terça-feira, 5 de abril de 2011

Desabrocha a florzinha

Começaremos esta gloriosa VI Semana da Contribuição MCP com uma delícioso continho polêmico de autoria da amiga Vampida Déa. O número 12 ali embaixo até arrepia, mas faz parte da natureza humana. E sabemos, estamos em débito com os leitores. Prometemos fechar esta semana com uma linda MCPmate. Acompanhem e desfrutem.

Ela tinha doze aninhos, um corpinho delicioso de ninfeta, seios despontando pro mundo e um calor entre as pernas que vivia contraindo, na tentativa de alivio e que só fazia uma umidade insistente surgir e obrigá-la a trocar calcinhas várias vezes ao dia.

À noite quando ia dormir suas mãos descobriam o corpo que arrepiava a cada toque, causando sensações novas, descobria o prazer, o gozo que abafava no travesseiro. Sonhava muito com garotos, que não lhe davam a mínima. Velhos safados que se ainda estão vivos deveriam estar presos por lhe dizerem gracejos.

Vivia a correr com os meninos, e pelo seu comportamento amolecado passava despercebida a vontade louca que ela tinha de dar uns amassos pelos cantos. Naquele tempo ainda havia muitas brincadeiras na rua e ela curiosamente não era muito dada a vaidades como as meninas da sua idade. Contraditoriamente ao fogo que consumia o corpo em transformação, ainda brincava, e muito!

Suas colegas não tinham os mesmos encantos que ela, mas eram delicadas, frágeis. Ela não entendia o porquê dos garotos se interessarem tanto por essas meninas, já que com ela brincavam as mesmas brincadeiras e conversavam as mesmas coisas, mas eles preferiram sempre as garotas cheias de frescuras. De vez em quando alguém deixava escapar um segredo: ”Fiz ousadia com fulano”, ou “Eu vi beltrano e cicrana pagando ABC”, o que aumentava sua curiosidade e vontade.

Espelhos e seus próprios braços eram alvos de constantes beijos e lambidas, pois queria estar pronta para quando chegasse o grande dia. Não queria passar pelo vexame de descobrirem que ela não sabia beijar.

Uma bela tarde se arrumou muito, conseguiu ficar mais linda, cheia de perfume, até pintou as unhas. Os amigos olharam diferente, caçoaram e estranhamente ela não quis brincar de pique, sugeriu esconde-esconde, estava com uma determinada segunda intenção: beijar  o menino mais bonito da turma.

Na hora de esconder deu um jeito de ficar com ele, atrás do muro de uma casa vazia, ela ofegante se chegou e lhe olhou no fundo dos olhos. O menino a empurrou e gritou: "Qualé? Beijar você? Você é brother!" Ele saiu correndo gritando, e ela correu chorando, direto para seu espelho e seu travesseiro.

12 comentários:

Menina Misteriosa disse...

Dea,
Quando o li, lá no seu blog, tive a ideia de mandá-lo para minhas primas mais novas que estavam com essa mania de "brother"... Mandei e elas pararam rapidinho!

O alcance ou efeito de um conto vai além do que se imagina.

Muito bom, Dea!
Beijo

MeninaMisteriosa

Carolina Nascimento ( Nina512, lembra? rs) disse...

YEEEEEEEEEEES !

era vc mesmo que eu tava procurando !
rs

abandonei o Versos Secos ha um tempo e resolvi voltar, e so lembrei de vc com os seus comentários engraçados =)

Lembrei de como vc falava do :

"Escrevo pq sinto vontade
simples assim"

hahaha


poxa, mt saudade mesmo
nao deixa de atualizar aqui nao
estarei sempre lendo

bjobjo =)

Nina 512 disse...

serio mesmo ? haha
acho que não ein ! ;)

Dita Panul disse...

Sabe que pra mim até hoje é assim com os brothers e com as calcinhas, só que agora (quando resolvo)eles não correm mais,sorte do travesseiro,rs!

Mr. Casanova disse...

Hummm... saudades!!

Mas nunca refugamos (ao menos aqui no interior do mundo) uns beijinhos q fossem. Nossas "brother´s" eram pra tudo que é brincadeira, de preferência se fosse de sacanagem (com certeza).

Dea... merece meus sinceros cumprimentos, por suportar esta fase com seu travesseiro, que tanto nos dá hoje uma tremenda inveja do que deve ter passado e "molhado".

Dita... e que sorte dos brother´s de terem a felicidade de poder saborear tudo que a natureza lhe deu.

Beijos às queridas comentaristas e auxiliares do Gu.. já aos cuecas de plantão, um aperto de mão! rsrs...

Única e Exclusiva disse...

Revi cenas de uma vida. De ser 'brother' dos gatinhos. Mas, o tempo foi generoso com todos, rs.

Dea é um espetáculo!!

Bjs meus

Patrícia disse...

Dea descreveu bem essa idade quando estamos saindo da infância e entrando na puberdade, fica essa confusão de emoções. Nunca fui "Brother", mas agente sabe que acontece e muito. Muito bom! Bjs

Vampira Dea disse...

Pois essa pra mim é nova Menina Misteriosa,os continhos estão servindo de bom exemplo? Choquei rsrs

Dita, ùnica e Exclusiva e Paty: ainda bem que com o tempo os meninos se tocam e a coisa muda, mas a verdade é que despertamos muito mais cedo que eles pra esses assuntos.E eles muitas vezes não percebem. Isso é bom pra não adiantar demais as coisas

Mr Casanova não espalha que a história é verídica, ô o perigo rsrsrrs

Gabriel disse...

Muito bom. Um desses eu queria ter escrito. Perfeitas palavras. Parabéns. Posso re-postá-lo, se possível?

Sr.Apêndice disse...

Ah... os sentimentos e sensações que percorrem corpos e corações nunca mudam. Podem se intensificar ou até mesmo abrandar com o tempo, mas serão sempre eternizados, ainda mais no primor da inocência. E as lágrimas ardidas de um desejo contido, ah... Essas são inesquecíveis...

Que conto! Que conto! Jurei que viria uma pornografia digna de Nabokov ao começar a ler sobre a menina fogosa de 12 anos, mas o final tenro me desmontou como poucos. Parabéns, viciei na tua escrita Vampira. ;D

Flavinha Mel disse...

Dea,
Parabéns! Não consigo imaginar uma maneira melhor de retratar a pré-adolescência...porque as outras meninas se interessam por bonecas do que por brincadeiras de rua?
Será que é por isso que sou assim hoje?
Curioso não ter nenhum amigo do sexo masculino...

É comigo??? disse...

Da malícia à inocência; diversão pura, linguagem fluida e um finzinho bem caprichoso!!!Valeu a pena ler!!!