys - tá, mas quem é que vai levar revistinha de sacabagem (sacabagem, sim, pq o cara pega e "sacaba" nas fotinhos) pra eles? vai contra os preceitos da responsabilidade social

iara - sempre preferimos as não-play, as mais explícitas

bru - que perguntas cabeludas eles fazem?

iara disse...

gustavão,

as não play os meninos não deixavam dando sopa na escola ....
;-(

tb prefiro as não play , mais explícitas, assim como prefiro filmes caseiros aos de sacanagem "com enredo"...até pq depois de 3 minutos começo a reparar na maquiagem e nas unhas bregas, no "cenário" kistch e "música de fundo" e começo a rir...aí o tesão acaba...

Mary West disse...

Engraçado esses jovens mesmo, sabe do que eu tinha vergonha? De comprar absorvente, claro naum é exatamente a mesma coisa com a pornografia, mas ambos relatam uma certa vergonha em crescer.

louise disse...

Tendo dois irmãos mais velhos, que escondiam as ditas revistinhas nos lugares mais óbvios para uma menina fuçar... nossa, aquelas revistinhas "dirty" eram de matar.
Já da Playboy eu gostava das entrevistas mesmo. Juro.

Mas a primeira vez que eu realmente me assustei com essas paradas... uau, foi a coisa mais ridícula, eu tinha 7 anos... a mãe (divorciada, com namorado casado, etc... enfim, a "execrada" da rua) de uma amiga minha comprou para ela uma daquelas enciclopédias de ciências, que tinha a clássica foto do "casal nu". Que horror, não tinha gente mais feia pra retratar... a mulher tinha os peitos caídos até a barriga... o cara todo 70's, bigodão, costeleta e pint...inho. ARGH.

minicontosperversos disse...

iara - entendemos os 3 minutos; é o tempo de liberar a tensão; tensão "liberada", aí a mocinha recupera o senso estético

quem nunca bateu uma assistindo a um filminho pornô que atire o primeiro jatinho

mary west - pois é, e tem amiga minha que áté hoje tem vergoinha de comprar camisinha; e vc, mary? tem?

louise - lembra das RUDOLF? só tinha coisa bizarra naquelas revistinhas

FERNANDO disse...

É verdade, Gustavo. Já viu que coisa mais fria atualmente? Você passa as namoradas por e-mail, manda links, salvam em pendrives etc.

Quando a gente tomava emprestado uma namorada de papel, dava pra perceber em suas páginas quanto amor seu ex-namordo expel, digo, nutriu por ela. Agora, não tem mais isso...As namoradas de papel são mais efêmeras que antes, viraram garotas de programa de papel, passando de mão em mão, de tela em tela em segundos.

Pobre Garota Melancia. Acabei de encaminhá-la e jamais saberá quanto a amei.

minicontosperversos disse...

Mais um dos antigos e queridos, que fazemos questão de republicar.

Notem algumas peculiaridades do post:

1) os diversos comentários deletados pela Flavinha (quem tiver curiosidade, pergunte a ela por que deletou tudo que havia comentado no MCP);

2) a ideia de falar das "Namoradas de Papel" é antiga, de algumas boas conversas com o saudoso amigo Polaco (saudoso mesmo);

3) perceberam como o escrito está "redondinho"?

Bandys disse...

Ola!!
Nuss, e cá estamos de volta.
Olha acredita que ainda não chegou a banca, montaram uma biblioteca mas já tem internet pra todos os cantos, rs.

Foi um prazer estar aqui depois de tanto tempo. vou seguir,
beijos

Nós disse...

Uhauhauha vi muito disso no colégio e a emoção que os meninos mostravam ao entrar na sala com a revista e se reubnir com os amigos, lembranças engraçadas.

bela crônica

beijos

Anônimo disse...

Instantaneamente me veio à cabeça a primeira vez que eu comprei camisinha. Não eram as farmácias de hoje, que mais parecem supermercado. Era uma farmácia de bairro, de chegar no balcão, olhar nos olhos do atendente e pedir. O moço que era meu namorado na época sempre comprava, mas num dia em que fomos juntos à farmácia, ele percebeu que eu ficava sem graça e não sossegou enquanto não me fez comprar. Era isso ou nada. Acho que atraio pessoas que gostam de quebrar [meus] paradigmas.

E pensei que o Juninho não teria nojinho nem pegaria com a ponta dos dedos, se as páginas estivessem grudadas.

A Playboy me remete à escapulir de multa. Estava indo pra O. com um amigo que eu namorei quando era mais nova, sem beijar. Eu não deixava que ele me beijasse e ele tbém não podia beijar mais ninguém. Eu não o beijava porque não queria mesmo e porque eu namorava outro menino e, se o beijasse, seria traição. Tá, eu não era tão nova assim, mas isso é outra história.

Ele foi me pegar na casa dos meus pais e, quando fui entrar no carro dele, a Playboy estava "displicentemente" jogada no banco do passageiro, não tinha como eu não ver. Eu que nunca tive problema com isso, me lembro até hoje da cara dele quando eu, naturalmente, peguei-a e comecei a folhear. A única coisa que eu não poderia aproveitar eram as matérias interessantes e as piadinhas porque eu enjoo ao ler com carro em movimento. Logo que pegamos a estrada, blitz. Eu, que não estava nenhum pouco a fim de esconder a revista, ainda estava atacada, naqueles dias que a vontade de provocar fala mais alto, continuei vendo, comentando, como se nada estivesse acontecendo, mesmo quando ele nos parou. Eu acho que esse meu amigo estava com algum imposto ou taxa atrasada e não queria mostrar os documentos do carro ou estava só sem graça pela minha desenvoltura mesmo. O guarda pediu, já meio desatento, se esticando pra ver se pescava alguma coisa da revista. E ele desconversou. A próxima pergunta do guarda já foi: como você deixa sua namorada ver uma revista dessas? E nos deu um pequeno sermão. Não pela revista. Mas pela minha forma de folheá-la, na frente dos dois, sem vergonha.

Multa? Que nada. Ele nem se lembrou de pedir os documentos de novo. Mas nos fez colocar a revista no porta malas, alegando que poderia desviar a atenção na estrada e que isso não era coisa para uma menina como eu. [??]

E eu, toda me achando, me senti a contraventora! Estava orgulhosa de mim!

Seria paradoxo a falta de desenvoltura para uma coisa e a facilidade para outra? No caso dos meninos, seria o contrário?


Bom, hoje, quando o reli, eu me lembrei da personagem do Milo Manara na capa da Playbou italiana. Ainda temos boas surpresas.

E da proibição do FB à fotos, obras de arte, a desenhos, até ao cheiro da "pornografia" da mais inocente. Meu deu saudades da época em que o mundo não era tão chatinho. Ondem nem tudo era pecado nem virara manchete de jornal nem dava cadeia.

Bem Resolvida disse...

O melhor de tudo das namoradas de papel é que eram mulheres de verdade, sem retoques mágicos para diminuir barriga, esconder estria, retirar celulites. Naquela época os homens gostavam das mulheres com todas as suas imperfeições, hoje são todas tão artificiais, "emplastificadas" que uma grande parcela feminina da sociedade se mata em academias, dietas e em plásticas para parecer só um pouquinho perfeita como essas novas namoradas de papel photoshopeadas.
não, eu não me icluo nessa parcela, obrigada!

E o sr. entendeu errado lá em casa. não quis dizer "mas ele é muito bom pra mim" e sim: A gente se ama, se trata com muito amor "ms ele não me come mais como antigamente"
:P

Bem Resolvida disse...

Ahhhhh esqueci de falar...

Eu comprava aquelas revistas que vinham com fita VHS de filmes pornô. Entrava na banca na maior cara de pau, esclhia e pagava. já deixei muito cara pasmo e tarado em banca de jornal só imaginando como seria que eu iria assistir esses filmes :P

http://rainhaprofana.blogspot.com/ disse...

eu nunca experimentei exitação com as namoradas de papel , apesar ,de que desde sempre as achava loucamente corajosas..e lindas..EU conheci esse principio digitalmente , aprendi a ter prazer ,e fantasias com trocas , fakes.. tive um amante virtual por 3 anos sem nunca ter visto a cara e nem ao menos saber o nome dele..era simplesmente insano e excitante..até hoje ,tenho fantasias que ele esta por perto...foi uma das experiências sensuais mais intensas , porque ela servia como uma mina pra todas as minhas projeções...os tempos modernos tem muitas outras possibilidades...

Dita Panul disse...

Adorei Gustavo! E acho que mesmo virtuais ainda vale à pena compartilhar com os melhores amigos.
Beijo

Luizfst disse...

Bons tempos esses! Hoje a forma de se lidar com a sexualidade e com a pornografia mudaram. Mas garanto que tem muito garoto se apaixonando por modelos virtuais!

minicontosperversos disse...

Amigo Luiz: não só garotos como grandões!