quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Carne em tormento

Muitas vezes eu quis dar, mas acontecia diferente do que eu planejava. Eu pensava demais. Com 13 anos um piá tentou me beijar, dei uma porrada nele. Entrei em outra escola e comecei a gostar de um garoto mais velho, um repetente. Chegamos às vias de fato, aos tapas, na fila do hino nacional. Gamei nele durante cinco anos.

No segundo grau eu morava sozinha e, à noite, não sei porque, batia aquela vontade louca de dar. Pensei até em pegar um desconhecido na rua, ou dar para o guardinha do Banestado que sempre encontrava no ponto de ônibus. Então vinha toda burocracia feminina: "e se fico gravida?", "vai que o cara começa a me perseguir", "ai de mim se eu pego uma doença". Resolvia com muita imaginação e dedos molhados, e dormia em paz.

Um dia, no caminho do cursinho, deliberadamente fui pela rua em que um quarentão, na porta de um hotel, repetia que me lamberia todinha. Não deixei. Comecei a estudar na biblioteca pública depois das aulas, e logo no terceiro dia um coroa pediu para eu cuidar das coisas dele. Era desculpa. Depois de repetidos e simpáticos encontros entre as prateleiras me convidou para jantar em sua casa. Imaginei como seria na cama, sua mão me tocaria de leve, me penetraria pela frente e por trás. Mas tinha a burocracia...

E nunca vou esquecer dos dias em que eu saía sem calcinha e de minissaia, me abaixava para mostrar a bunda para os velhinhos jogando damas no Passeio Público. Tem muita menina querendo dar, o problema é que os caras não percebem quando estão taradinhas, quando é só tentar que elas cedem.

(14.08.2003)

3 comentários:

Mirian Martin disse...

ai, essa burocracia...

Tata disse...

Bah "e pensamos que são os homens os safados" rsrs...

surrealismodoacaso disse...

Essa burocracia nunca serviu pra nada mesmo, em todo lugar em que é utilizada...