segunda-feira, 19 de março de 2012

A ré assassina do Polaco - parte 1

O Polaco foi o último da turma a tirar carteira de motorista. Esperou até os 25 anos. Eu cheguei a pensar que ele tinha um trauma ou coisa parecida, pois costumávamos agendar a autoescola e o exame antes mesmo de fazer 18, pra chegar à nova idade já com "o poder".

Então ele comprou uma brasília amarela (muito antes da moda lançada pelos Mamonas). Pense num carro feio e estourado. Mas o importante é a mobilidade e tudo que ela proporciona, certo?

A brasília trouxe benefícios para a vida sentimental do Polaco. Lembro do dia em que eu voltava de uma festa num sábado pelas duas da madruga e testemunhei uma cena em frente ao restaurante universitário, onde rolavam uns bailões alternativos. A estrela desses bailes era uma mulata de um metro e oitenta ornamentada com longos dreads, linda e imponente. Às vezes as portas da brasília não abriam, e o Polaco (e quem o acompanhasse) acessava o carro pela porta do que seria (mas não é, numa brasília) o porta-malas. Pois o que testemunhei foi o Polaco segurando a tampa traseira e a mulata de pernas longilíneas engatinhando carro adentro. Me limitei a buzinar e a gritar “Aí, Polaco!”

Para complicar a situação, a brasília tinha problemas no engate da primeira e da ré, que ficavam bem próximas no câmbio. Às vezes ele perdia um tempo no sinaleiro se batendo entre uma e outra, com o pessoal buzinando atrás. Isso deixa qualquer um estressado.

(continua...)

3 comentários:

M.M. disse...

As particularidades das portas e das marchas podiam até não ser pretextos. Mas bem que ajudavam.

O problema no engate era característica das Brasílias, em geral?
Lembro de brigas com a primeira do Fiat 147 - "é preciso 'esgrimar' com a alavanca" - e de anúncios de venda - blá blá blá blá e nem escapa marcha -.

Se a da Brasília escapasse...

​MM

minicontosperversos disse...

O defeito deve ser de brasílias velhas. Bacana mesmo é aquilo do motor atrás. Tração atrás. Esses carros eram heróicos. Um primo nosso que administrava a fazenda da família (dele) abria as porteiras com o carro. Uma delicadeza só.

M.M. disse...

essa da porteira eu nunca tinha ouvido falar.
temos essa tecnologia não. no sítio, no desespero, vai alguém correndo na frente e abrindo.

o fiat 147 eu aprendi a dirigir na fazenda. era uma loucura quando tinha que passar naqueles mata-burros bem rudimentares: "acelere, tem que passar correndo". eu amava. e, no trepidar, porque eram desnivelados, o desafio era saber o ponto da aceleração para não deixar a marcha escapulir. delícia!


​MM